Iker Casillas sofreu esta quarta-feira um “enfarte agudo do miocárdio”. O guarda-redes do FC Porto, atualmente com 37 anos, sentiu-se mal durante um treino da equipa orientada por Sérgio Conceição e foi transportado para o hospital, onde foi submetido a um cateterismo cardíaco e ainda permanece internado. De acordo com o comunicado oficial do clube, Casillas “está bem e estável”: o espanhol já terá recebido visitas durante a tarde, o que indica que não estará nos cuidados intensivos.

O jogador espanhol, um dos mais influentes nos últimos 20 do futebol internacional, sofreu um problema cardíaco pouco depois de renovar contrato com o FC Porto até 2021. Casillas foi traído pelo coração e ainda não é certo se vai continuar a carreira depois de recuperar: mas não foi o primeiro nem o único. Com a memória de Miklós Fehér sempre presente, recordamos os casos de Davide Astori, Antonio Puerta e também do basquetebolista português Paulo Pinto, que morreram devido a problemas cardíacos não diagnosticados. Mas também lembramos os exemplos de Cristiano Ronaldo, Khedira e Gonçalo Paciência, todos acompanhados de perto, e a história mais triste de Nouri, que sofreu “danos cerebrais irreversíveis” após ter um ataque cardíaco em campo.

Miklós Fehér

É, pelos piores motivos, o caso mais marcante da memória desportiva portuguesa. O avançado húngaro tinha 24 anos quando a 25 de janeiro de 2004, há 15 anos, caiu no primeiro minuto de tempo extra do jogo que o Benfica acabaria por vencer no D. Afonso Henriques, contra o V. Guimarães. Fehér tinha começado o encontro no banco de suplentes, tal como era habitual na equipa orientada por Jose Antonio Camacho que terminou a Primeira Liga dessa temporada no segundo lugar, atrás do FC Porto de José Mourinho.

Fehér caiu desamparado, sem sentidos, após ver um cartão amarelo. Foi assistido durante largos minutos ainda no relvado e transportado para o hospital, onde acabaria por ser confirmada a morte do jovem jogador. A autópsia revelou que a causa de morte do húngaro foi uma paragem cardiorrespiratória originada por uma cardiomiopatia hipertrófica que nunca tinha sido diagnosticada.

Após a morte de Miki Fehér, o Benfica dedicou a conquista da Taça de Portugal dessa temporada ao avançado húngaro, retirou o número ’29’, colocou um busto do jogador no átrio da porta 18 do Estádio da Luz e ainda criou o Prémio Miklós Fehér, que todos os anos distingue professores e alunos que se notabilizam em diversas áreas na antiga escola do avançado, em Gyor, na Hungria, e que os traz anualmente a Lisboa.

Davide Astori

Ao contrário do que aconteceu com a grande maioria dos atletas que acabaram por morrer devido a problemas cardíacos, Davide Astori não colapsou em campo. A 4 de março do ano passado, o então capitão da Fiorentina foi encontrado morto no quarto de hotel onde a equipa viola estava hospedada em Udine antes de defrontar a Udinese. Os colegas do internacional italiano de 31 anos começaram a estranhar o facto de o jogador não descer a tempo do pequeno-almoço e, depois de vários companheiros de equipa tentarem contactar o jogador através de chamadas telefónicas, este acabou por ser encontrado morto pelo massagista da Fiorentina. O corredor do hotel encheu-se rapidamente de colegas em choque, debruçados sobre si próprios, a chorar a morte do capitão.

A morte de Astori, que era casado e tinha uma filha, começou por ser encarada como uma paragem cardiorrespiratória e a polícia italiana chegou a abrir um inquérito-crime para averiguar a possibilidade de homicídio. A hipótese acabou por ser afastada e a morte do jogador da Fiorentina foi mesmo atribuída a causas naturais e à presença de extrasístoles ventriculares, a principal causa de morte de atletas em atividade.

