O Pavilhão Carlos Lopes teve o seu aquecimento habitual, na 52ª edição da ModaLisboa. Ao cair da tarde desta sexta-feira, o concurso Sangue Novo abriu espaço para que seis jovens designers apresentassem as suas coleções para o próximo outono-inverno. Carolina Raquel, que participou pela segunda vez consecutiva, arrecadou o prémio ModaLisboa para Melhor Designer Nacional, com uma bolsa de 5.000 euros e um mestrado na Polimoda, em Florença.

Para a passerelle, a designer que já trabalhou com Alexandra Moura, Christopher Kane, Roksanda e Simone Rocha (licenciou-se no London College of Fashion, em Londres) trouxe a coleção “Uma Forma Complexa”. A criadora partiu da escultura para construir uma coleção. “É estranho olhar para este resultado como uma coleção. Para mim, é um projeto. Toda ela é baseada no processo de esculpir — começa com um bloco que vai sendo fragmentado até à última silhueta, um vestido em organza branca leve. Depois, todos os detalhes são inspirados nos utensílios usados para esculpir e no processo em si — as aplicações em resina, os botões em pedra”, explica a criadora.

Carolina Raquel, com o júri de mais uma edição do Sangue Novo © JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quanto ao prémio monetário, Carolina pensa em utilizá-lo para fazer a próxima coleção. “Não pretendo criar uma marca, para já. Não me consigo considerar uma designer, acho que tenho ainda muito para aprender”, conclui. A par do mestrado em Itália, a designer quer continuar a investir em colaborações com outras casas. O sonho era mudar-se para o Japão e trabalhar na Comme des Garçons. Ter a própria marca é um plano para reavaliar daqui a dois anos.

Mas houve outros vencedores. Federico Protto, designer radicado em Budapeste, foi distinguido com o prémio ModaLisboa para Melhor Designer Internacional, o que lhe dá acesso direito à próxima edição da Wokstation da ModaLisboa. As silhuetas exuberantes, os grafismos, a aglomeração de padrões e as sobreposições marcaram o desfile de Sangue Novo também enquanto plataforma de experimentação de formas, técnicas e materiais.

A coleção de Federico Protto © JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O britânico Archie Dickens, também ele um repetente do Sangue Novo, ganhou o prémio atribuído pela concept store portuguesa Feeting Room. A distinção de intuito mais comercial garante ao criador ver a sua coleção — “Fluxo 19” — ser vendida nas duas lojas, em Lisboa e no Porto. Na passerelle, Dickens usou e abusou das malhas. Apresentou coordenados assimétricos, submetidos a dualidade do azul e do cinzento, num trabalho que dá continuidade à coleção da estação anterior.

Para além dos três criadores premiados, outros seis marcaram presença em mais uma edição do concurso da ModaLisboa, dedicada a jovens designers. Opiar, marca do português Artur Dias, Rita Carvalho e o duo The Co.Re, formado por Rachel Regent e Inês Coelho.

O dia começou com os novatos, mas acaba com veteranos. Duarte e Carolina Machado, da plataforma LAB, desfilam no Parvilhão Carlos Lopes. Valentim Quaresma e Ricardo Preto fecham a agenda do primeiro dia.

Na fotogaleria, veja as imagens do desfile conjunto do concurso Sangue Novo.