Cambridge Analytica. Um ano “horribilis” depois, o Facebook não voltou a ser o mesmo /premium

17 Março 2019

Executivos que saíram, outros que entraram, investigações e multas recorde. Zuckerberg está menos rico mas teve mais lucros, naquele que foi o pior ano da maior rede social do mundo.

Foram 87 milhões de contas. A 17 de março de 2018, Christopher Wylie pôs o dedo na maior ferida do Facebook até à data: a empresa de análise de dados britânica Cambridge Analytica acedeu indevidamente aos dados de 50 milhões de contas — só mais tarde se soube dos restantes 37 milhões — para ajudar a eleger Donald Trump nas legislativas norte-americanas de 2016. Como? Através de um teste de personalidade ao qual os utilizadores responderam, acreditando que se tratava de uma investigação académica, e cuja base de dados foi depois vendida à empresa britânica.

Depois de o The Observer (The Guardian) e o The New York Times revelarem a história, o mundo de Mark Zuckerberg não voltou a ser o mesmo. Ao escândalo do Cambridge Analytica depressa se juntaram outros — soube-se que o Facebook tinha permitido que empresas como Samsung, Apple, Microsoft e Amazon tivessem acesso a dados pessoais dos utilizadores; um bug informático que ocorreu entre 18 e 24 de maio permitiu que os posts de 14 milhões de utilizadores se tornassem públicos, mesmo sem o terem assim definido e Zuckerberg foi acusado pela empresa norte-americana Six4Three de liderar um “esquema malicioso e fraudulento” para extrair informações privadas dos utilizadores.

Em julho, novo erro: o Facebook desbloqueou os contactos bloqueados de 800.000 utilizadores durante vários dias, permitindo que pudessem voltar a entrar em contacto; em setembro, um ataque informático permitiu que os hackers tivessem acesso às pesquisas feitas por 29 milhões de utilizadores; em novembro, a rede social foi acusada de estar envolvida numa campanha contra George Soros e em dezembro, três novos escândalos: um bug que permitiu que cerca de 1.500 apps tivessem acesso a fotografias privadas que iam ser publicadas pelos utilizadores, mas que não chegaram a sê-lo e duas investigações do The New York Times que revelaram que a rede social tinha favorecido o acesso a informação pessoais a grandes empresas como o Airbnb e que e o Spotify e a Netflix tinham tido acesso às conversas do Messenger.

Já em janeiro de 2019, a empresa admitiu pagar a pessoas com idades entre 13 e 35 anos para instalarem um VPN que os ajudasse a espiar os utilizadores e recolher os seus dados e atividades. A ferramenta chamava-se “Research” e é semelhante à aplicação Onavo Protect, que foi entretanto retirada do mercado. A par de tudo isto, surgiram as notícias sobre investigações, as multas recordes, as audições no Congresso norte-americano e no Parlamento Europeu e os vários pedidos de desculpa. O último ano pode ter sido o pior para a empresa que também tem o Instagram e o WhatsApp, mas não destronou Zuckerberg do lugar que o destaca como o sub-40 mais rico do mundo. Um ano depois, o que mudou? A confiança dos utilizadores, sobretudo. Mas não só.

Mark Zuckerberg foi ouvido durante 10 horas em duas audições no Congresso norte-americano

Muita gente saiu do Facebook, mas Zuckerberg não

O excesso de rotatividade numa empresa, por norma, não costuma ser bom sinal. Antes do caso Cambridge Analytica, a equipa base de liderança do Facebook estava inalterada, com mudanças apenas ocasionais. Mesmo com escândalos, há duas pessoas que se têm mantido no poder central: o presidente executivo Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook e a número dois da rede social. Contudo, ainda esta quinta-feira, depois do maior apagão da história da empresa, saiu um dos principais nomes: Chris Cox, um dos 15 programadores iniciais da rede social, que se tornou no diretor de produto e número 3 da empresa.

Poucos dias depois de se conhecer o caso Cambridge Analytica, Brian Acton, que cofundou o WhatsApp, disse: “Apaguem o Facebook”. No Facebook, Jan Koum, outro cofundador que se manteve na empresa depois da aquisição, apagou a posição que tinha no Facebook, demitindo-se em maio.  “Vou continuar a torcer pelo WhatsApp — mas do lado de fora”, disse. A fama que o Facebook tinha de ser uma empresa que acolhia bem as startups que comprava começou assim a cair por terra.