No passado mês de março, dois médicos italianos foram formalmente acusados do homicídio involuntário de David Astori, o capitão da Fiorentina que morreu em março de 2018 devido a uma paragem cardiorrespiratória. O Ministério Público de Florença, em Itália, revelou que a investigação aberta em dezembro aos profissionais de saúde responsáveis por confirmar a aptidão física do italiano entre 2014 e 2017 está concluída e resultou na acusação dos dois médicos: Francesco Stagno, diretor do Instituto de Medicina Desportiva de Cagliari, e Giorgio Galanti, antigo diretor do Centro de Medicina Desportiva do Hospital de Careggi, em Florença.

Segundo a Gazzetta dello Sport, que teve acesso à investigação, o Ministério Público italiano concluiu que os dois profissionais de saúde são responsáveis pela súbita morte de Astori por terem violado “os protocolos de cardiologia para a confirmação de aptidão física para o desporto competitivo”. O capitão da Fiorentina foi submetido a um eletrocardiograma em julho de 2016 e a outro em julho do ano seguinte. Nas provas de esforço desses exames, foi detetada a presença de extrasístoles ventriculares: ou seja, o internacional italiano sofria de um problema cardiovascular que provocava a aceleração do ritmo cardíaco. A condição, contudo, é bastante comum e não merece preocupação de relevo. O procedimento habitual é a realização de uma nova bateria de exames com vista a perceber se o problema já provocou danos no coração e se terá, inclusive, causado questões adicionais. Terá sido esta segunda vaga de exames que Davide Astori nunca fez e que foi o motivo principal para a abertura da investigação aos dois médicos – e da consequente acusação.

O jornal italiano acrescenta ainda que Stagno e Galanti cometeram um crime ao não submeter Davide Astori a um diagnóstico mais profundo sobre a origem dessas extrasístoles, algo que é também um procedimento habitual para excluir “doenças cardíacas orgânicas” ou “síndrome arritmogénico”. Para a justiça italiana, o diagnóstico do que levou ao problema cardiovascular do capitão da Fiorentina numa fase inicial teria colocado um fim à atividade física do jogador e prevenido o aparecimento de “arritmias ventriculares malignas” através de medicação.

Daniel Jarque

O central espanhol tinha 26 anos quando sofreu um ataque cardíaco enquanto estava ao telemóvel com a namorada, que estava grávida de sete meses, durante um estágio de pré-temporada dos catalães do Espanyol em Florença, Itália. Em agosto de 2009, Jarque era capitão do Espanyol, clube que representou durante toda a carreira, e tinha já no palmarés uma Taça do Rei e uma final da Taça UEFA (que os catalães perderam para o Sevilha).

A morte de Daniel Jarque chocou o futebol espanhol e internacional e motivou várias homenagens — não só por parte do Espanyol como também dos colegas das seleções jovens de Espanha. Cesc Fàbregas, então jogador do Arsenal, dedicou um golo ao antigo companheiro dos sub-21 espanhóis ao levantar a camisola para mostrar outra que tinha o nome de Jarque e o número 21, que o central utilizou durante grande parte da carreira. No mês seguinte à morte do espanhol, em setembro de 2009, o Espanyol homenageou o antigo capitão no primeiro jogo para a Liga que realizou no novo Estadi Cornellà-El Prat — precisamente nesse dia, nasceu a filha de Daniel Jarque.

O central espanhol era amigo próximo de Iniesta, que no passado mês de novembro deu uma entrevista onde revelou que a morte de Jarque foi o principal impulsionador da depressão que sofreu no final de 2009. O antigo médio do Barcelona, atualmente a jogar nos japoneses do Vissel Kobe, homenageou o amigo no momento em que marcou o golo que valeu a Espanha a conquista do Mundial de 2010, quase dois anos depois da morte de Jarque: no minuto 116 da final do Mundial da África do Sul, contra a Holanda, Iniesta marcou o golo da vitória e mostrou uma camisola onde se lia “Dani Jarque, siempre con nosotros”, Dani Jarque, sempre connosco, em português. Dois anos depois, quando a seleção espanhola conquistou o Campeonato da Europa, Fàbregas voltou a utilizar uma camisola que recordava Jarque durante os festejos.

