Milhares de transferências ilegais podem ter passado pelo sistema bancário digital da Revolut durante três meses, entre julho e setembro de 2018, escreve esta quinta-feira o The Telegraph. O jornal britânico teve acesso a documentos que mostram que, durante esse tempo, a startup inglesa desligou um sistema automático que foi projetado para impedir transferências de dinheiro duvidosas, bem como a criação de contas bancárias com esse intuito. A própria empresa admitiu que o sistema esteve mesmo desligado, tendo mesmo aberto uma investigação interna no final de 2018, depois de uma denúncia sobre o sistema de triagem.

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Para além do inquérito interno, a Revolut chegou a enviar uma carta à FCA — Financial Conduct Authority, a autoridade de conduta financeira britânica — em setembro de 2018. Através do responsável jurídico da Revolut, Tom Hambrett, a empresa escreveu que a investigação interna “concluiu que a decisão de desativar o mecanismo de interrupção de transação estava errada” e que “implicava falhas em alguns sistemas e controlos”.

E o que é este sistema? Basicamente, trata-se de um sistema de verificação automática dos registos dos clientes tendo em conta uma lista oficial que indicava potenciais transações de alto risco e clientes que estão sinalizados como “pessoas politicamente expostas”.

Uma justificação dada pela Revolut à FCA para a desativação do sistema foi o facto de terem sido interrompidas erradamente cerca de 8.000 transações legítimas, bloqueando injustamente as transferências. A empresa alterou então o sistema, mudando para outro semelhante, mas com uma diferença: não bloqueava as transações, apenas as sinalizava, autorizando-as depois a prosseguir.

Desde então, o banco reativou o sistema de triagem de transações, introduzindo, a 16 de setembro, um novo modelo de verificação desde o incidente, disse a empresa à FCA.

A Revolut tem-se assumido como uma das startups de banca digital com maior crescimento nos últimos anos. Desde a sua criação, em 2015, já angariou 4 milhões de clientes. Portugal já é o oitavo principal mercado da empresa. A cada dia, entre 300 e 400 pessoas aderem ao Revolut em Portugal, levando a fintech que quer revolucionar a banca atingir os 100 mil utilizadores em janeiro.