Estas críticas já se tinham ouvido quando Palmer Luckey, fundador da Oculus, que agora é o departamento de realidade virtual do Facebook, foi afastado da empresa em 2017. Em outubro de 2018, Brendan Iribe seguiu o mesmo caminho. Depois da Cambridge Analytica, confirmaram-se com a saída de Kevin Systrom e Mike Krieger, fundadores do Instagram, que saíram do projeto que venderam ao Facebook por terem perdido autonomia e em divergência com as políticas de Zuckerberg. A decisão para substituir os dois recaiu sobre Adam Mosseri, um homem de confiança de Zuckerberg, que já se especulava que ia subir na hierarquia da empresa

Durante 2018 também se soube que Zuckerberg contratou Nick Clegg, antigo vice-primeiro-ministro do Reino Unido, para liderar a pasta dos assuntos globais do Facebook. Contudo, se houve coisa que a saída da empresa de Alex Stamos, antigo responsável máximo pela segurança do Facebook mostrou — dois dias após rebentar o caso Cambridge Analytica — , foi que a rotatividade nos cargos de topo da empresa passaria a ser regular. Nem a promessa de contratar até 20 mil novos trabalhadores parece mudar o panorama, com o surgimento de vários relatos de desgaste para conseguirem manter a plataforma livre de conteúdos proibidos.

Mesmo com saídas, uma coisa parece certa: Mark Zuckerberg promete continuar como presidente executivo. “Já pensámos desligar o Facebook”, disse em novembro. “Não é possível saber o que cada pessoa está a fazer, mas tenho muita confiança na nossa liderança que está a construir boas equipas e, quando os problemas surgem, lidamos com eles (…) Esse é o meu compromisso”, disse quanto a manter-se na liderança.

Milhões em multa para o “gangster digital”

Relatórios, investigações, multas. Na ressaca do caso Cambridge Analytica, houve de tudo. O Informations Commisioner’s Office do Reino Unido multou a rede social em 565 mil euros por ter permitido a “violação” das leis sobre proteção de dados pessoais. Seguiu-se a Itália: a Autoridade da Concorrência italiana multou a empresa liderada por Mark Zuckerberg em 10 milhões de euros e acusou-a de vender dados dos utilizadores sem os ter informado corretamente. Em dezembro, foi a vez do estado de Washington D.C, que processou o Facebook pelos mesmos motivos. Procurador do Estado afirmou que os dados de perto de metade dos residentes foram expostos.

Em fevereiro deste ano, a Alemanha proibiu o Facebook de usar dados que colhia dos utilizadores que escolhiam o WhatsApp e o Instagram para comunicar numa medida que visa forçar os gigantes da tecnologia a adaptarem os respetivos modelos económicos ao direito da concorrência. Também em fevereiro foi tornado público um relatório britânico, publicado pelo Comité de Cultura, Digital, Média e Desporto, que acusava a empresa de Zuckerberg de ser um “gangster digital”  relatório. E em março foi a vez de os procuradores federais norte-americanos anunciarem que estão a investigar as parcerias que o Facebook fez com empresas tecnológicas como a Blackberry, a Amazon ou a Microsoft em que permitia que estas tivessem “acesso especial” a dados dos utilizadores, segundo o The New York Times.

Muitos dados, menos empresas e menos duas agências de fact-cheking

Logo no rescaldo das revelações de Christopher Wylie, o Facebook decidiu suspendeu a relação que tinha com a empresa canadiana AggregateIQ, criada pelo grupo SCL (o mesmo grupo que detém a Cambridge Analytica) e que, à semelhança da Cambridge Analytica, também terá tido acesso a dados de utilizadores para depois usá-los na campanha a favor do Brexit, em 2016. Na sequência de uma investigação do The New York Times, que revelou que o Facebook estabeleceu acordos com 60 fabricantes de dispositivos móveis, que tiveram acesso a vários dados pessoais dos utilizadores, a rede social pôs um fim à parceria com a empresa chinesa Huawei. A parceria envolvia a partilha de dados de utilizadores da rede social com o grupo chinês, que Washington considera uma ameaça à segurança nacional.

Em julho, foi a vez de Zuckerberg suspender a relação que tinha com a Crimson Hexagon, depois de saber que a empresa norte-americana tinha celebrado vários contratos que permitiram analisar informações públicas da rede social e ceder relatórios sobre esses dados aos seus clientes. A organização sediada em Boston afirma ter o maior repositório de posts públicos em redes sociais, não só do Facebook mas também do Twitter e do Instagram. E em fevereiro deste ano, duas das mais importantes agências de fact-checking do mundo, a Associated Press e a Snopes, anunciaram à BBC que vão deixar de trabalhar com a rede de Zuckerberg. As empresas ajudavam a rede social a combater a disseminação de notícias falsas na plataforma.

