Estados Unidos da América

Trump “muito desiludido” com Kim se se confirmarem obras em complexo nuclear

Se se confirmar que Kim Jong-un está efetivamente a reforçar construções na base nuclear que desmantelou em 2018 como parte do processo de desarmamento, Trump diz ficar "muito desiludido".

"Ficarei muito desiludido se isso estiver a acontecer", disse Trump à imprensa na Casa Branca, depois do anúncio avançado por analistas do exército dos EUA e pelos serviços secretos da Coreia do Sul

MICHAEL REYNOLDS/EPA

O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou esta quarta-feira que ficará “muito desiludido” se se confirmar que a Coreia do Norte está a reconstruir instalações do complexo nuclear que desmantelou no ano passado como parte do processo de desarmamento.

“Ficarei muito desiludido se isso estiver a acontecer”, disse Trump à imprensa na Casa Branca, acrescentando que ficará “muito, muito desiludido com o Presidente Kim”.

Especialistas estrangeiros e um deputado sul-coreano informado pelos serviços secretos de Seul revelaram esta quarta-feira que Pyongyang está a reconstruir um complexo de lançamento de mísseis de longo alcance que destruiu em 2018 no âmbito do processo de desarmamento.

Sublinhando que se trata de “um relatório muito preliminar”, o chefe de Estado norte-americano observou ainda: “Veremos o que acontece. Vamos dar uma vista de olhos. Acabará por resolver-se”.

A descoberta desta reconstrução em curso surge depois de uma cimeira sobre o programa nuclear de Pyongyang realizada na semana passada entre Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, que terminou sem qualquer acordo.

O Serviço Nacional de Informações (SNI) da Coreia do Sul apresentou na terça-feira a sua avaliação sobre o local de lançamento norte-coreano Tongchang-ri a deputados sul-coreanos durante uma reunião privada. Pyongyang não reagiu, até agora, nos órgãos de comunicação estatais.

Um artigo do 38 North, um portal da Internet especializado em estudos norte-coreanos, indicou a existência de imagens de satélite comerciais mostrando que as obras de reconstrução de algumas estruturas do complexo nuclear começaram entre 16 de fevereiro e 2 de março.

Desmantelar partes do seu complexo de lançamento de mísseis de longo alcance foi um de vários passos que Pyongyang levou a cabo no ano passado, quando iniciou negociações nucleares com os Estados Unidos e a Coreia do Sul.

A Coreia do Norte realizou lançamentos de satélites naquele local nos últimos anos, o que teve como consequência a imposição de sanções por Washington, devido à opinião de especialistas segundo a qual se tratou de testes dissimulados de tecnologia míssil proibida. Não é ainda imediatamente claro como esta descoberta afetará a diplomacia nuclear.

A cimeira Trump-Kim não foi bem-sucedida por causa de divergências relativamente ao nível de alívio nas sanções que a Coreia do Norte poderia obter em troca pelo encerramento do seu principal complexo nuclear. Washington e Pyongyang acusaram-se mutuamente de causar o fracasso da cimeira, mas ambas as partes deixaram a porta aberta para futuras negociações.

Segundo Trump, Kim disse-lhe que a Coreia do Norte manteria suspensos os testes nucleares e de mísseis enquanto decorressem as negociações, e a Coreia do Sul e os Estados Unidos anunciaram no domingo que vão cancelar manobras militares de primavera em grande escala e substituí-las por exercícios mais pequenos, num esforço para apoiar as conversações.

Um dos deputados sul-coreanos que assistiram à reunião com o SNI disse esta quarta-feira, a coberto do anonimato, que o diretor daquela agência de serviços secretos, Suh Hoon, indicou que as estruturas que estão a ser reconstruídas no complexo de lançamento incluem telhados e portas de edifícios.

De acordo com a mesma fonte, Suh disse que tal medida pode representar preparação para recomeçar a lançar mísseis de longo alcance, caso a diplomacia nuclear falhe completamente, ou pode ser uma tentativa de adicionar estruturas que possam ser dramaticamente destruídas para exibir empenho na desnuclearização quando inspetores norte-americanos visitarem o local, se as negociações com Washington correrem bem.

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