As atrizes Lori Loughlin e Felicity Huffman estão entre os cerca de 50 suspeitos de fazer parte de um esquema de corrupção universitária, o qual permitia que os filhos de norte-americanos abastados entrassem em universidades de elite, incluindo Yale, Georgetown e Stanford, a troco de subornos milionários. Tanto Loughlin como Huffman foram formalmente acusadas dos crimes de fraude e conspiração.

As duas atrizes que ficaram conhecidas por séries de televisão como “Full House” e “Donas de Casa Desesperadas”, respetivamente, foram formalmente acusadas de estarem envolvidas num esquema que incluía subornos até 6 milhões de euros. A investigação de nome “Operação Varsity Blues” demorou um ano a estar concluída, contou com a participação de duas dezenas de agentes do FBI e os seus detalhes só foram conhecidos esta terça-feira, na sequência de uma conferência de imprensa.

Entre os suspeitos já acusados estão 33 pais, incluindo Huffman e Loughlin, bem como 13 treinadores desportivos universitários e associados de William Singer, fundador de uma consultora de admissões universitárias, Edge College & Career Network, e considerado o responsável pelo esquema. Entretanto, Singer declarou-se culpado. Huffman, acrescenta o The Guardian, foi detida esta quarta-feira, juntamente com uma dezena de suspeitos.

Lori Loughlin e o marido, o designer Mossimo Giannulli, são suspeitos de pagar cerca de 445 mil euros à Universidade do Sul da Califórnia para que as duas filhas do casal fossem recrutadas para a equipa de remo da universidade, muito embora não praticassem o referido desporto. Já Felicity Huffman e o marido, o ator William H. Macy, já nomeado a um Óscar, foram acusados de ter feito um suborno na ordem dos 13 mil euros disfarçado de caridade.

Felicity Huffman e o marido William H. Macy em janeiro deste ano. (Tommaso Boddi/Getty Images for Netflix)

“Estes pais são um catálogo de riqueza e de privilégio”, disse o procurador do distrito de Massachusetts, Andrew Lelling, numa conferência de imprensa realizada na manhã de terça-feira. “Tendo em conta as acusações hoje divulgadas, todos eles conspiraram de forma consciente com Singer e outros… para comprar admissões para os seus filhos em escolas de elites por meio de fraude.”

Entre as técnicas de fraude utilizadas estava a atribuição do estatuto de atleta universitário a filhos de clientes de William Singer, mesmo que estes não tivessem quaisquer aptidões desportivas. O The Guardian escreve mesmo que as caras dos estudantes chegaram a ser adicionadas via Photoshop a corpos de atletas de maneira a criar imagens de perfis falsos. Treinadores de Stanford, Georgetown, Wake Forest, Universidade do Sul da Califórnia e Universidade da Califórnia são suspeitos de fazer parte deste esquema.

Mas há mais táticas a assinalar: foram contratadas pessoas para, fazendo-se passar pelos estudantes, realizar exames e aumentar a média das notas e ainda ter examinadores a fazer os exames em vez dos filhos dos clientes de Singer.

Os outros pais envolvidos no esquema são CEOs de diferentes empresas, agentes imobiliários, um designer e um co-presidente de um escritório de advocacia que opera à escala global. Os pais são suspeitos de fazer pagamentos — leia-se subornos — entre 200 mil dólares a 6.5 milhões de dólares para garantir a admissão dos filhos.