Esta notícia não é Fake News

É possível, à primeira vista, ser-se enganado por uma Fake News [notícia falsa]. Há notícias falsas que são descaradas, mas também há as que são mais difíceis de perceber. Há truques e cada vez mais fact-checkers para hoje conseguirmos chegar à verdade, mas apesar de o fenómeno não ser novo — não, o Marilyn Manson nunca tirou costelas, como era tão propagado nos anos 1990 — o Facebook mostrou ser a plataforma de eleição para as notícias falsas se disseminarem.

Este combate às notícias falsas tornou-se, assim, numa das bandeiras do Facebook pós-Cambridge Analytica. Surgiram novas formas de denunciar notícias — não só no Facebook, também no WhatsApp –, apareceram “salas de guerra” só para controlar este fenómeno em épocas eleitorais e até se alterou o algoritmo para que apareceram menos notícias do feed dos utilizadores (e estes sejam classificados pela veracidade das partilhas).

Apesar de a mudança do algoritmo ter sido, provavelmente, a maior na rede social, esta foi subtil. É algo que acontece nos bastidores da plataforma e as notícias não foram completamente banidas. Contudo, a maior mudança foi mesmo a implementação da identificação das fontes das notícias e a prioritização de notícias sobre o local onde o utilizador se encontra para que este possa mais facilmente identificar se é Fake News ou não.

O Estado de Washington processou a rede social e diz que os dados de perto de metade dos residentes foram expostos à Cambridge Analytica

Milhões de contas banidas num ano: fora as fake news e o ódio

Em 2018, o Facebook eliminou mais de 14 milhões de conteúdos que apoiavam o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda. Numa publicação no blogue da empresa, a chefe de Políticas Globais, Monika Bickert, e a responsável pela Política Antiterrorista, Brian Fishman, indicaram que a grande maioria das mensagens foi eliminada a partir de abril, ou seja, depois do caso Cambridge Analytica. Destes 14 milhões de conteúdos pró-terroristas que a rede social eliminou, aproximadamente metade eram mensagens publicadas antes de 2018, mas que ainda estavam online.

Também início de fevereiro, a empresa liderada por Mark Zuckerberg tinha excluído 783 páginas, grupos e contas que mostravam “comportamento falso e coordenado no Facebook e no Instagram” do Irão, de acordo com o chefe de cibersegurança do Facebook, Nathaniel Gleicher. “Estamos a trabalhar constantemente para detetar e interromper este tipo de atividade porque não queremos que os nossos serviços sejam usados ​​para manipular as pessoas”, sublinhou Nathaniel Gleicher em comunicado. “Removemos essas páginas com base no comportamento delas, não no conteúdo publicado. As pessoas por trás dessa atividade coordenaram-se e usaram contas falsas”, acrescentou.

Logo no início do ano, em janeiro, o Facebook anunciou ter removido centenas de páginas, grupos e contas vinculados à Rússia, que fariam parte de duas grandes operações de desinformação. A empresa explicou que tomou as providências depois de encontrar duas redes “envolvidas em comportamento coordenado não autêntico” nas suas redes sociais Facebook e Instagram.

Bónus dos trabalhadores passaram a depender do progresso no combate aos problemas sociais

Em fevereiro, a CNBC avançou que o Facebook tinha alterado o sistema de bónus dos trabalhadores da empresa: os aumentos nos vencimentos vão passar a depender do progresso da gigante tecnológica no combate às notícias falsas, ao discurso de ódio e a outros problemas sociais em que o Facebook tem influência. “Mudámos fundamentalmente a nossa forma de gerir o Facebook”, declarou a empresa que quer “incentivar as pessoas a desenvolver melhorias nos grandes problemas sociais com que se depara a Internet e a nossa empresa”.

A mudança está em linha com aquelas que foram as prioridades indicadas por Mark Zuckerberg numa chamada com investidores em janeiro de 2019: fazer melhorias naqueles que são os atuais problemas sociais que têm impacto na Internet e no Facebook; criar serviços que melhorem a vida das pessoas; apoiar negócios e ser mais transparente sobre o papel que a maior rede social do mundo tem. Já no seu habitual post com as resoluções de ano novo, o líder da rede social tinha colocado todos os seus esforços em organizar “uma série de discussões públicas sobre o futuro da tecnologia na sociedade”: “Como é que se constrói uma Internet que ajuda as pessoas a aproximarem-se para resolver os grandes problemas do mundo, que precisam de colaboração global?”.

