Na conferência de imprensa de antevisão do clássico, onde o Benfica acabou por vencer o FC Porto e subiu à liderança da Primeira Liga, Sérgio Conceição foi desafiado a adivinhar qual seria o onze inicial que Bruno Lage colocaria em campo. O treinador dos dragões apostou em Rafa e Pizzi nas alas e acertou: não só nos dois internacionais portugueses como nos restantes nove. Rafa, que até poderia ter ido parar ao Dragão no pós-Euro 2016 e ao longo de uma novela que se arrastou durante o final do verão desse ano, marcou o golo da vitória ainda dentro dos dez minutos iniciais do segundo tempo e carimbou a reviravolta encarnada no Porto, depois de Adrián ter inaugurado o marcador e João Félix ter empatado ainda na primeira parte.

A equipa com amor ao clube caiu aos pés do miúdo que ama o futebol (a crónica do FC Porto-Benfica)

A par de João Félix, Rafa igualou um feito que não acontecia desde 1976: há 43 anos que dois portugueses não marcavam pelo Benfica em casa do FC Porto (nessa altura, Vítor Martins e Jordão foram os marcadores). Com o golo deste sábado – um remate rasteiro e certeiro que apanhou Casillas de surpresa –, Rafa leva já a temporada mais goleadora da carreira, com 13 golos, já que o melhor registo até aqui tinha sido em 2015/16, pelo Sp. Braga (ano em que atraiu a atenção dos “grandes” portugueses, no seguimento também da participação no Campeonato da Europa de seleções).

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Na flash interview, o médio português – que concretizou o único remate enquadrado que fez durante o jogo – explicou que “a vontade de vencer todos os jogos” não desapareceu com a vitória no Dragão. “Passámos agora para a frente mas uma coisa que não muda é a nossa vontade de vencer todos os jogos, daqui até ao fim, para conseguirmos o nosso objetivo. A equipa dá-nos segurança, sabemos bem o que temos de fazer e isso dá-nos tranquilidade no dia a dia e nos jogos. Sabemos bem como é o nosso trabalho e tudo pode mudar no futebol. Trabalhámos para virar os resultados maus e foi isso que conseguimos. Vamos continuar a trabalhar para o objetivo principal, que é vencer o Campeonato”, acrescentou Rafa.

“Somos candidatos desde o início mas para isso temos de trabalhar diariamente em todos os jogos, nada cai do céu e vamos trabalhar até ao fim. Saio com a mesma sensação de todos os jogos que ganhamos: que conseguimos fazer o que queríamos, conseguimos a nossa vitória e essa é a sensação mais importante”, explicou o extremo, que em nove tentativas de drible concretizou seis. Rafa foi o elemento “mais” do Benfica na segunda parte – a par de Gabriel, que acabou por borrar a pintura ao ser expulso – e provocou os desequilíbrios necessários para os encarnados chegarem à vantagem pela primeira vez, e de forma definitiva, no jogo.