Investigadores da empresa de cibersegurança UpGuard divulgaram esta quarta-feira ter encontrado duas bases de dados online de acesso público com informação de centenas de milhões de utilizadores de Facebook, avançou o TechCrunch. Além disso, 22 mil palavras-passe de uma aplicação da rede social estavam também a descoberto. Os dois casos são referentes a recolha de dados pessoais por empresas terceiras ao Facebook.

Em reação à notícia, o Facebook afirmou que “proíbe que a informação da rede social esteja guardada em bases de dados públicas”. Ou seja, dizem que não permitem esta prática e que “está empenhado em trabalhar com programadores na plataforma para proteger dados pessoais”.

A empresa fundada e liderada por Mark Zuckerberg diz também que — conjuntamente com a Amazon, que detém os servidores onde estavam acessíveis estes dados — já desativou as bases de bases, pelo que a informação já não está disponível. A rede social ainda tentou pedir a quem criou estas bases de dados para as retirar, mas não houve resposta.

Na primeira base de dados encontrada, com dados de 540 milhões utilizadores, estavam visíveis comentários, reações (gostos, etc.) e nomes de contas e perfis. Esta informação foi ligada a uma empresa de media mexicana chamada Cultura Colectiva.

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Em 2016, foi também por analisar este tipo de informação que a Cambridge Analytica, que usou indevidamente os dados de 87 milhões de perfis de Facebook, conseguiu criar publicidade direcionada a utilizadores para influenciar eleições. A empresa de análise de dados, que encerrou na sequência da divulgação do caso em março de 2018, obteve esta informação através de uma aplicação maliciosa que criou para a rede social.

Na segunda base de dados encontrada estavam expostas cerca de 22 mil palavras-passe criadas para app de uma empresa terceira da rede social chamada “At the Pool”. Esta base de dados tinha também informação de amigos dos utilizadores e grupos de que faziam parte. Por muitos utilizadores utilizarem a mesma palavra-passe para vários serviços online — não o faça! — a UpGuard refere que a falha de proteção de dados pode ter sido resultados piores.

Ao encontrar estas duas bases de dados não protegidas sequer por uma palavra-passe, a empresa de cibersegurança afirma que o Facebook chegou a um ponto que não consegue controlar todos os dados que detém dos utilizadores.

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Desde março de 2018 que Mark Zuckeberg tem apresentado inúmeras medidas para voltar a recuperar a confiança dos utilizadores depois do caso Cambridge Analytica. Recentemente, o presidente executivo do Facebook pediu mais regulação dos estados quanto a este tema.