O dia da morte de Daniel Jarque foi recordado recentemente por Mauricio Pochettino, atual treinador do Tottenham que era na altura orientava o Espanyol. “Estava numa praça em Florença, com o meu adjunto, o Feliciano Di Blasi, e ligou-me o nosso melhor jogador, o Iván de la Peña. Estava a chorar e pediu-me que voltasse rapidamente para o hotel porque algo muito grave se estava a passar com o Jarque. Quando chegámos, os médicos estavam no quarto dele a tentarem reanimá-lo. Durante três horas…nunca respondeu. O coração parou. Vinte e seis anos. Foi muito difícil, um autêntico drama, um drama coletivo, os médicos estavam a fazer o seu trabalho e os jogadores à volta, a chorar, todos com as mãos na cabeça, abalados…a impotência que sentes ao veres que se está a ir um rapaz de quem gostas muito, uma pessoa que é parte da tua vida, que acabava de ser nomeado capitão, uma pessoa que me dizia muito…e nada consegui fazer para evitar aquela tragédia. É uma frustração tremenda”, escreveu o treinador argentino na autobiografia “Um Mundo Novo”, que publicou em outubro do ano passado.

Antonio Puerta

A 25 de agosto de 2007, Antonio Puerta desmaiou dentro da grande área aos 35 minutos do jogo entre o Sevilha, a única equipa que representou durante a curta carreira, e o Getafe. As imagens televisivas mostraram o médio a ajoelhar-se, em dor, e depois a perder os sentidos, sendo rapidamente assistido pelos colegas Palop e Dragutinovic e pela equipa médica do clube espanhol. Depois de recuperar a consciência, Puerta foi substituído e acabou por caminhar sozinho até ao balneário, deixando a ideia de que tudo não tinha passado de um susto.

Já dentro do balneário do Sevilha, o espanhol de 22 anos voltou a colapsar e foi transportado para o hospital, onde ficou desde logo internado na unidade de cuidados intensivos. Três dias depois, Antonio Puerta acabou por morrer devido a falência multiorgânica e a danos cerebrais irreversíveis causados por vários ataques cardíacos sofridos durante o jogo com o Getafe — esses então originados pela presença de extrasístoles ventriculares, a mesma condição que afetou Davide Astori.

Tal como aconteceu com Daniel Jarque, também a namorada de Antonio Puerta estava grávida quando o jogador morreu. Internacional por cinco ocasiões pelos sub-21 espanhóis, o médio foi homenageado por Sergio Ramos quando Espanha conquistou o Euro 2008 e também o Mundial 2010, e o jogador do Real Madrid tatuou uma Estrela de David em memória de Puerta, já que este era judeu. Em 2010, o Sevilha inaugurou uma estátua do espanhol no centro de treinos do clube e foi a morte do atleta de 22 anos que levou a FIFA a tornar obrigatória a instalação de salas de reanimação em todos os balneários de jogos de Campeonatos do Mundo.

Paulo Pinto

Em março de 2002, um dos nomes mais conhecidos e reconhecidos do basquetebol português morreu devido a uma paragem cardíaca durante um jogo. Paulo Pinto, que representava o Aveiro Basket, sentiu-se mal durante uma partida da então Liga TMN contra o Benfica e acabou por morrer a chegar ao hospital. O atleta de 28 anos colapsou à passagem dos oito minutos de jogo e foi imediatamente assistido não só pela equipa médica do Aveiro Basket como dos elementos do INEM presentes no pavilhão.

