Os irmãos Dalton, criminosos bem humorados e desajeitados, não são apenas personagens criadas pelo ilustrador belga Maurice de Bévère — que ficou conhecido como Morris — para a série da banda desenhada dos anos 40, Lucky Luke. Tim Evans, Bob Dalton, Grat Dalton e Dick Broadwell existiram mesmo e em nada se assemelhavam às personagens de Lucky Luke: eram criminosos perigosos que levaram a cabo vários ataques. Pelo menos segundo o relato dos jornais da época e livros de história, citados pelo jornal ABC.

Depois de assaltarem um casino em Silver City, uma cidade no estado norte-americano do Novo México, o gangue dedicou-se a assaltos em comboios — pelos quais viriam a ficar conhecidos. O primeiro aconteceu a 6 de fevereiro de 1891, segundo relatou a imprensa da altura. Os irmãos conseguiram parar um comboio através de sinais luminosos falsos e o maquinista caiu na armadilha. Quando se apercebeu do que tinha acontecido, era tarde demais: o gangue já tinha subido para o comboio para roubar a carga.

Foram apanhados pela polícia, mas acabaram por ser libertados por falta de provas. À exceção de um: Grat Dalton foi condenado a vinte anos de cadeia. A pena, porém, não viria a ser cumprida. Grat terá conseguido fugir quando estava a ser transportado para a prisão, mesmo estando algemado a um dos dois agentes que o acompanhavam.

Era um dia quente e todas as janelas [do comboio] estavam abertas. De repente, Grat deu um pulo e mandou-se de cabeça pela janela. Foi parar ao rio San Joaquin, desapareceu na água e foi arrastado rio abaixo, são e salvo. Os agentes ficaram estupefactos“, escreveu um jornal da altura citado pelo ABC.

Assaltos como este repetiram-se ao longo de anos. O Dallas Morning News, segundo o jornal ABC, chegou a descrever os membros do gangue como “especialistas que faziam o seu trabalho friamente e com sucesso, sem a necessidade de dar um único tiro. Apesar de os passageiros estarem cientes da situação, nenhum deles tentou intervir”.

Lucky Luke. Seis balas mais rápidas que a própria sombra

Foram os assaltos bem sucedidos que ditaram o seu fim, no ano seguinte, em 1892, quando tentaram assaltar um banco na cidade que os viu crescer: Coffeyville, no estado norte-americano do Kansas. “Entre 9h30 e 10h00 de quarta-feira, os ladrões, aparentemente disfarçados e armados, chegaram nos seus cavalos”, relata um dos jornais da altura. Terão deixado os cavalos numa rua isolada e seguiram o plano. Embora estivessem disfarçados com barbas falsas, os Daltons eram já demasiado famosos para não serem reconhecidos — e as pessoas com quem se cruzaram não tardaram a chamar as autoridades.

Longe de saber que a polícia já estava em alerta, o gangue entrou no banco, apontou as armas e ameaçou os funcionários, obrigando um deles a abrir o cofre. O empregado, porém, demorou demasiado tempo a fazê-lo — entre 3 a 10 minutos, segundo os relatos da altura — e, da rua, já se ouviam os tiros da polícia. Perceberam aí que estavam encurralados.

Acabaram por sair do edifício para começarem um tiroteio, na rua, com a polícia. “Três cidadãos e o marechal Charles Connelly morreram”, escreveu um jornal. Todos os membros do gangue foram abatidos, à exceção de Emmett, que ficou ferido e foi detido. Depois, foi julgado e condenado a pena de prisão. Emmett falou, aliás, a vários jornais da altura. “O gangue dos Dalton foi aniquilado, apagado da face da Terra”, lê-se numa numa notícia do Galveston Daily News, a 6 de outubro de 1892.