Quase 9 mil milhões de dólares, o que equivale a cerca de 8 mil milhões de euros. É este o valor que a Forbes estima que Mark Zuckerberg, presidente executivo e fundador do Facebook, tenha perdido desde março de 2018. Porquê? Grande parte da fortuna do homem de 34 anos está associada à percentagem que detém da sua empresa, que caiu bastante em 2018 devido ao caso Cambridge Analytica e a outras polémicas de proteção de dados pessoais.

Segundo os números revelados pela Forbes esta semana, Zuckerberg passou de uma fortuna estimada de 71 mil milhões de dólares em março de 2018, para 62,3 mil milhões em 2019. Esta descida fez com que passasse de ser a quinta pessoa mais rica do mundo, para a oitava.

Mark Zuckerberg detém, atualmente, cerca de 17% das ações do Facebook, depois de, em 2012, a empresa ter entrado em bolsa. Este valor permite que o executivo mantenha o poder maioritário da rede social mais utilizada no mundo.

Tendo começado este projeto em 2004, quando tinha 19 anos, quatro anos depois tornou-se o mais jovem bilionário “self-made” [por conta própria] de sempre. Este título, que tinha desde 2008, foi-lhe este ano retirado por Kylie Jenner, que este ano tornou-se a bilionária mais nova, aos 21 anos.

A queda do valor de Zuckerberg deve-se principalmente ao escândalo Cambridge Analytica, divulgado em março de 2018. A empresa de análise de dados utilizou indevidamente a informação de 87 milhões de utilizadores, recolhida de forma ilícita, para influenciar eleições.

Ao longo de 2018, a rede social esteve envolvida noutros problemas pela forma pouco segura como tem lidado com os dados pessoais que os utilizadores inserem na plataforma (como aconteceu, por exemplo, depois de revelado em setembro o ataque informático que afetou informação de 29 milhões de utilizadores). Zuckerberg foi ao Congresso dos Estados Unidos para sessões nas duas câmaras e esteve também no Parlamento Europeu a ser ouvido pelos líderes partidários. Recentemente, foi o Facebook que revelou como um erro informático permitiu que empresas e programadores com que trabalha tivessem acesso às fotografias privadas dos utilizadores, mesmo as que o utilizador inseriu na rede social mas nunca chegou a publicar.

Estas medidas fizeram com que Zuckerberg prometesse no início de 2019 que ia ter mais atenção ao problema das notícias falsas, da rede social e que ia organizar uma série de discussões públicas sobre o futuro da tecnologia na sociedade. Esta quarta-feira, Zuckerberg revelou que quer fazer grandes mudanças no Facebook para tornar a informação mais privada, numa altura em que é sabido que é vontade da empresa juntar num só os vários serviços que disponibiliza.