Nicolás Maduro

Nicolás Maduro já tomou posse e assegura: “A Venezuela é um país profundamente democrático”

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Nicolás Maduro tomou posse como Presidente da Venezuela. No seu discurso houve críticas ao "imperialismo norte-americano", à Europa, à "direita fascista" e à divisão da América Latina e do Caribe.

AFP/Getty Images

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  • Agência Lusa

“Não podemos falhar e não falharemos. Juro pela minha vida e pela minha pátria.” Nicolás Maduro terminou desta forma o discurso que fez esta quinta-feira no Supremo Tribunal de Justiça, em Caracas, na segunda vez em que tomou posse como Presidente eleito da República Bolivariana da Venezuela (ainda que, em 2013, tenha assumido a presidência após a morte de Hugo Chávez). A forma como terminou resume os vários minutos em que nada escapou às críticas, especialmente ao “imperialismo norte-americano”. “Às vezes, é difícil suportar tanta campanha, tanta mentira”, referiu.

A Assembleia Nacional da Venezuela, na qual a oposição detém a maioria, declarou inconstitucional o novo mandato que Nicolás Maduro iniciou esta quinta-feira. A declaração teve por base um projeto de acordo para uma solução política à crise venezuelana e os parlamentares pedem a realização de eleições presidenciais em condições democráticas e com o apoio internacional. Por esta razão, a cerimónia realizou-se no Supremo Tribunal de Justiça.

Maduro começou por explicar que traz consigo “a mesma faixa presidencial que o comandante Hugo Chávez” porque defende a mesma causa, juntamente com a chave do sarcófago onde estão os restos mortais de Simón Bolívar e a ata da independência da Venezuela. “Não me pertence a mim. Esta faixa e esta força pertencem ao povo soberano da Venezuela”, explicou durante a cerimónia.

O líder da Venezuela falou também numa “campanha de manipulação” contra o país, lembrando as acusações de “ditadura” de que tem sido alvo nos últimos anos. E garantiu: “A Venezuela é um país profundamente democrático. Eu sou um presidente de verdade, democrata profundo”. Prova disso, explicou, são as 25 eleições que se realizaram nos últimos 19 anos, das quais “as forças bolivarianas, chavistas e socialistas ganharam 23”.”A Venezuela tem um povo que participa permanentemente nos processos económicos e sociais do seu país”, acrescentou Maduro.

A Venezuela é o centro de uma guerra mundial do imperialismo norte-americano e dos seus governos satélites”, afirmou Maduro, acrescentando que “como loucos, os governos satélites, vão inventando, fazendo, pressionando, gritando”.

Os Estados Unidos, que negaram reconhecer a legitimidade do governo de Maduro, foram um dos temas centrais das acusações. O presidente venezuelano garante que “a escola da Venezuela não foi nem é a escola das ditaduras, nem do imperialismo”. “Não me formei nas escolas da América, formei-me nos bairros de Caracas”, reforçou, não se esquecendo também de deixar o recado a “uma direita que infetou o seu fascismo na democracia latina”, como “é exemplo o Brasil e Jair Bolsonaro”.

Não somos formados na escola da oligarquia, que despreza o povo e vive da dominação, da entrega ao imperialismo norte-americano. A nossa escola tem sido a luta sindical, as assembleias com os estudantes, com os bairros. Essa tem sido a minha escola”, disse ainda Nicolás Maduro durante o seu discurso.

Maduro deu o exemplo das “sanções, perseguições, bloqueio económico e campanha mediática” feita pelos norte-americanos, garantindo que os “tempos coloniais” acabaram e que “o mundo é muito maior do que o império dos EUA e as suas ameaças”. “Já não é um mundo unipolar, hegemónico. (…) Façam o que fizerem, há um mundo de pé. A Venezuela calhou de estar na primeira linha da batalha”, assegurou.

Das palavras de Maduro saíram também duras críticas à divisão da América Latina e do Caribe. O governante considera que existe “intolerância ideológica” e que querem “impor novamente a ideologia intervencionista que caracterizou o século XX” na região. Para resolver os problemas, sugeriu uma cimeira com os vários países latinos, “para discutir todos os temas, cara a cara”. “Temos que tomar iniciativas de diálogo, de conversação, de aproximação, porque a ninguém convém a escalada de intervencionismo que existe neste momento”.

