Um jogo, um golo. Dois jogos, dois golos. Três jogos, três golos – e este, em Chaves, decisivo e a aparecer nos descontos. Quatro jogos, quatro golos. O primeiro mês no Benfica de Haris Seferovic, avançado que chegou a custo zero em 2017 vindo do Eintracht Frankfurt, foi de loucos. Depois houve mais um golo em setembro, outro em outubro, um no final de dezembro e fechou a loja. Tanto que, a partir daí, jogou pouco e sempre como suplente utilizado. Com a chegada de Castillo e Ferreyra, a saída, fosse por empréstimo, fosse a título definitivo, parecia inevitável. Não foi. O jogador não quis. Hoje, tornou-se indiscutível.

Em março, projetando também o Mundial onde estaria presente, o dianteiro falou ao Tagblatt para esclarecer que o Benfica era ainda a sua aposta, mesmo sabendo que não era naquele momento uma opção inicial. “A situação no clube não é fácil, estou a tentar alterá-la. Continuo a dar o meu melhor em todos os treinos, sinto-me muito bem física e mentalmente, e tento mostrá-lo ao treinador todos os dias. Não me arrependo por um segundo da opção que tomei, nada mudou em relação a isso. Jogo num clube de topo e tem de haver um certo nível de qualidade para estar no plantel. Tive o azar de o sistema ter mudado. E se o concorrente [Jonas] marca mais de 30 golos… Está claro que não o vão tirar”, esclareceu o helvético.

No verão, as notícias que davam conta do interesse de clubes estrangeiros no avançado sucediam-se com uma cadência quase diária e a Udinese terá mesmo ficado perto de garantir a sua cedência. Mais uma vez, Seferovic recusou virar a cara à luta e, na pré-temporada, explicou a outro jornal do seu país, o Blick, que estava focado apenas nos encarnados. “Eu e o Benfica assinámos um contrato válido por cinco anos. Do meu lado, irei fazer todos os possíveis para o cumprir e também para estar a postos sempre que for solicitado. Tive duas semanas de férias depois do Mundial, três seria o ideal, mas não há problema. Estou a trabalhar forte para recuperar a forma física o mais rápido possível”, destacou. E começou como quarta opção.

Com Jonas como inquestionável mas a debater-se com alguns problemas físicos, o suíço foi saltando degraus. Ferreyra, fosse pela forma de jogar ou pelo sistema, pareceu sempre estar desenquadrado com o modelo de Rui Vitória no Benfica. Castillo, a outra grande aposta, também nunca justificou propriamente quando foi chamado. Seguiu-se Seferovic, que agarrou o lugar. Primeiro com o trabalho, depois com os golos. Alguns decisivos, como o que marcou no clássico frente ao FC Porto. Com o regresso do brasileiro, passou para o banco mas já era a segunda e não a quarta escolha entre os avançados; agora, apontou quatro golos nos últimos quatro encontros, fazendo esquecer nova ausência por lesão de Jonas após o jogo com o Portimonense.

Contas feitas, Seferovic chega ao final da primeira volta na liderança interna da lista dos melhores marcadores. No Campeonato leva sete em meia temporada, quase o dobro do que em toda a última temporada (quatro); no total de todas as competição, já fez dez, mais do que Jonas e Rafa, que estavam na frente da lista até ao último mês. E promete não ficar por aqui.

Também em termos pessoais, o suíço de 26 anos está muito perto de igualar e superar os melhores números na carreira: já tem o mesmo número de golos apontados nos italianos do Novara em 2012/13 (dez) e encontra-se apenas a um da melhor marca, que foi alcançada no primeiro ano de Bundesliga ao serviço do Eintracht Frankfurt (2014/15).