Mark Zuckerberg já não é o único que pode apagar mensagens do Facebook

Desde o caso Cambridge Analytica que o Messenger, a aplicação de mensagens do Facebook, mudou de visual, introduziu uma ferramenta para explorar e prepara a introdução de publicidade na app. O WhatsApp, continua a ser a prova de que o Facebook consegue comprar a tempo a concorrência que o pode destronar. A aposta no Direct no final de 2017, o chat do Instagram como app própria, parece não ter conseguido levar a sua avante. Mas em fevereiro de 2019, apareceu uma das grandes mudanças: no Messenger, já se pode apagar mensagens depois de terem sido enviadas. O facto de Mark Zuckerberg e outros executivos já terem esse poder pode ter ajudado à adição desta funcionalidade.

Contudo, a grande mudança ainda está para vir. Se o “apagão” de 14 anos do Facebook pode ter mostrado alguma coisa, é que as aplicações que a empresa gere estão cada vez mais em sintonia (os erros notaram-se no Facebook, no Messenger, no WhatsApp e no Instagram). No futuro, há até o plano de integrar num só serviço as várias plataformas. Segundo o Facebook, o objetivo é o que tem promovido desde a Cambridge Analytica: criar uma plataforma mais pessoal e garantir que mesmo que os utilizadores saiam do Facebook, continue tudo no mesmo ecossistema.

Recorrer das decisões do Facebook para um tribunal interno como se recorre para um tribunal administrativo quando o Estado falha

A maior rede social do mundo tem — e aplica — o poder de tirar conteúdos dentro do Facebook. O problema é que, por vezes, comete erros. Como disse Mark Zuckerberg pouco depois do caso Cambridge Analytica, “não vamos prevenir todos os erros ou abusos, mas fazemos demasiados erros a executar as nossas políticas”. Numa altura em que o Facebook passou a ter de recuperar a confiança dos utilizadores, também passou a ter de dar mais espaço para poder recorrer-se de erros da triagem de conteúdos na própria plataforma.

Mark Zuckerberg, prometeu uma espécie de tribunal. “Uma das principais questões que temos de perceber é garantir que esta instituição vai prosseguir a nossa filosofia de as pessoas terem uma voz e, ao mesmo tempo, estarem seguras”, disse em novembro. O objetivo é corrigir erros dos sistemas automáticos de filtragem e até mesmo dos moderadores humanos da plataforma. Até lá, desde 2018 que os utilizadores passaram a ter mais informação sobre os critérios que os Facebook utiliza para banir posts e passou a ser possível pedir à empresa para rever uma decisão.

Continua a ser o indivíduo com menos de 40 anos mais rico do mundo e o oito mais rico no ranking geral da Forbes, mas à custa do último ano a fortuna de Mark Zuckerberg perdeu perto de 9 mil milhões

As salas de guerra para combater os perigos nas eleições

O escândalo Cambrigde Analytica ajudou a pôr em causa a legitimidade de resultados das últimas eleições, basta ter influenciado em 1% ou 2% os eleitores nas presidenciais americanas de 2016 ou no referendo do Brexit para podermos euqacionar outros reuslatdos. Se realmente afetou é algo que se calhar nunca vamos saber. Há quem afirme que não houve influência porque ambos os lados utilizavam as mesma táticas. Contudo, “há diferenças chaves”, como explicou Rayid Ghani, cientistas de dados na campanha de Barack Obama, em 2012. No final, todos os lados nestas corridas democráticas parecem concordar num ponto: “É preciso mais transparência sobre quem tem acesso a que dados”.

Se antes de 2018 parecia que o Facebook estava apenas a reagir à influência que a rede social tem em eleições, passou a mostrar uma atitude mais preventiva. Tudo começou com uma “sala de guerra” para proteger eleições na primeira prova de fogo a seguir ao caso Cambridge Analytica: as eleições presidenciais no Brasil, em outubro, e as intercalares, em novembro, quando os Estados Unidos foram às urnas para escolher novos congressistas e senadores.

