A Revolut, uma das fintech em maior crescimento a nível global, vai abrir um centro de apoio ao cliente — um call center — no Porto, na zona de Matosinhos, na próxima primavera. E já está à procura de “jovens especialistas” e “profissionais experientes” para preencher 70 vagas iniciais, com planos de fazer crescer a equipa mais à frente. Será o segundo maior call center da Revolut em todo o mundo, depois da Cracóvia (Polónia), e a opção da empresa por Portugal deveu-se ao facto de o país ter um “equilíbrio perfeito entre o custo e a qualidade das operações”.

fintech que foi fundada há quatro anos e se define como a Amazon dos bancos, por querer revolucionar o sistema financeiro da mesma forma que a Amazon revolucionou o retalho, atingiu já quatro milhões de utilizadores em todo o mundo, apenas três meses depois de chegar aos três milhões. Em Portugal, apenas um mês depois de chegar aos 100 mil utilizadores, já existem 120 mil pessoas a usar a aplicação que começou por ganhar popularidade entre as pessoas que viajam muito, já que é possível converter moedas sem custos e fazer levantamentos em caixas automáticas no estrangeiro, também sem custos (até um limite).

Inna Grynova, responsável pela área de apoio ao cliente da Revolut, revela que a empresa “fez uma análise profunda de quase todos os países na Europa, para assegurar que a nossa decisão serve da melhor forma as necessidades dos nossos utilizadores. E fosse qual fosse o parâmetro em que estivéssemos a comparar Portugal, o país estava sempre entre os melhores”. A responsável diz que Portugal — e em particular o Porto — dão à empresa “muitas possibilidades para contratar profissionais que falem várias línguas, capazes de ajudar os nossos clientes em várias línguas”.

Os interessados em concorrer podem usar esta ligação.

Foi em setembro que a empresa fez a primeira visita a Portugal, no âmbito deste processo, e “o país recebe muito bem quem vem de fora, está cheio de talento e jovens profissionais que querem mudar o mundo financeiro para melhor”. A Revolut deixou, no comunicado, uma palavra para a AICEP, que “fez um ótimo trabalho em mostrar-nos por que o país seria a melhor escolha para nós”.

Cerca de 600 pessoas por dia instalam a app da Revolut, em Portugal, o que já tornou o país o sétimo maior mercado europeu para a empresa. Essa importância crescente do mercado português, bem como de outros países de língua portuguesa, como o Brasil, fez que que a fintech vá passar a disponibilizar em português a app de smartphone (que é o principal meio de interação entre o utilizador e a sua conta bancária na Revolut). E, em breve, essa conta bancária irá passar a ser uma conta bancária como qualquer outra, já que a Revolut obteve recentemente uma licença bancária que lhe permite, por exemplo, receber depósitos e conceder crédito.

Até agora, os fundos que os clientes carregam para a sua “conta” no Revolut são depositados numa conta bancária de um grande banco britânico, porque a Revolut não tinha uma licença bancária que lhe permitisse, por exemplo, recolher depósitos de clientes. No fundo, até ao momento, o cartão tem funcionado como um pré-pago, que os clientes carregam através de transferência bancária, por pagamento via cartão de débito ou de crédito ou usando Apple Pay ou Google Pay, por exemplo. Mas a empresa já recebeu autorização para passar a ter uma plataforma bancária própria.

A Revolut é muito usada, sobretudo, por quem viaja muito, já que a aplicação funciona com pré-carregamento (top up) e permite, depois, a conversão instantânea e gratuita de uma moeda para outra, entre 24 moedas mundiais, com a taxa real daquele momento, sem “acréscimos” ou comissões. Com o cartão Revolut é, também, possível levantar até 200 euros por mês nos caixas automáticos (ATM) dos vários países, sem custos.

A ambição da fintech é, cada vez mais, converter “os clientes leais que usam o Revolut para as viagens” em clientes que “usam o cartão para as suas despesas diárias”. Todavia, em Portugal, o cartão só é aceite em caixas automáticos e terminais de pagamento que tenham disponível a rede Mastercard ou Visa. Isto quer dizer que os titulares do cartão Revolut não conseguem usá-lo num comerciante nacional que aceite apenas cartões da rede Multibanco. Um pagamento pela rede Multibanco pode custar menos de metade aos comerciantes nacionais do que um pagamento pela rede Mastercard ou Visa.

“Até ao final deste ano, os clientes portugueses vão começar a poder depositar [na Revolut] os seus salários”, garantiu no mês passado a Revolut.

Como em qualquer outra conta bancária na Europa, os depósitos na Revolut vão estar protegidos pelos sistemas de garantia de depósitos até 100 mil euros (por conta, por titular). A empresa sugere que as pessoas podem passar a receber os ordenados na sua conta Revolut, prescindindo de ter conta nos bancos tradicionais. Além de fazer depósitos, a conta passa a poder ter contas a descoberto, empréstimos pessoais e empresariais em poucos minutos e “a taxas muito competitivas em relação aos bancos tradicionais”.

Embora queiram ser a solução para a maioria das pessoas, a Revolut tem penetrado essencialmente na geração dos 18 aos 23 anos, “que nunca interagiram com um banco e que querem uma experiência superfácil, como no WhatsApp e no Instagram”, explicou em entrevista ao Observador, em março, o diretor-geral da companhia para a Península Ibérica. A app também é muito utilizada pelos viajantes, que movimentam dinheiro em diversas divisas, e consumidores com estilos de vida internacionais.

A empresa garante que a Revolut não aplica qualquer margem na conversão cambial, ao contrário do que faz a maioria dos bancos. “A maioria do dinheiro que ganhamos é na subscrição Premium e na taxa de serviço aos comerciantes”, que é partilhada com a Visa e a Mastercard. Além disso, a empresa também obteve uma receita substancial com a negociação de criptodivisas.

A Revolut também fatura com as comissões cobradas quando os levantamentos excedem o máximo gratuito e com outros itens como uma fração das vendas de seguros de saúde internacionais que são oferecidos na conta Premium.