Rádio Observador

Abusos na Igreja

Cardeal-patriarca de Lisboa encontrou-se com uma vítima de abuso sexual

"Se fomos parte do problema, agora temos de ser parte da solução", considera D. Manuel Clemente, que esta semana vai representar Portugal na cimeira de líderes católicos sobre abusos sexuais.

O cardeal-patriarca de Lisboa é atualmente o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

PAULO CUNHA/LUSA

O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que esta semana vai representar Portugal na cimeira de líderes católicos mundiais no Vaticano sobre os abusos sexuais na Igreja, encontrou-se com uma vítima antes de partir para Roma. O cardeal, que é atualmente o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, fez esta revelação esta quarta-feira numa entrevista à Agência Ecclesia“Se fomos parte do problema, agora temos de ser parte da solução”, resumiu o representante português na cimeira, para a qual leva uma “expectativa grande”.

Em dezembro do ano passado, o comité organizador desta cimeira inédita — convocada pelo Papa Francisco para debater a forma como a Igreja Católica lida com as denúncias de abusos sexuais — enviou uma carta a todos os presidentes das conferências episcopais do mundo pedindo-lhes que se encontrassem com vítimas de abusos nos seus países antes de seguirem para a reunião, que arranca esta quinta-feira.

Até agora, a única informação prestada pela Conferência Episcopal Portuguesa sobre este assunto tinha sido a de que existia uma “disponibilidade ativa” para escutar as “presumíveis vítimas” que se quisessem aproximar da estrutura da Igreja, nas palavras do porta-voz dos bispos portugueses, padre Manuel Barbosa.

Questionado sobre se tinha ou não conversado com alguma vítima em resposta ao pedido do Vaticano, D. Manuel Clemente sublinhou que face a essa disponibilidade “apareceu um caso de uma pessoa” que quis falar com ele. “Falou longamente comigo, eu ouvi e com certeza que estive com essa pessoa no seguimento do caso”, disse o cardeal-patriarca de Lisboa.

D. Manuel Clemente, que chegou esta quarta-feira a Roma para participar na reunião, que se estende até ao próximo domingo, afirmou ainda que com a decisão de convocar esta cimeira “o Papa Francisco quis alargar à Igreja mundial” a sua “preocupação e o seu empenho em ultrapassar e resolver um problema que é grave e precisa de ser resolvido”.

“Se fomos parte do problema, agora temos de ser parte da solução”, resumiu o representante português na cimeira, para a qual leva uma “expectativa grande”.

O cardeal-patriarca de Lisboa assegurou ainda que tomou a iniciativa de se aproximar das vítimas de abusos dos casos que foram conhecidos publicamente. Porém, o encontro acabou por não avançar como forma de proteger as vítimas. “Claro está que não forçamos ninguém a conversar daquilo que não quiser conversar, mas a disponibilidade era e mantém-se ativa”, explicou.

A cimeira, inédita, vai reunir em Roma, entre quinta-feira e domingo, 190 líderes católicos de todo o mundo. O Papa Francisco tem insistido na necessidade de baixar as expectativas relativamente aos resultados que poderão sair desta cimeira, que pretende ser, acima de tudo, um momento de aprendizagem para os bispos dos vários países do mundo sobre as responsabilidades da Igreja na proteção das crianças e jovens.

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