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Coimbra

Dois homens tentam atirar ovos contra Jean Wyllys em Coimbra

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Em resposta aos ataques, o ativista brasileiro dirigiu-se aos homens, salientando que as pessoas que lhe tentaram atirar ovos "são compostas por esse ódio que não permite a diversidade".

Os dois homens acabaram por ser expulsos do auditório e Jean Wyllys pediu palmas para os seguranças

PAULO NOVAIS/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Dois homens tentaram atirar ovos contra o político e ativista brasileiro Jean Wyllys, durante a conferência em que participava esta terça-feira à tarde na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).

Um dos homens que estava sentado no topo do auditório da FEUC saiu do lugar, desceu alguns degraus e tentou atirar ovos contra Jean Wyllys, que já estava a falar.

Depois de atirar um primeiro povo, que não atingiu o político brasileiro, os seguranças conseguiram segurar e remover o homem do auditório, que tinha uma caixa de meia dúzia de ovos. De seguida, outro homem levantou-se, ainda tentou atirar um ovo, mas foi logo imobilizado pela segurança do evento.

Enquanto eram retirados, as pessoas gritavam “tira, tira”, para os dois homens saírem. “Não peçam para tirar. Nunca tive medo dos covardes”, frisou Jean Wyllys, que pediu palmas para o segurança que o protegeu no ataque.

“Qualquer fascista covarde, que se queira manifestar, em vez de atirar ovos ou tiros, por favor, vamos aos argumentos. Levantem-se, manifestem-se, falemos“, frisou o ativista brasileiro, salientando que as pessoas que lhe tentaram atirar ovos “são compostas por esse ódio que não permite a diversidade”.

O deputado federal do Rio de Janeiro Jean Wyllys anunciou, a 24 de janeiro, que ia desistir do novo mandato e deixar o Brasil depois de receber ameaças de morte, situação que se arrasta desde o homicídio da vereadora Marielle Franco.

Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que o façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração”, escreveu então Jean Wyllys, deputado do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), na rede social Twitter.

Segundo a imprensa brasileira, desde o homicídio da vereadora do PSOL Marielle Franco, em março do ano passado, que Wyllys tem vivido sob escolta policial, tendo recebido com frequência ameaças de morte. Marielle Franco, vereadora e defensora dos direitos humanos, foi assassinada na noite de 14 de março de 2018, quando viajava de carro pelo centro do Rio de Janeiro, depois de participar num ato político com mulheres negras.

Wyllys tornou-se, de acordo com a imprensa brasileira, no primeiro deputado parlamentar assumidamente gay a apoiar assuntos relacionados com a comunidade LGBT (sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros) no Congresso Nacional brasileiro.

A assessoria de Jean Wyllys afirmou à plataforma de notícias G1 que há uma campanha “muito pesada” contra o deputado, que dissemina conteúdo falso sobre ele na Internet, associando-o a casos de pedofilia, ao casamento de adultos com crianças e à mudança de sexo em casos infantis.

A 8 de fevereiro, a Assembleia da República aprovou um voto de condenação às “ameaças à integridade física de titulares de cargos políticos e ativistas dos diretos humanos no Brasil”, numa votação que motivou sentidos de voto diferentes dentro das bancadas.

O voto, apresentado por André Silva, deputado único do PAN, e pelo deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira, foi aprovado com os votos favoráveis dos proponentes, do PS, do BE, do PCP, do PEV e dos deputados centristas Ana Rita Bessa, Assunção Cristas e João Almeida.

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