Resultou? Houve queixas de abuso do WhatsApp no Brasil e afirmações de novas influência nos Estados Unidos da América. No final, milhares de contas foram banidas durante estes períodos eleitorais e a tática parece ter resultado, pelo menos na perspetiva do Facebook: também quer “proteger a integridade das eleições” europeias, que vão realizar-se em maio. Como? Mais fact-check, mais “salas de guerra” e “novas ferramentas para ajudar a evitar a interferência estrangeira e tornar a propaganda política no Facebook mais transparente”.

Agora, se calhar, achamos que é importante ler a letras pequeninas do “concordo” no PC

Os termos de serviço estão naquele texto que aparece aos utilizadores antes de aceitarem fazer o download de uma aplicação ou serviço digital que, pelos visto, ninguém lê. Foram estas “letras pequenas” que criaram a polémica dos mais de 87 milhões de perfis de Facebook guardados pela Cambridge Analytica para condicionar campanhas eleitorais, porque era onde estava escrito a forma como as aplicações terceiras podiam utilizar os dados. Agora, depois da polémica, a maior rede social atualizou os “Termos de Serviço” para “que se possa compreender mais claramente que dados são recolhidos”.

Na base destas alterações também pode estar a entrada em vigor do regulamento geral sobre a proteção de dados em maio, que exigiu que estas informações fossem mais claras. A opção do Facebook foi fazer uma espécie de explicador. Na política de dados, em género de pergunta resposta, a empresa passou a explicar que informações recolhe do utilizador (como registo de lista de contactos e sms) e para que é que os utiliza. A empresa também atualizou esta informação para ficar mais percetível para os utilizadores de outros serviços da empresa. Por exemplo, anteriormente, no Instagram não era possível pedir com a mesma facilidade uma cópia dos dados que o Facebook mantém.

O Facebook vai (mesmo) ser uma plataforma de comunicações privadas? Zuckerberg diz que sim

O anúncio apanhou os utilizadores desprevenidos. A 6 de março, o fundador da da maior rede social do mundo comunicou aos utilizadores que quer mudar toda a génese do Facebook — se a ideia era ligar o mundo e torná-lo numa plataforma aberta, agora a ideia é fechá-lo nas comunicações de um para um ou em pequenos grupos. “Hoje, já vimos que as mensagens privadas, as storys efémeras e os pequenos grupos são de longe as áreas que mais crescem na comunicação online. Há uma série de razões para que isso aconteça. Muitas pessoas preferem a intimidade da comunicação de um para um ou apenas com alguns amigos”, escreveu.

O homem que detém em si o controlo do Facebook, Messenger, Instagram e WhatsApp quer que o Facebook seja uma plataforma focada e orientada sobretudo para a privacidade dos utilizadores, assente em seis pilares — o das interações privadas entre os utilizadores (e não públicas), o da encriptação das mensagens (para que mais ninguém consiga lê-las além dos intervenientes), da redução da permanência do que escrevem e publicam (para que as pessoas possam controlar o tempo durante o qual a informação fica disponível) a segurança, a interoperabilidade de todas as plataformas (Messenger, WhatsApp e Instagram Direct numa só plataforma) e na segurança do armazenamento dos dados.

A fortuna de Zuckerberg caiu, mas os lucros nunca foram tão bons

Tornou-se no empreendedor multimilionário mais jovem da história, aos 23 anos (entretanto superado por Kylie Jenner, que atingiu o mesmo estatuto aos 21) e aos 34, apesar do polémico ano que teve, continuou a ser o indivíduo com menos de 40 anos mais rico do mundo. Com uma fortuna estimada pela Forbes de 62,3 mil milhões de dólares em 2019, o líder do Facebook continua a ser a oitava pessoa mais rica do mundo. Mas perdeu valor. No ano passado, o mesmo ranking da Forbes colocava Mark Zuckerberg no quinto lugar dos mais ricos, com uma fortuna estimada de 71 mil milhões de dólares, quase nove mil milhões a mais do que a fortuna atual.

O miúdo que aos 12 anos criou um software de troca de mensagens para ajudar o pai (dentista) no consultório que tinha em casa, ainda o AOL Instant Messenger não tinha sido criado, pode ter tido um dos anos mais difíceis da sua vida, mas os resultados do Facebook não o comprovam: em 2018, aquela que é a maior rede social do mundo conseguiu os maiores lucros da sua história: 22,112 mil milhões de dólares, mais 39% do que no ano anterior. A par dos lucros, cresceu o número de utilizadores: 1,523 mil milhões de utilizadores diários em todo o mundo e 2,320 mil milhões de usuários ativos mensalmente. Ou seja, um terço da humanidade está ligada ao Facebook pelo menos uma vez por mês.

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