Não é preciso instalar novas aplicações no telemóvel nem dar permissões particulares ao seu smartphone para que os seus dados, hábitos de consumo e até histórico de localização sejam partilhados com uma série de empresas. Um estudo da Universidade Carlos III, em Espanha, indica que as apps pré-instaladas — aquelas que já vêm num telemóvel novo, seja por indicação do criador, seja do serviço de telecomunicações que subscreve — são aquelas que partilham informação de forma mais extensa, sistemática e menos transparente.

Os dados dos utilizadores servem para pesquisa do próprio criador da aplicação e do construtor do smarthphone ou são vendidos a empresas da tecnologia ao marketing, para análises de mercado. A investigação aponta tanto para a recolha de informação em aplicações aparentemente normais, como os serviços de GPS, como para a existência de apps criadas especificamente para espiar os utilizadores, diz o El País, que teve acesso a uma versão do artigo que será disponibilizada apenas em abril.

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É nos telemóveis com um sistema operativo Android, desenvolvido pela Google, que o problema se agrava. “O mundo Android é uma autêntica selva, parece o faroeste, especialmente em países com legislação fraca para a defesa do consumidor”, explica um dos investigadores, Juan Tapiador.

Os smartphones Android representam mais de 80% do mercado mundial de telemóveis. Juan Tapiador sublinha a extensão da crise de privacidade: “O problema está na escala. Os acordos comerciais em volta das apps pré-instaladas afetam centenas de milhões ou milhares de milhões de telemóveis“.