O CDS não quer ser associado ao partido conservador do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, que está a mergulhar numa “deriva” conservadora e, por isso, enviou uma carta ao Partido Popular Europeu (PPE) a pedir — no limite — que suspenda ou expulse o FIDESZ daquela que é a maior família política europeia. A ideia, explicou o eurodeputado centrista Nuno Melo ao Observador, é confrontar aquele partido húngaro com os valores do PPE e obrigá-lo e comprometer-se com eles, sob pena de ser expulso da direita europeia, mas é também desafiar o PS de António Costa a fazer o mesmo com os casos do partido socialista romeno e de Malta. “O que se passa na Roménia e em Malta é bem pior do que acontece na Hungria”, diz.

Na carta, endereçada ao francês Joseph Daul, presidente do PPE, e assinada por Assunção Cristas e Nuno Melo, os centristas invocam o artigo 9 dos estatutos do PPE, relativo à suspensão ou exclusão de partidos, para apelar à suspensão/expulsão do FIDESZ (partido nacional-conservador populista de direita húngaro). O objetivo, explicou Nuno Melo ao Observador, não é tanto a expulsão do partido, mas que se inicie uma discussão nesse sentido. “A nossa motivação não é de expulsar ou suspender o FIDESZ, é que seja confrontado com os valores do PPE e que assuma de forma clara o seu compromisso com eles”, diz, sublinhando que se não o fizer, então a consequência deverá ser a expulsão.

“O CDS respeita as diferenças de opinião dos partidos e a soberania de cada país, mas as ações e declarações deste partido húngaro, contra o próprio PPE, e as atitudes do seu governo colocam em causa o próprio sentido de unidade e pertença a um projeto europeu democrata-cristão, baseado nos Direitos Humanos, na democracia pluralista e liberal e no Estado de Direito”, acrescenta ainda o CDS num comunicado, remetendo para declarações do partido de Viktor Orban contra membros do PPE como Jean-Claude Juncker.

Para o eurodeputado Nuno Melo, “queremos avaliar os factos e ouvir democraticamente todos os membros. Queremos ouvir especialmente o próprio partido FIDESZ e aferir o compromisso deste partido e do seu presidente, Viktor Orban, aos princípios e valores da nossa família política europeia”, acrescenta.

Mas o CDS quer mais. Dando o primeiro passo no sentido de confrontar ativos tóxicos dentro da sua família europeia, quer desafiar o PS de António Costa (e o candidato às europeias Pedro Marques) a fazer o mesmo com os partidos socialistas da Roménia e de Malta que, no seu entender, “não respeitam os valores ou não protegem o Estado de Direito na Europa”.

“Em causa está o Partido Socialista Romeno (PSD) e a tentativa de aprovação de leis de amnistia que permitiriam evitar a condenação de políticos como o socialista Liviu Dragnea, líder do partido e membro da internacional socialista, impedido de exercer funções de chefe do governo em razão de condenação por fraude eleitoral, também acusado de ter participado no desvio de 21 milhões de euros ligados a fundos comunitários, ou o governo socialista de Malta, envolvido em casos de corrupção, cuja investigação, alegadamente, terá motivado o assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia”, explicam os centristas.

Para Nuno Melo, o que se está a passar na Roménia e em Malta, por via dos seus partidos socialistas envolvidos em casos de corrupção, é “bem pior” do que o que se está a passar na Hungria do conservador Viktor Orban. “Se [o PS] não o fizer, não tem legitimidade para argumentar contra nós com o caso da Hungria”, diz.