Foi criada uma petição online que já conta com 45 mil assinaturas para exigir, novamente, o fecho dos centros comerciais e dos supermercados aos domingos, avança o Jornal de Notícias na edição impressa desta quarta-feira. O assunto voltou a ser discutido depois de o bispo do Porto, D. Manuel Linda, ter dito na missa de Páscoa que o trabalho ao domingo e o sistema de turnos é o ‘’novo esclavagismo laboral’’ e que acaba com ‘’a herança cristã’’.

A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) já respondeu à mensagem transmitida pelo bispo, dizendo que ‘’a liberalização dos horários importa a todos os setores’’ e que ‘’tem como base a proximidade, a conveniência e a diversidade da oferta, indo ao encontro das expectativas dos consumidores’’. Há 12 anos, a APED entregou uma petição com 250 mil assinaturas para a abertura das grandes superfícies nas tardes de domingo e feriados (depois de estas terem sido encerradas) e assim têm estado a funcionar desde 2010.

A Associação Portuguesa de Centros Comerciais está no mesmo lado e afirma que a abertura das grandes superfícies aos domingos é ‘’uma decisão compatível com as reais necessidades dos consumidores’’.

A petição é dirigida ao presidente da Assembleia da República e afirma que ”o tempo em família é cada vez mais escasso e o único dia que está destinado para ela, acaba por ser passado de forma pouco saudável, de forma fechada”, em centros comerciais.

Fomos educados e habituados a ter grandes superfícies abertas 7 dias por semana, mas esta é uma medida interesseira e nada civilizada […] O encerramento dos shoppings ao domingo afecta a nossa qualidade de vida? A resposta é SIM! Para melhor, para muito melhor”, defende.

A petição foi feita por um ex-emigrante português que viveu em França. ”Durante o tempo que vivi lá fora, Lyon segunda maior cidade de França, […] percebi que quando dizemos que lá fora é que há ‘qualidade de vida’, na maioria das vezes estamos enganados em relação aos motivos que causam essa qualidade. Eles dão mais importância aos piqueniques no parque, no lago, aos passeios pelo centro histórico, ao gelado na esplanada, ao passeio de bicicleta à beira rio… todas aquelas imagens bonitas que por vezes vemos em filmes.”, escreveu na petição.

Na secção de comentários da página petições do Facebook podem ler-se muitas posições a favor. ”Concordo plenamente que fechem aos domingos e feriados porque os pais não têm tempo para estarem com os filhos”, disse Beatriz Maia Fevereiro. Outro antigo emigrante português, José Silva, conta que viveu muitos anos na Alemanha e que ”os centros comerciais fechavam à tarde de sábado e abriam na segunda-feira. Toda a gente vivia o fim de semana com a família” e em Portugal diz que se recusa ir às compras ao domingo ”para não ser cúmplice do sistema em vigor”.

Mas também há quem se mostre contra aquilo que a petição defende, como José Brandão da Silva que diz reivindicar o fecho das grandes superfícies é ”uma coisa terceiro mundista”. ”Que venha o primeiro e que diga que nunca foi a um centro comercial a um domingo”. Carlos Miguel trabalha num supermercado e diz que ”o povo português nunca está contente com nada”. ”Médicos, enfermeiros, polícia, padres, coveiros, empregados de centro de dia etc…. todos estes trabalham muitas vezes domingos e dias santos!!! Vamos fechar todos estes locais também ao domingo?? Trabalho num supermercado, todos os domingos do ano exceto quando estou de férias e não abdico de os trabalhar…”