O PCP é o único partido que fica de fora do texto comum que vai definir o âmbito da nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa Geral de Depósitos. Como justificação, os comunistas alegam que se trata de uma comissão “desnecessária”, já que, entendem, as anteriores CPI ao banco público serviram para encontrar os responsáveis políticos “pela gestão ruinosa”: “os sucessivos governos de PS, PSD e CDS”. Quanto às eventuais responsabilidades judiciais, essas “competem à Justiça”.

A justificação foi apresentada pelo deputado comunista Duarte Alves esta tarde no Parlamento. “Ainda não conhecemos o relatório de auditoria à Caixa Geral de Depósitos, no entanto sabemos já quais foram os custos para o banco público de decisões tomadas por sucessivas administrações que alinharam com as práticas de gestão da banca privada, levando a que daí resultassem perdas avultadas”, explicou. Para o deputado, uma nova comissão vai ainda contribuir “para fragilizar a imagem do banco público” com o objetivo de passar a ideia de que “só na banca privada” é que as gestões não são “ruinosas”.

A isto, acresce, para o PCP, o facto de “neste momento estar a decorrer uma investigação judicial que irá apurar os responsáveis criminais”. Ou seja, se por um lado a Justiça está a fazer o seu trabalho – “que deve ser respeitado”, sublinha o partido -, por outro, o Parlamento já fez a sua parte com as duas comissões de inquérito que já incidiram sobre a gestão da CGD. “Os responsáveis políticos foram encontrados e não há qualquer sombra de dúvidas de quem são: os sucessivos governos de PS, PSD e CDS“, voltou a frisar.

Esta conclusão, óbvia para os comunistas, decorre do facto de terem sido esses executivos a nomear as administrações que “executaram uma gestão ruinosa” da CGD. Tudo está relativamente claro e, por isso, não há necessidade se juntar ao texto comum nem de apresentar uma proposta autónoma.

Apesar das críticas, Duarte Alves anunciou que o PCP vai abster-se na votação de dia 14 de fevereiro, quando o texto for a plenário. “O PCP, tal como anteriormente, não irá criar qualquer obstáculo à criação de uma comissão parlamentar de inquérito”, adiantou. O foco dos deputados comunistas que venham a integrar esta comissão será o de “apurar responsabilidades políticas” das personalidades envolvidas no caso.