O Conselho Australiano da Imprensa defendeu o cartoon do jornal Herald Sun sobre a discussão da tenista Serena Williams com o árbitro português Carlos Ramos na final do US Open de setembro de 2018. O desenho de Mark Knight foi acusado de refletir estereótipos racistas tanto no retrato da afro-americana Serena Williams como da sua adversária japonesa, Naomi Osaka, que venceu o torneio pela primeira vez na carreira, aos 21 anos.

O regulador australiano da comunicação social respondeu às queixas meses depois garantindo que o cartoon não quebrava nem os princípios legais nem os morais da imprensa australiana, limitando-se a “utilizar a sátira, a caricatura, o exagero e o humor”.

Nos EUA, a Associação Nacional de Jornalistas Negros considerou o desenho “repugnante”

“Não só transpira racismo, como sexismo para com as duas mulheres, e uma excessiva influência do desenho histórico dos negros na caricatura de Serena Williams”, afirmou na altura a Associação Nacional de Jornalistas Negros, baseada nos Estados Unidos da América.

O grupo considerou o trabalho “repugnante”, particularmente por Serena Williams ser retratada com lábios e nariz exagerados (de forma similar aos retratos dos escravos negros durante a era colonial) e uma corte de cabelo afro que a tenista não utiliza. Os críticos apontaram ainda as imprecisões no retrato da adversária, Naomi Osaka. A japonesa tem descendência haitiana, sendo morena e de pele escura, enquanto que no cartoon do Herald Sun é desenhada como branca e loira.

Naomi Osaka (à direita) após a vitória contra Serena Williams (à esquerda) na final do US Open 2018

O regulador australiano reconheceu as críticas, sublinhando ainda que a posição de Serena Williams no desenho podia ser comparada “à de um gorila”, admitindo a necessidade de olhar o desenho “à luz do contexto histórico das caricaturas racistas do afro-americanos”. Ainda assim o Conselho Australiano da Imprensa defende que a publicação do cartoonnão implica racismo da parte do jornal ou do artista.

Serena Williams discutiu com árbitro português por considerar decisões sexistas

A tenista americana foi multada em 15 mil euros por queixas excessivas na final. O árbitro português Carlos Ramos penalizou Serena Williams por duas vezes (por receber dicas do treinador e por partir a raquete em frustração). Serena Williams respondeu acusando Carlos Costa de ser “um ladrão”. O árbitro penalizou-a por abuso verbal. A tenista disse que nunca tinha quebrado as regras e que não precisava de fazer batota para ganhar.

Após perder o jogo, Serena Williams disse que nunca um homem seria penalizado por chamar ladrão a um árbitro, considerando a decisão do árbitro “sexista”. A tenista comprometeu-se a “lutar pelos direitos das mulheres no ténis”. A Federação Internacional de Ténis defendeu Carlos Ramos, que caracterizou como “um dos mais experientes e respeitados árbitros do ténis”. A Federação sublinhou ainda que todas as decisões do português tinham sido corretas.