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MillenniumBCP lucrou 301 milhões em 2018 e volta a pagar dividendos aos acionistas

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O maior banco privado português fechou o exercício de 2018 com lucros de 301,1 milhões de euros, mais 61,5% do que no ano anterior. Banco volta a pagar dividendos, pela primeira vez em quase 10 anos.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

O MillenniumBCP fechou o exercício de 2018 com lucros de 301,1 milhões de euros, informou a instituição em comunicado enviado à CMVM esta quinta-feira. É uma subida de mais de 61% em relação ao ano anterior, o que permite ao banco voltar ao pagamento de dividendos aos acionistas, o que acontece pela primeira vez em quase dez anos — serão distribuídos pelos acionistas 10% dos lucros do banco, mas o BCP não revela, para já, o valor exato do dividendo por ação.

Os resultados foram apresentados em conferência de imprensa, em Lisboa, liderada pelo presidente da comissão executiva, Miguel Maya. Estes foram resultados que Miguel Maya considera que foram conseguidos num ano que foi mais difícil do que se previa, no que diz respeito aos mercados internacionais e temas como as tensões comerciais e o Brexit. Além disso, as taxas de juro “continuaram historicamente muito baixas”, o que penalizou a margem financeira do banco. Por outro lado, Miguel Maya sublinha que foi muito importante para o banco (e para toda a economia) a subida do rating da República Portuguesa, fruto da “consolidação das contas públicas”.

Miguel Maya comentou que “o dividendo é muito importante para sinalizar a normalização ao mercado” mas a ideia é continuar a avançar com “prudência”. O objetivo, para já, é aumentar o rácio de distribuição destes 10% para 40% até 2021, mas sempre privilegiando a solvabilidade do banco. Não há um compromisso de que seja uma linha reta (por exemplo, 10% em 2018, 20% em 2019, 30% em 2020 e 40% em 2021) — o rácio será decidido a cada ano.

115,5 milhões de euros de lucro na operação em Portugal

Os números revelados esta quinta-feira pelo banco incluem 115,5 milhões de euros que correspondem à contribuição da atividade em Portugal — um valor que triplicou em relação a 2017 (ano em que a atividade doméstica contribuiu com 39 milhões de euros para os lucros). Por outro lado, o resultado da atividade internacional cresceu quase 28%, para 187 milhões de euros. “O banco foi rentável em todas as suas operações”, sublinhou Miguel Maya.

O BCP reduziu, também, as exposições (créditos e outros ativos) a ativos problemáticos, sobretudo crédito malparado, sem rentabilidade para a instituição. Segundo os dados apresentados por Miguel Maya, a exposição a NPE (nonperforming exposures) em Portugal baixou de 6,75 mil milhões para menos de 4,8 mil milhões.

O banco melhorou a margem financeira em 2,3% (a diferença entre os juros que cobra nos créditos e o seu custo do financiamento, sobretudo depósitos) e cobrou mais 2,6% em comissões, “graças a um crescimento do negócio e da relação com os clientes”. Os custos subiram 7,7% devido à reposição salarial em Portugal, que custou 7,5 milhões na atividade doméstica.

Miguel Maya referiu, também, na área do crédito que existem notícias de aumento do crédito ao consumo mas, no que diz respeito ao BCP, “45% do crescimento do crédito foi crédito às empresas, com apenas 13% contribuídos pelo crédito ao consumo e outros fins” (o restante, 42% do crescimento, foi habitação). O crescimento do crédito (performante) foi de 3,7% em Portugal, mais 1,1 milhões de euros, com Miguel Maya a garantir que a prioridade do banco é continuar a reestruturação da carteira de crédito, eliminando o “legado” que o banco continua a ter, em créditos em incumprimento.

Antes de Miguel Maya, porém, o presidente do conselho de administração, Nuno Amado, quis sublinhar que a reestruturação do banco, nos últimos anos, envolveu empréstimos estatais pelos quais o BCP pagou cerca de mil milhões de euros em juros e garantias, ou seja, “o BCP não custou nada ao Estado”.

Norberto Rosa era “pessoa adequada às funções” mas “a vida avança”

Na resposta às perguntas dos jornalistas, e tendo em conta que um dos administradores do BCP está sob avaliação de idoneidade, João Nuno Palma (por ter integrado a comissão executiva já no mandato de José de Matos), Miguel Maya garantiu que não tem “qualquer nível de preocupação”. “Quando as coisas vieram a público li tudo o que tinha de ler e tive uma conversa com o dr. João Nuno Palma”, revelou o presidente do banco, salientando que “não podemos tratar de tudo por igual, debaixo deste ruído, deixando-nos contaminar. Conto com o dr. João Nuno Palma para os desafios que se avizinham”.

Contudo, questionado pelo Observador sobre o caso de um outro ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, Norberto Rosa, Miguel Maya passou a palavra a Nuno Amado, presidente do conselho de administração. Norberto Rosa esteve na Caixa num período em que, segundo a auditoria da EY, foram concedidos mais créditos que vieram a ser ruinosos para o banco e esteve para ir para uma comissão de auditoria do conselho de administração do BCP, mas o banqueiro nunca obteve uma avaliação positiva da sua idoneidade por parte do Banco de Portugal/BCE.

Nuno Amado sublinha que o gestor “nunca teve uma avaliação negativa da sua idoneidade” mas, sim, “houve uma renúncia por parte do dr. Norberto Rosa. Estes são os factos”. O presidente do conselho de administração, Nuno Amado, acrescentou, no entanto, que Norberto Rosa é “uma pessoa muito competente, muito adequada às funções, mas a vida avança” e conclui garantindo que “existe uma comissão de auditoria a funcionar convenientemente”, o órgão para o qual Norberto Rosa seria nomeado.

Miguel Maya, por seu turno, aproveitou para comentar os mais de 1.000 milhões de euros que se antecipa que o Novo Banco possa necessitar este ano de injeção por parte do Fundo de Resolução (um organismo público que vive de contribuições dos bancos e de empréstimos estatais). “Obviamente que vemos [essas notícias] com alguma apreensão, mas não posso dizer que de alguma forma seja uma surpresa porque o modelo de incentivos é propenso a que haja a tentação de tirar o máximo possível do fundo de resolução”, afirmou Miguel Maya, acrescentando que “não é em público que devemos falar sobre estes temas, não ficamos indiferentes ao que se está a passar”.

Sobre a insolvência do grupo Controlinveste, de Joaquim Oliveira, em que o BCP tem exposição de cerca de 400 milhões de euros, Miguel Maya garante que, não falando sobre casos específicos, “o BCP tem o nível de imparidades adequado para todas as suas exposições” a cada momento. “Não digo mais, mas com isto já digo tudo”, rematou Miguel Maya.

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