É complicado, por vezes, recordar que Bruno Fernandes não é ala, não é avançado e muito menos ponta de lança. É complicado, por vezes, lembrar que o internacional português joga no setor intermédio, atrás da linha de ataque. E é por isso complicado explicar a ligação quase intrínseca que o número 8 do Sporting tem com o golo. Este domingo, apesar da derrota caseira sofrida às mãos do Benfica, Bruno Fernandes apontou mais um golo – mesmo em cima do intervalo, garantindo uma réstia de esperança aos leões que acabou por não se materializar na segunda parte – e chegou aos 17 esta temporada, o melhor registo da carreira (na época passada marcou 16).

A máscara de André Pinto que não escondeu o aparelho de João Félix (a crónica do Sporting-Benfica)

O médio, que foi o terceiro jogador mais caro da história do Sporting, levava seis golos em 17 jogos quando Marcel Keizer chegou a Alvalade. Desde que o holandês assumiu o comando técnico dos leões, Bruno Fernandes marcou onze golos noutros 17 jogos a contar para o Campeonato (Rio Ave, dois ao Nacional e Moreirense e outro ao Benfica), para a Taça de Portugal (Lusitano Vildemoinhos, Rio Ave e Feirense), Taça da Liga (Feirense) e ainda Liga Europa (dois ao Qarabag). Com estes números, chega ao início de fevereiro com mais um golo do que aqueles que conseguiu marcar em toda a época 2017/18 – no que é também três vezes mais do que os melhores registos que deixou em Itália, com a Sampdoria e a Udinese.

Enquanto segundo melhor marcador do Sporting na presente temporada (apenas atrás dos 19 golos de Bas Dost, que também marcou este domingo), Bruno Fernandes é também o terceiro médio dos leões a ter duas temporadas consecutivas em que marca 15 ou mais golos, depois de Fernando Peres e Krassimir Balakov. Com o 17.º golo da época, o médio ficou a apenas quatro da marca do búlgaro e do brasileiro Osvaldo Silva, os médios com mais golos numa única temporada em Alvalade (21).

Bruno iguala Bruno e está perto de Balakov e Osvaldo: os números de um médio com instinto de avançado

Depois de uma goleada em casa frente ao eterno rival, agudizada por uma fraca exibição onde nada pareceu correr bem ao Sporting, Bruno Fernandes assumiu o papel de líder de balneário no final do jogo e lançou vários recados aos colegas de equipa. “Não há qualquer tipo de análise que possa ser feita. A nossa exibição não esteve à altura daquilo que se exigia e é tempo de cada um fazer uma reflexão e pensar naquilo que está a fazer mal. O Sporting tem que começar a fazer as contas com ele próprio e não com as outras equipas. O grande problema tem sido esse, temos feito muitas contas aquilo que podem fazem os outros e temos esquecido de fazer as nossas contas e o problema é que não estamos a fazer pontos e não fazendo pontos não interessa o que os outros estão a fazer”, explicou o médio internacional português, que foi um dos mais inconformados durante os 97 minutos de jogo.

O número 8 leonino ainda reconheceu que o Sporting está “numa situação complicada” e que “os pontos falam por si”. “Sabíamos que perdendo hoje a situação ficava ainda mais complicada. Não há nada a esconder, temos que trabalhar mais e ter mais atitude”, disse Bruno Fernandes, que lembrou ainda que o jogo da próxima quarta-feira, novamente com o Benfica mas desta vez a contar para a meia-final da Taça de Portugal, “tem a mesma importância que tinha”. “Não é por perdermos hoje que vai ter mais importância. Um dérbi tem sempre muita importância, uma meia-final da Taça tem sempre muita importância”, garantiu.

Bruno Fernandes foi Pedro Barbosa, é quase Fernando Peres e ainda pode ser Balakov

As críticas à exibição do Sporting, que vieram de Bruno Fernandes mas também de Marcel Keizer, apareceram em Alvalade ainda durante o jogo: os adeptos leoninos mostraram lenços brancos logo depois do golo de Pizzi, que aumentou o resultado para 1-4 através de uma grande penalidade, e muitos abandonaram mesmo as bancadas do estádio ainda antes de Artur Soares Dias apitar para o final da partida.