O comité de Cultura, Digital, Média e Desporto do Reino Unido acusou o Facebook de ter falhado na proteção da privacidade dos utilizadores, num relatório divulgado esta segunda-feira. Damian Collins, presidente do Comité, disse no relatório que ”as grandes empresas”, como o Facebook, ”estão a falhar no dever de proteger os utilizadores de conteúdo nocivo e os seus direitos de privacidade”. Por isso, é preciso que as empresas ”adiram a um código de conduta escrito pelo Parlamento”, reforça Collins.

Em causa está o facto de o Facebook ter comprado o WhatsApp e o Instagram e estar a divulgar os dados de milhões de utilizadores das três plataformas juntas. “Não deveria ser permitido que empresas como o Facebook se comportem como ‘gangsters digitais’ no mundo da Internet”, afirma o relatório.

As promessas que não foram cumpridas e o ”desprezo” de Mark Zuckerberg

No início de 2018, o The Observer e o The New York Times revelaram que a empresa de análise de dados britânica Cambridge Analytica tinha acedido indevidamente aos dados de 87 milhões de contas de utilizadores do Facebook para ajudar a eleger Donald Trump. O caso levou Mark Zuckerberg ao Congresso norte-americano e ao Parlamento Europeu e levantou o véu sobre outros escândalos relacionados com a proteção de dados.

Através do acesso a mails internos do Facebook de 2011 a 2015, o Comité encontrou provas que indicam que a empresa estava disposta a substituir as configurações de privacidade para transferir dados para algumas aplicações, a cobrar preços altos na publicidade a algumas empresas em troca de dados e privar alguns programadores desses dados, como o Six4Tree, uma empresa de tecnologia que produziu uma maneira de procurar imagens de amigas em bikini no Facebook.

Agora, o relatório concluiu que o Facebook ”forneceu informações enganosas ao Comité em junho de 2018” sobre o referendo da União Europeia há 3 anos. O Comité pediu ao governo britânico que crie uma ”investigação sobre a influência estrangeira, desinformação, financiamento, manipulação de eleitores e partilha de dados” no referendo da independência da Escócia em 2014, no referendo da UE em 2016 e nas eleições gerais de 2017.

O cofundador do Facebook foi acusado, no relatório, de ‘‘desprezar o Parlamento por se recusar a dar provas e, em vez disso, enviar funcionários incapazes de responder às perguntas”. ”Mesmo que Mark Zuckerberg não acredite que ele seja responsável perante o Parlamento do Reino Unido, ele é para os biliões de utilizadores do Facebook em todo o mundo”, afirma Damian Collins.

Facebook já respondeu às acusações

O Facebook respondeu às acusações do Comité, afirmando que não violou as leis de proteção de dados ou da concorrência. A responsável da empresa pelas políticas públicas do Reino Unido, Karim Palant, declarou que a rede social também está preocupada com a propagação de ”notícias falsas” e, portanto, ”apoia a legislação da privacidade” e está aberta a negociações.

A empresa garante ainda que ”aumentou o tamanho da equipa que trabalha na proteção dos utilizadores para 30 mil trabalhadores e investiu em inteligência artificial e tecnologias que ajudam a prevenir este tipo de abuso”.

*Em atualização