O Real Madrid sofreu a derrota mais pesada de sempre em termos europeus na passada terça-feira frente ao Ajax, naquele que foi um fim de ciclo após três conquistas europeias consecutivas que terminou com contornos de humilhação. Logo nessa noite, as ondas de choque que ainda hoje agitam o Santiago Bernabéu fizeram-se sentir e, curiosamente, os dois principais alvos até foram aqueles que não estiveram em campo: Sergio Ramos, capitão que cumpria castigo, e Florentino Pérez, presidente. Cada uma pelos seus motivos, cada um dentro do seu contexto. E a dupla acabou por ser protagonista de um dos momentos mais acalorados nos bastidores da derrocada dos merengues, tendo uma discussão dura no balneário após o apito final.

Puxando um pouco o filme atrás, o central falhou a receção aos holandeses por ter forçado um cartão amarelo em Amesterdão, considerando que a eliminatória com 2-1 fora estava ultrapassada, mas deixou os adeptos ainda mais descontentes quando foram começando a sair as notícias de que, durante o encontro, aproveitou o momento e o seu camarote para gravar mais algumas cenas para o documentário que está a fazer para a Amazon (apesar de ter descido ao balneário no intervalo).

Já Florentino Pérez, acusado pela afición de ser um dos grandes responsáveis por uma época perdida no início de março (fora da Taça do Rei, eliminado da Champions, derrotado na Supertaça e a 12 pontos do Barcelona na Liga, sobrando apenas a vitória no Mundial de Clubes), viu vários adeptos – ou os que se conseguiram manter no Santiago Bernabéu até ao fim, que não foram propriamente muitos como se percebeu pelas clareiras que se foram abrindo nas bancadas – mostrarem lenços brancos para a tribuna nos últimos minutos e, cá fora, pedirem a sua demissão da liderança do clube.

Esta quinta-feira, o As revela detalhes da forte discussão que ambos mantiveram no balneário após o final do encontro: o número 1 do clube esperou que todos os jogadores dos merengues chegassem para começar por recriminar o comportamento da equipa durante o jogo, num tom que foi aumentando com o passar dos minutos onde já falou noutros aspetos como falta de dedicação e excesso de dias livres do plantel. Nessa altura, terá mesmo utilizado a palavra “vergonha”.

Foi nesse momento que Sergio Ramos, capitão de equipa se chegou à frente, apontando o dedo à direção do clube pela época para esquecer do Real Madrid por causa da má planificação que foi feita pelos responsáveis e chegando mesmo a deixar uma ameaça: “Pagas-me e vou-me embora”. Tudo perante o olhar atónito de todos os jogadores, entre pesos pesados do balneário (Marcelo, Benzema ou Modric) e elementos mais novos que estão agora a aparecer (como Reguilón).

Depois desse momento, e como já se sabia, Florentino Pérez reuniu o seu gabinete de crise de emergência para abordar o atual momento do futebol do clube, numa reunião que durou até às 2h da manhã. Nesse encontro, num local reservado do Santiago Bernabéu, o presidente do Real Madrid colocou em cima da mesa a saída de Santiago Solari no imediato (algo que acabou por não acontecer, pelo menos logo nesse dia) e voltou a abordar o nome de José Mourinho – treinador que, segundo o As, não tem qualquer relação com o central. Por não ser uma opção unânime, não foi tomada qualquer decisão.