É inocente. A garantia foi dada esta quinta-feira por Leonor Cipriano à saída da prisão de Odemira: “O que sempre disse é o que sempre vou dizer: entrei nesta cadeia sem fazer mal à minha filha”. Foi ali que cumpriu cinco sextos da pena de 16 anos e 8 meses a que foi condenada pelo homicídio qualificado da filha Joana e ocultação de cadáver.

Eu vou dizer sempre até ao resto da minha vida: onde quer que ela esteja, quem a levou, quem lhe fez mal, por favor, devolvam-na”, disse em declarações à TVI.

A mãe de Joana disse que, agora que saiu da prisão, vai “lutar”. “Vou a todo o sítio que puder ir, eu vou à procura da minha filha. Hei-de encontrá-la nem que seja no céu“, disse Leonor, adiantando que, ainda assim, não vai pedir a reabertura do processo. “Depois o resto, eu resolvo”, atirou apenas.

Leonor Cipriano saiu em liberdade esta quinta-feira: “Não matei a minha filha”

Voltando a afirmar a sua inocência, Leonor esclareceu que só confessou tudo porque foi agredida na PJ de Faro e hoje diz-se arrependida. “Se eles me torturaram, deixaram-me tão roxa de tanta porrada que me deram, eu cheguei a um ponto que já não sabia o que estava a dizer”, defendeu a mãe de Joana Cipriano, dizendo que sai da prisão de Odemira de “cabeça erguida”.  Leonor esclareceu que confessou um crime mas sabe que não o fiz: “Se o arrependimento matasse, hoje era uma pessoa morta”.

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Envolvimento do irmão? “Se eu não lhe tivesse dado casa, a minha filha não tinha desaparecido

Questionada sobre se Joana voltou a casa depois de ter ido fazer as compras a pedido de Leonor — terá sido neste momento que a criança desapareceu — e sobre o sangue encontrado numa arca frigorífica, a agora ex-reclusa negou: “Saiu e nunca mais voltou. Nunca mais regressou a casa. E digam que ela regressou a casa, é mentira. Não regressou. Isso é mentira. Não regressou mais a casa desde que saiu”.

Continuando a responder às perguntas da jornalista, Leonor disse que o irmão saiu de casa nessa noite, recusando falar sobre o envolvimento do irmão no crime: “Não sei, não posso dizer uma coisa que não sei. Que eu não quero nada com ele, não quero, não quero”. Porquê? “Porque eu dei-lhe casa e se eu não lhe tivesse dado casa, a minha filha não tinha desaparecido“, respondeu repetindo que não sabe se o irmão esteve envolvido.

Não sei. Se está ou não, a consciência dele é que sabe, disse, explicando que, nas saídas precárias da prisão nunca contactou com o irmão.

Leonor anunciou ainda que arranjou um emprego, mas só começa a trabalhar dentro de alguns meses. Diz que é ao trabalho que pensa dedicar-se daqui para frente. “Vou fazer  a minha vidinha, fazer a lida de casa, passar a ferro”, disse.