NATO

Portugal defende alternativas a tratado nuclear perante risco de corrida ao armamento

De modo a evitar o fim do tratado das armas nucleares de médio alcance, o Governo defende que se deve "encontrar um regime que permita evitar essa corrida aos armamentos", entre outros mecanismos.

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, defende que em primeiro lugar se deve "fazer tudo para evitar que o tratado da não proliferação das armas nucleares seja denunciado"

OLIVIER HOSLET/EPA

O Governo admitiu esta quinta-feira que “será difícil” evitar o fim do tratado das armas nucleares de médio alcance (INF), acordado entre Estados Unidos e Rússia, defendendo a criação de “outros mecanismos” para não ocorrer uma corrida ao armamento.

“O risco [de corrida ao armamento] existe e aquilo que nós temos de fazer é, em primeiro lugar, fazer tudo para evitar que o tratado da não proliferação das armas nucleares seja denunciado [pelo que] estamos num esforço derradeiro para evitar isso”, declarou, em Bruxelas, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho.

Porém, “somos realistas e sabemos que vai ser extremamente difícil evitar o fim do tratado”, acrescentou o governante, falando aos jornalistas no final de uma reunião dos ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Caso o Tratado INF seja, então, denunciado pelas duas partes, os Estados Unidos e a Rússia, “é preciso começar a trabalhar para encontrar um regime que permita evitar essa corrida aos armamentos”, sublinhou João Gomes Cravinho.

“Julgo que isso é algo que não é favorável para a paz e estabilidade internacional e, portanto, devemos procurar outros mecanismos”, reforçou. Questionado sobre quais poderão ser esses mecanismos, o responsável disse que “falta exatamente saber isso”.

“Se não houver um tratado como este, é necessário criar outras circunstâncias que tragam paz, estabilidade e previsibilidade às relações no âmbito dos armamentos nucleares”, insistiu, sugerindo que as alternativas devem incluir não só os Estados Unidos e a Rússia como também “outros países e outras partes do mundo, como seja a China, para criar um mecanismo que envolva todos”.

No início deste mês, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, confirmou que os EUA vão retirar-se do tratado de armas nucleares de médio alcance e o Presidente norte-americano, Donald Trump, responsabilizou a Rússia por violar esse acordo. O Presidente russo, Vladimir Putin, respondeu imediatamente que Moscovo também suspendeu a sua participação no acordo.

No dia em que Washington anunciou formalmente a decisão de se retirar do tratado, o que terá efeitos dentro de seis meses, a NATO defendeu que os Estados Unidos – o membro com mais “peso” no seio da organização – apenas estão a responder a uma clara violação do Tratado INF por parte da Rússia.

Este tratado foi assinado em Washington entre os EUA e a União Soviética, em 1987, e entrou em vigor em 1988, estipulando a eliminação de todos os mísseis convencionais e nucleares com alcance entre 500 e 5 mil quilómetros.

O documento é considerado uma pedra angular no controlo de uma nova corrida às armas nucleares e o seu abandono constituiu uma ameaça que preocupa várias organizações internacionais.

Já esta quinta-feira, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse em Bruxelas que irá prosseguir o diálogo com a Rússia para tentar “preservar o tratado” de armas nucleares de médio alcance, mas admitiu que a Aliança começa a preparar-se “para um mundo sem o tratado INF”.

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João Carlos Espada

Como recordou Thatcher em 1996, citando Churchill em 1946, o Ocidente não é apenas uma construção da “Guerra Fria”. Assenta em valores muito mais antigos que sustentam a Aliança Atlântica.

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