António Costa garantiu esta quinta-feira que “nenhum membro do Governo nomeou quem quer que seja em função de relações familiares” e concordou com o Presidente da República quando este disse que “nada mudou” desde a formação inicial do Governo. O primeiro-ministro considerou que “não há qualquer novidade” quanto aos casos de relações familiares entre membros do executivo, deixando ainda uma nota a Cavaco Silva.

“O Presidente tem razão. Primeiro, quando sinalizou que nada mudou desde a formação original do Governo. Pelo que, não só não há qualquer novidade que dê atualidade ao tema, como a experiência destes três anos provou não ter havido qualquer problema com estas duas coincidências”, assinalou António Costa, numa declaração à agência Lusa, referindo-se aos casos das relações familiares entre os ministros da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e do Mar, Ana Paula Vitorino (casados), e do Trabalho, José Vieira da Silva, e da Presidência, Mariana Vieira da Silva (pai e filha).

Já em resposta às críticas do antigo Presidente Cavaco Silva, o primeiro-ministro não poupou nas palavras: “O professor Cavaco Silva tem muitas qualidades e seguramente a melhor qualidade dele não é a memória, nem sobre os seus próprios governos nem sobre a composição do atual governo”.

Uma coisa posso garantir: nenhum dos membros do meu Governo sairá do Governo para ir formar um banco que depois vá à falência e fique a viver à custa dos contribuintes. Nenhum membro do meu Governo sairá do Governo para ir gerir uma infraestrutura cuja construção ordenou, nem nenhum membro do meu Governo irá adequirir ativos a empresas que privatizou. Essas é que são as relações com que se deviam efetivamente preocupar”, acrescentou o primeiro-ministro.

António Costa afirmou que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa “tem também razão quanto à necessidade de abrir o sistema político”, aproveitando para recordar que, “dos 62 membros” do Governo, “36 são militantes do PS e 26 são independentes”. E continuou: “Só 13 já tinham sido membros do Governo e 49 nunca o tinham sido; 30 já tinham exercido algum cargo político (Governo, Assembleia da República, Câmaras Municipais…), 32 exercem cargos políticos pela primeira vez.”

Em declarações à imprensa esta quinta-feira, o primeiro-ministro sublinhou ainda que acha estranho “que quem hoje se preocupa com relações familiares se tenha preocupado tão pouco no passado com outras relações, que essas não são públicas (…), designadamente a promiscuidade entre os cargos políticos e o mundo dos negócios”.

Na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que se limitou a aceitar a designação feita pelo Presidente Cavaco Silva, “que foi a de nomear quatro membros do Governo com relações familiares, todos com assento no Conselho de Ministros”. O chefe de Estado disse ter aceitado essa solução “partindo do princípio de que o Presidente Cavaco Silva, ao nomear aqueles governantes, tinha ponderado a qualidade das carreiras e o mérito para o exercício das funções”. “Depois disso, não nomeei nenhum outro membro com relações familiares para o exercício de funções no executivo e com assento no Conselho de Ministros”, salientou ainda o Presidente da República.

Já depois de Cavaco Silva ter respondido na quarta-feira que “não há comparação possível” entre o governo a que deu posse, em 2015, e o atual, Marcelo Rebelo de Sousa insistiu que é “um facto histórico” que foi o seu antecessor que nomeou os quatro membros do governo com relações familiares.