Rádio Observador

Banda Desenhada

Os irmãos Dalton existiram mesmo e foram mortos depois de um assalto a um banco

523

Os verdadeiros irmãos Dalton eram criminosos perigosos. Foram abatidos pela polícia, após um assalto. "O gangue dos Daltons foi apagado da face da Terra", escreveu um jornal da altura.

Tim Evans, Bob Dalton, Grat Dalton e Dick Broadwell existiram mesmo, segundo os jornais da época

Os irmãos Dalton, criminosos bem humorados e desajeitados, não são apenas personagens criadas pelo ilustrador belga Maurice de Bévère — que ficou conhecido como Morris — para a série da banda desenhada dos anos 40, Lucky Luke. Tim Evans, Bob Dalton, Grat Dalton e Dick Broadwell existiram mesmo e em nada se assemelhavam às personagens de Lucky Luke: eram criminosos perigosos que levaram a cabo vários ataques. Pelo menos segundo o relato dos jornais da época e livros de história, citados pelo jornal ABC.

Depois de assaltarem um casino em Silver City, uma cidade no estado norte-americano do Novo México, o gangue dedicou-se a assaltos em comboios — pelos quais viriam a ficar conhecidos. O primeiro aconteceu a 6 de fevereiro de 1891, segundo relatou a imprensa da altura. Os irmãos conseguiram parar um comboio através de sinais luminosos falsos e o maquinista caiu na armadilha. Quando se apercebeu do que tinha acontecido, era tarde demais: o gangue já tinha subido para o comboio para roubar a carga.

Foram apanhados pela polícia, mas acabaram por ser libertados por falta de provas. À exceção de um: Grat Dalton foi condenado a vinte anos de cadeia. A pena, porém, não viria a ser cumprida. Grat terá conseguido fugir quando estava a ser transportado para a prisão, mesmo estando algemado a um dos dois agentes que o acompanhavam.

Era um dia quente e todas as janelas [do comboio] estavam abertas. De repente, Grat deu um pulo e mandou-se de cabeça pela janela. Foi parar ao rio San Joaquin, desapareceu na água e foi arrastado rio abaixo, são e salvo. Os agentes ficaram estupefactos“, escreveu um jornal da altura citado pelo ABC.

Assaltos como este repetiram-se ao longo de anos. O Dallas Morning News, segundo o jornal ABC, chegou a descrever os membros do gangue como “especialistas que faziam o seu trabalho friamente e com sucesso, sem a necessidade de dar um único tiro. Apesar de os passageiros estarem cientes da situação, nenhum deles tentou intervir”.

Foram os assaltos bem sucedidos que ditaram o seu fim, no ano seguinte, em 1892, quando tentaram assaltar um banco na cidade que os viu crescer: Coffeyville, no estado norte-americano do Kansas. “Entre 9h30 e 10h00 de quarta-feira, os ladrões, aparentemente disfarçados e armados, chegaram nos seus cavalos”, relata um dos jornais da altura. Terão deixado os cavalos numa rua isolada e seguiram o plano. Embora estivessem disfarçados com barbas falsas, os Daltons eram já demasiado famosos para não serem reconhecidos — e as pessoas com quem se cruzaram não tardaram a chamar as autoridades.

Longe de saber que a polícia já estava em alerta, o gangue entrou no banco, apontou as armas e ameaçou os funcionários, obrigando um deles a abrir o cofre. O empregado, porém, demorou demasiado tempo a fazê-lo — entre 3 a 10 minutos, segundo os relatos da altura — e, da rua, já se ouviam os tiros da polícia. Perceberam aí que estavam encurralados.

Acabaram por sair do edifício para começarem um tiroteio, na rua, com a polícia. “Três cidadãos e o marechal Charles Connelly morreram”, escreveu um jornal. Todos os membros do gangue foram abatidos, à exceção de Emmett, que ficou ferido e foi detido. Depois, foi julgado e condenado a pena de prisão. Emmett falou, aliás, a vários jornais da altura. “O gangue dos Dalton foi aniquilado, apagado da face da Terra”, lê-se numa numa notícia do Galveston Daily News, a 6 de outubro de 1892.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)