A procuradora do Ministério Público, Cândida Vilar, foi constituída arguida depois de uma queixa-crime de um dos militares que está a ser julgado no caso dos Comandos — processo liderado pela procuradora —, noticiou o Público (edição exclusiva no papel). Mário Maia, tenente-coronel de infantaria, arguido no processo, acusou a procuradora de prevaricação e de detenções ilegais.

Mário Maia era o diretor de 127.º curso dos Comandos em que morreram dois formandos devido ao golpe de calor durante a Prova Zero e apresentou queixa contra Cândida Vilar. O Ministério Público arquivou o inquérito decorrente da queixa, por considerar que a procuradora não tinha cometido qualquer crime, mas o militar pediu a abertura da instrução.

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Na abertura de instrução é argumentado que a procuradora ordenou a detenção, alegadamente, ilegal de sete militares (dos 19 já constituídos arguidos) para serem interrogados pelo juiz. Além disso, são feitas críticas ao que a procuradora escreveu no despacho: considerava que os suspeitos apresentavam “personalidades deformadas”, criavam “ambiente de intimidação e terror” e nutriam um “ódio patológico, irracional contra os instruendos”.

A instrução também critica o recurso ao trabalho do major Vasco Brazão que, enquanto investigador-chefe da Polícia Judiciária Militar, avaliou no inquérito-crime o desempenho dos instrutores do 127.º curso dos Comandos. Além de não concordar com os juízos de valor do major, a argumentação lembra que o mesmo é um dos 20 arguidos no processo do roubo das armas de Tancos.

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Contactada pelo Público, Cândida Vilar confirmou que tinha sido constituída arguida, mas não fez mais nenhum comentário.

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