Traição, falsas declarações, manipulação, distorção da realidade. Foram estes os ingredientes que temperaram a primeira entrevista concedida por Carlos Ghosn, o ex-homem forte da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, que se encontra preso desde o final de Novembro.

A conversa com os jornalistas do japonês Nikkei Asian Review terá durado apenas 20 minutos, tempo mais que suficiente para que o gestor franco-brasileiro reiterasse a sua inocência, o que já fez perante o juiz, pese embora tenha continuado detido. A novidade é que, pela primeira vez, o executivo avança explicações para justificar o estado em que se encontra. Ao que diz, está a ser vítima de uma conspiração congeminada pela Nissan com o fito de impedir a fusão com a Renault.

Ghosn garante que altos dirigentes do construtor nipónico eram contra essa operação e terão encontrado forma de bloqueá-la construindo uma narrativa que o descredibilizasse, à custa de falsas alegações. Além de negar todas as acusações sobre pagamentos indevidos, fraude fiscal e declarações financeiras falsas, o executivo assegura que as casas que possui no Rio de Janeiro e em Beirute foram aprovadas pelo departamento jurídico da Nissan. “Algumas pessoas distorceram a realidade, transformando a minha liderança forte na postura de um ditador, com o objectivo de se livrarem de mim”, acusa.