Natural de São João da Madeira, Paulo Pinto começou a carreira no clube local, o Sanjoanense, e depois juntou-se ao FC Porto, onde foi uma das figuras maiores dos três campeonatos nacionais conquistados pelos dragões entre 1995 e 2000. Internacional pela seleção portuguesa em 65 ocasiões, o poste tentou apostar numa carreira internacional mas acabou por não ser muito feliz nos espanhóis do Gran Canaria. Regressou a Portugal e acabou por assinar pelo Aveiro Basket, já que o FC Porto exerceu o direito de preferência mas não cobriu a proposta da equipa da região Centro. O jogador foi homenageado pela Liga portuguesa de basquetebol, pela totalidade dos clubes mas principalmente pelo Sanjoanense, que batizou o pavilhão do clube com o nome de Paulo Pinto.

Sami Khedira

O médio alemão da Juventus foi operado ao coração no passado mês de fevereiro. Na antevisão da visita da equipa italiana ao Atl. Madrid, que a Juventus acabaria por perder por 2-0, o treinador Massimiliamo Allegri explicou que Khedira não integrava a convocatória para o jogo dos oitavos de final da Liga dos Campeões devido a uma arritmia cardíaca detetada num exame de rotina.

Apenas dias depois, a equipa de Cristiano Ronaldo revelou em comunicado que o alemão tinha sido operado “com sucesso” e que deveria regressar aos relvados “dentro de um mês”, algo que entretanto já aconteceu. “Sami Khedira foi submetido a um estudo eletrofisiológico e intervenção terapêutica bem sucedida, realizada pelo professor Fiorenzo Gaita, consultor de cardiologia da Juventus. Após um curto período de convalescença, o jogador poderá retomar a atividade dentro de um mês”, podia ler-se na nota divulgada pela Juventus.

Cristiano Ronaldo

O avançado português também foi submetido a uma cirurgia ao coração. No livro “Mãe Coragem”, Dolores Aveiro revelou que Cristiano Ronaldo foi operado devido a uma arritmia detetada quando tinha 15 anos e atuava nas camadas jovens do Sporting.

“Um telefonema de um médico do Sporting deixou-me gelada. As minhas pernas enfraqueceram. O meu filho teve um problema. ‘É muito cedo para um diagnóstico definitivo, mas o seu filho pode não voltar a jogar futebol’, foi o que me disseram”, contou a mãe do avançado da Juventus.  Cristiano Ronaldo foi intervencionado e “semanas depois já andava a correr”, segundo Dolores Aveiro.

Gonçalo Paciência

No final de 2016, o atual avançado do Eintracht Frankfurt, então com 23 anos, deslocou-se de propósito da Grécia a Portugal para ser examinado pelo cardiologista que o seguia anteriomente. O jogador português sentiu-se mal durante um treino do Olympiacos, onde estava emprestado pelo FC Porto, esteve sujeito a um período de vigilância ainda na Grécia e foi submetido a vários exames de diagnóstico — o resultado “sem nada de anormal”, como revelou na altura o clube grego, não impediu Paciência de viajar até Portugal.

O jovem jogador, filho de Domingos Paciência, decidiu regressar a Portugal para ser observado pelo cardiologista que o acompanhava quando jogava no FC Porto, na Académica, no Rio Ave e no V. Setúbal e que estava a par do historial clínico do avançado — já que esta não foi a primeira vez que Gonçalo Paciência sentiu um desconforto relacionado com o coração. Em 2013, com apenas 19 anos, o jogador teve as primeiras suspeitas de problemas cardíacos e foi mesmo afastado da preparação da seleção de sub-20 para o Mundial da categoria.

Rubén de la Red

Em outubro de 2008, durante um jogo do Real Madrid com o modesto Real Unión, a contar para a Taça do Rei, Rúben de la Red, na altura com 23 anos, colapsou em campo devido a uma síncope cardíaca e foi hospitalizado. O médio espanhol, que à exceção de uma temporada ao serviço do Getafe nunca representou outra equipa que não os merengues, recuperou mas não chegou a regressar aos treinos — três meses depois do incidente, em dezembro, o Real Madrid anunciou que de la Red iria falhar o resto da temporada de forma preventiva. 

