A 19 de Novembro, Carlos Ghosn, de 64 anos, foi detido em Tóquio sob suspeita de fraude fiscal. O homem que comandou os destinos da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi continua preso, tendo entretanto sido demitido do lugar de CEO da Nissan e da Mitsubishi, mas não da Renault. O conselho de administração do construtor gaulês optou por “segurar” a posição de Ghosn na estrutura directiva, apontando Thierry Bolloré como CEO interino e Philippe Lagayette como chairman, em substituição de Carlos Ghosn.

Se a postura das marcas que compõem a Aliança foi distinta em relação às acusações de que o gestor é alvo, o mesmo não aconteceu em relação aos Governos dos dois países envolvidos. Imediatamente um dia depois da mediática detenção, França e Japão emitiram um comunicado conjunto, onde sublinhavam o seu apoio à aliança que junta Renault e Nissan. Sabe-se agora, conforme avança a agência de notícias japonesa Kyodo, que houve movimentações para fazer desse apoio mais do que verbal.

Na semana passada, uma delegação francesa, onde se encontravam o director-geral das participações do Estado, Martin Vial, e o chefe de gabinete do ministro da Economia e das Finanças, Emmanuel Moulin, terá ido a Tóquio para discutir dois temas. A prisão de Carlos Ghosn foi um dos tópicos abordados, mas o principal motivo do encontro prendeu-se com uma eventual fusão da Renault e da Nissan. Escreve a agência noticiosa que esse foi o principal tema sobre a mesa, sendo o cenário preferido por Emmanuel Macron. Contudo, contará com a oposição dos japoneses.

O maior accionista da Renault (15%) é o Estado francês, que nesta incursão pelo Japão terá tentado obter por parte do Governo nipónico apoio para a fusão dos dois construtores. Desde o resgate da Nissan, no final dos 90, que a Renault detém 43% da Nissan, enquanto o fabricante japonês possui 15% do grupo francês, bem como 34% da Mitsubishi Motors.

Segundo a imprensa japonesa, França não encara com bons olhos a continuidade da operação das duas marcas em separado, apostando que uma fusão as fortaleceria no médio-longo prazo, enquanto no imediato poderia estancar a queda em bolsa das acções. No entanto, a Nissan prefere manter o controlo sobre a sua marca e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, entende que a última palavra sobre esta matéria caberá os dirigentes das marcas e não aos líderes governamentais. Entretanto, o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, veio desmentir a possibilidade de uma fusão entre a Renault e a Nissan, embora os media nipónicos relatem que França está a exercer pressão nesse sentido.