A primeira edição do WinterCEmp, iniciativa da Comissão Europeia (CE) agendada para este fim de semana, em Ílhavo, distrito de Aveiro, pretende dar um “contributo português” para o debate sobre a Europa, segundo a representante da CE em Portugal.

“Da narrativa de crises a uma agenda de soluções” é o tema-chapéu de um “fim de semana de retiro” que juntará várias personalidades para debater a Europa, todas portuguesas, sendo que algumas trabalham fora de Portugal e até da União Europeia.

Sofia Colares Alves, Paulo Soares, Carlos Moedas, Pinto Balsemão, João Vale de Almeida, Francisco Seixas da Costa, Ricardo Reis, Mónica Ferro, Jorge Félix Cardoso, Rui Tavares, Pedro Mexia, Ana Paula Zacarias, Gonçalo Reis, Pedro Rocha Vieira e Bernardo Pires de Lima são os oradores das várias sessões temáticas que vão decorrer entre sexta-feira e domingo.

Esta primeira edição do WinterCEmp pretende “tentar replicar o formato do SummerCEmp”, que se realizou no verão passado, “não para chegar a um grupo de jovens (…), que poderão ser os líderes de amanhã, mas para chegar às pessoas que já trabalham os assuntos europeus em Portugal”, distingue Sofia Colares Alves.

O objetivo é promover “um debate informal sobre as questões europeias, com um grupo um bocadinho mais heterogéneo” e “consolidar a rede” empenhada em “construir caminhos”, num quadro de “compromisso com a Europa”, explica.

“Somos muitos a trabalhar os assuntos europeus, nas nossas várias áreas, e andamos todos um bocadinho dispersos, não há assim um momento em que as pessoas se encontrem para debater e trocar impressões, para aprendermos uns com os outros, no fundo”, assinala.

Antes das eleições europeias de 26 de maio, os chefes de Estado europeus vão reunir-se em maio e junho, para firmarem “uma nova estratégia para a Europa”. Ora, a representante da CE considera que Portugal tem “um contributo” a dar sobre “o que deveria ser a nova estratégia para a Europa”.

Esse “contributo português”, que resultará também dos “problemas e desafios” específicos do país, realça, será depois partilhado “sobretudo com o presidente da Comissão europeia”, mas também com o Governo português, que, “idealmente”, poderá levar “algumas das ideias ao debate” entre os líderes europeus.

“Pensámos que este fosse um momento importante não só para discutirmos ideias antes das eleições, mas também propormos alguma coisa em papel, fazermos um contributo daquilo que este grupo pensaria que deveria ser a nova estratégia para a Europa, um contributo português, do nosso ponto de vista e dos problemas e desafios que nós também temos no nosso país”, frisa.

O debate será orientado para as soluções, realça Sofia Colares Alves. “Os desafios já os conhecemos”, nota. “O que devemos fazer, enquanto cidadãos, enquanto governos, enquanto Estados-membros, enquanto União Europeia?” é a questão. Ou seja, debater as soluções ou, “pelo menos, começar a apontar caminhos”, diz.

A União Europeia deve destacar o que faz bem e no que deve apostar, para garantir a sua “relevância no futuro”, defende. “A questão não é sermos ultrapassados, nós já fomos ultrapassados em tantas áreas que, se não começarmos a tomar medidas urgentes, vamos perder esta batalha”, alerta.