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Pedro Siza Vieira lamenta destaque dado à corrupção em relatório da OCDE: “dá um sinal externo muito negativo”

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Colocar corrupção acima de outros factores estruturais para a economia não é profícuo e dá sinal externo muito negativo, diz o ministro adjunto. Siza Vieira falava do relatório da OCDE sobre Portugal.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O ministro da Economia argumentou esta quarta-feira ser um “sinal externo muito negativo” o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), ainda não divulgado, indicar a corrupção como um dos principais problemas da economia nacional, colocando Portugal ao nível da Nigéria e Iraque.

“Colocar acima de alguns fatores estruturais a corrupção, acho que não é muito profícuo e dá um sinal externo muito negativo”, criticou esta quarta-feira Pedro Siza Vieira, em audição parlamentar.

Na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, o ministro Adjunto e da Economia explicou que a informação que tem sobre o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que “será publicado em breve”, é que “identifica a corrupção como fator estrutural de deterioração da competitividade portuguesa”.

O Observador publicou o conteúdo da versão preliminar deste documento onde é destacada o impacto do caso do ex-primeiro-ministro José Sócrates na perceção da corrupção em Portugal e onde eram propostas mudanças relevantes no quadro judicial, como a criação de um tribunal para julgar casos de corrupção e a limitação do recursos da defesa. Este draft causou incómodo ao Governo e motivou até pedidos de alteração ao documento que foi elaborado pela equipa coordenada por Álvaro Santos Pereira, ex-ministro do Governo de Passos Coelho e que é diretor na OCDE.

Siza Vieira sublinhou a importância de combater “em todas as circunstâncias” a corrupção, mas disse que “identificar o problema da corrupção como fator de degradação da economia portuguesa é desviar a atenção de coisas importantes” como as dificuldades de acesso ao capital e de qualificação de recursos humanos e as baixas taxas de poupanças.

“E fico bastante desapontado que o contributo que a OCDE tem para dar à economia portuguesa é pôr o combate ao problema da corrupção como uma coisa mais importante, por exemplo, que a qualificação dos portugueses e dar um sinal ao mundo que estamos ao mesmo nível que a Nigéria ou do que o Iraque”, disse.

No início do mês, o jornal Expresso indicou que a corrupção é destacada, pela primeira vez, num relatório da OCDE sobre a economia nacional, que é publicado a cada dois anos.

O jornal referiu que na base desta conclusão está o trabalho da equipa do antigo ministro Álvaro Santos Pereira, o Economic Survey, um radar da OCDE sobre a economia portuguesa.

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