Acredito que tenham medo. Têm medo de nos ver cara a cara, de ouvir a nossa verdade. Se assim o for, espero que um grupo de países latino-americanos tomem a iniciativa de fazer um grupo para o encontro”, resumiu Maduro.

Nicolás Maduro terminou com a garantia de que quer “corrigir muitos erros” cometidos pela Venezuela — “para consolidar a independência do país” –, fazendo ainda um apelo à Europa, que considerou estas eleições como “não democráticas”, para que não regresse ao “velho colonialismo e racismo”.

“União Europeia, pára. Basta de agressão contra a Venezuela. Respeita a Venezuela ou a história vai-te cobrar”. Ainda assim, esclareceu, há aspetos positivos que destaca: “Na Europa, querem-nos. Na Europa, veem-nos com bons olhos, os povos, os movimentos sociais, sindicais, os ‘coletes amarelos. (…) Talvez fundemos uma secção dos ‘coletes amarelos’ da Venezuela, porque somos os rebeldes do mundo”.

Pompeo anuncia medidas contra “regime corrupto”

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, condenou a “ilegítima usurpação do poder” na Venezuela por Nicolás Maduro, que esta quinta-feira iniciou o seu segundo mandato presidencial, anunciando medidas contra o “regime corrupto” vigente naquele país latino-americano.

Os Estados Unidos condenam a ilegítima usurpação do poder por Maduro hoje [quinta-feira, 10] , após as eleições sem liberdade e justiça que ele impôs ao povo venezuelano a 20 de maio de 2018, mantêm-se firmes no apoio ao povo venezuelano e continuarão a usar todo o poder económico e diplomático norte-americano para exercer pressão para que a democracia venezuelana seja restaurada”, declarou Pompeo em comunicado.

Reiterando o apoio de Washington à Assembleia Nacional da Venezuela, que considera “o único ramo legítimo do Governo devidamente eleito pelo povo venezuelano”, o chefe da diplomacia norte-americana defendeu “estar na altura de a Venezuela iniciar um processo de transição que possa restaurar a ordem constitucional democrática realizando eleições livres e justas que respeitem a vontade do povo venezuelano”.

Para atingir tal objetivo, os Estados Unidos “adotaram medidas agressivas contra o regime de Maduro e seus facilitadores” impondo na terça-feira, dois dias antes de o dirigente venezuelano tomar posse para o seu segundo mandato presidencial de seis anos, sanções a sete pessoas e 23 entidades “envolvidas num esquema de corrupção para explorar as práticas de câmbio da Venezuela”.

Ao manipular o sistema em seu favor, estes indivíduos e estas entidades roubaram mais de 2,4 mil milhões de dólares enquanto o povo venezuelano passava fome”, denunciou o secretário de Estado norte-americano.

O governante norte-americano saudou “a iniciativa da nova liderança da Assembleia Nacional de trabalhar com a comunidade internacional para recuperar esses e outros fundos roubados e de os utilizar para aliviar o sofrimento do povo da Venezuela” e assegurou que “os Estados Unidos vão continuar a desempenhar um papel ativo para esse fim”.

Mike Pompeo indicou ainda que Washington impôs “e vai continuar a impor revogações de vistos e outras restrições a atuais e antigos governantes venezuelanos e respetivas famílias que se considere serem responsáveis por ou cúmplices de violações dos direitos humanos, atos de corrupção pública e enfraquecimento da governação democrática”.

Não permitiremos que eles ajam impunemente ou que usufruam dos seus benefícios ilícitos nos Estados Unidos — e instamos outros países a fazerem o mesmo”, frisou Pompeu.

“Está na altura de os líderes venezuelanos fazerem uma escolha: instamos aqueles que apoiam este regime, do comum trabalhador por conta de outrem que sobrevive graças a subsídios de alimentação às forças de segurança venezuelanas que juraram defender a Constituição, que parem de permitir a repressão e a corrupção e trabalhem com a Assembleia Nacional e seu líder devidamente eleito, Juan Guaido, no cumprimento da vossa Constituição, para um retorno pacífico à democracia”, apelou o secretário de Estado norte-americano no comunicado.

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