O Evereste é o ponto do planeta mais ambicionado por exploradores que apontam como meta o topo, pela primeira vez atingido em 1953. Mas a montanha mais alta do mundo tem hoje um novo monte: lixo deixado pelos mesmos exploradores. Uma equipa de voluntários comprometeu-se agora a fazer certamente uma das maiores limpezas do mundo, noticia a CNN. E até já foram recuperados corpos humanos.

A limpeza, levada a cabo por uma equipa de 14 voluntários, já teve efeitos imediatos: 3.000 quilos de lixo já foram retirados da montanha em apenas duas semanas. O objetivo? Recolher 10.000 quilos em 45 dias.

“Esta campanha de limpeza vai continuar nas próximas temporadas e tem o objetivo de limpar a montanha mais alta do mundo. É nossa responsabilidade manter as montanhas limpas”, disse Dandu Raj Ghimire, chefe do departamento de turismo do Nepal.

O lixo recolhido na Campanha de Limpeza do Evereste inclui latas, garrafas, plástico, material de escalada e até fezes humanas. O lixo está a ser apanhado com o auxílio de um helicóptero militar e a equipa vai agora subir ainda mais alto para recolher mais despejos.

A equipa também já encontrou quatro corpos, segundo a CNN. Os cadáveres foram localizados na montanha, a 8,848 metros de altitude.

Mundialmente conhecida como a montanha mais alta do mundo, o Evereste é também descrito como o “aterro mais alto do mundo”. Segundo o Comité de Controlo de Poluição de Sagarmatha, mais de 12.000 quilos de lixo encontrado num acampamento foram despejados num aterro local. O aterro evita que o lixo desça a montanha e polua as fontes de água locais.

As fezes humanas não se decompõem em temperaturas abaixo de zero e dão origem a gases nocivos. O Projeto de Biogás do Monte Evereste pretende ainda transformar fezes humanas encontradas na montanha em gás metano. Um dia, este gás pode fornecer energia para aldeias locais.

A poluição no Evereste é um problema com o qual o governo do Nepal se debate há várias décadas. Todos os anos, montanhistas de todo o mundo tentam subir ao topo da famosa montanha. O aumento substancial do número de visitantes ao longo dos últimos anos teve um profundo impacto no ecossistema da montanha.

Segundo Ben Fogle, embaixador das Nações Unidas das regiões selvagens, garantir a mínima poluição possível na montanha é essencial. Em declarações à CNN, o escritor e apresentador britânico elogia as autoridades do Nepal pela luta pela conservação do Evereste.

Mas não só o lixo ameaça a montanha. As mudanças climáticas e o aquecimento global estão a provocar o acelerado derretimento do gelo na montanha. Com o derretimento, estão a ser encontrados cada vez mais cadáveres, expostos pelo degelo da montanha.

De acordo com a CNN, mais de 200 montanhistas morreram na montanha desde 1922, quando foram reportadas as primeiras mortes no Evereste. A maioria dos corpos terá permanecido debaixo dos glaciares e do gelo.

O topo do Evereste foi pela primeira vez atingido por Sir Edmund Percival Hillary e Tenzing Norgay, no dia 29 de maio de 1953.