O médio falhou também a temporada seguinte por conselho médico, já que os exames se mostraram inconclusivos. Raúl Albiol, contratado pelo Real Madrid no verão de 2009, ficou com a camisola 18 de de la Red mas chegou a dizer que tinha “a certeza” de que iria devolver o número ao médio. Em novembro do ano seguinte, com apenas 25 anos e depois de uma luta institucional com o clube, já que os merengues tentaram alegar que o problema do espanhol era “comum”, de forma a anular o contrato e não serem obrigados a pagar os restantes salários previstos, Rúben de la Red terminou a carreira e ficou no Real Madrid enquanto treinador das camadas jovens.

“Sempre sonhei ser futebolista e triunfar com o Real Madrid. Hoje, um problema de coração obriga-me a anunciar o abandono, mas acredito que posso começar uma nova etapa na minha vida, na qual, como sempre fiz, darei o máximo para alcançar sucesso. Se num futuro não muito longínquo a medicina avançar o suficiente e me der uma certa margem…mas sem um diagnóstico concreto, voltar a jogar não será o mais recomendável”, disse o médio espanhol na conferência de imprensa onde anunciou, de forma emocionada, que não voltaria a jogar futebol.

Abdelhak Nouri

O médio holandês sofreu um problema cardíaco aos 72 minutos do particular entre o Ajax e o Werder Bremen, na Áustria. Quando a bola estava a circular entre os jogadores do conjunto holandês, percebeu-se que o jovem de 20 anos não estava bem: começou a cambalear, fez sinal para o banco de que precisava de assistência e caiu no relvado. Os médicos entraram de imediato em campo, após interrupção do jogo pelo árbitro, e estiveram largos minutos a assistir o médio, que acabou por abandonar o estádio de helicóptero para uma unidade hospitalar.

De acordo com a imprensa holandesa, terão sido feitas tentativas de reanimação no relvado, perante o olhar desolado dos companheiros de equipa que, mesmo estando junto ao banco de suplentes, perceberam de imediato a gravidade da situação. Alguns não evitaram as lágrimas, outros ficaram a rezar por Nouri. O encontro foi suspenso após a longa interrupção, quando os alemães venciam por 2-1.

O clube holandês começou por anunciar que o “problema cardíaco era grave”, mas entretanto avançou que “o estado do jogador” era “estável”. “Está estável, tem batimento cardíaco e está a dormir”, disse o Ajax. Cinco dias depois, porém, o clube de Amesterdão acabou por revelar que Nouri tinha sofrido “danos cerebrais graves e permanentes” que o impediam de alguma vez regressar aos relvados. O médio ficou em coma até agosto de 2018, altura em que terá acordado, já que as informações quando ao real estado de saúde de Nouri não são totalmente assertivas — de acordo com a imprensa holandesa, contudo, o antigo jogador, atualmente com 22 anos, consegue reconhecer os amigos e a família e comunicar ao mexer a boca e as sobrancelhas.

Em junho do ano passado, o Ajax anunciou que uma investigação ao episódio concluiu que a assistência feita a Nouri ainda no relvado foi “inadequada”: a família do jovem holandês processou então a Federação Holandesa de Futebol, alegando que a demora na reanimação de Nouri foi a causa dos danos cerebrais. O médio, que foi treinado por Marcel Keizer no Ajax e faz parte da geração de ouro de Amesterdão que está agora na equipa principal — com De Jong, De Ligt, Onana e Van de Beek à cabeça –, é repetidamente homenageado por antigos colegas de equipa, não só no clube como nas seleções jovens, que escolheram o número 34 que era de Nouri na altura em que chegaram a outros clubes.