O número de pessoas afetadas pelo ciclone Kenneth no Norte de Moçambique subiu para cerca de 227.000, à medida que os levantamentos são concluídos, anunciaram as autoridades do país.

A última atualização mantém o número de mortes contabilizadas em 41 e os feridos em 93. Os acessos têm sido reestabelecidos e tem sido possível chegar a áreas onde ainda não tinha sido concluído o levantamento de prejuízos.

Há 25 distritos com pessoas afetadas, ou seja, habitantes que tiveram algum tipo de prejuízo, mas a maioria estão em cinco: Macomia (85.225), Mueda (25,680), Chiure (24.435), Quissanga (21.154) e ilha do Ibo (15.000).

O número de centros de acomodação e pessoas alojadas continua a aumentar e ascende agora a 40 centros com 20.351 pessoas. Há ainda 410 salas de aula com prejuízos, afetando 40.944 alunos. Na área da saúde, 17 centros de saúde da região foram afetados.

A extensão de danos nos campos agrícolas — sobretudo agricultura de subsistência – faz temer o aumento da fome nos próximos meses, com o total de campos afetados a chegar a 31.431 hectares.

Há 16.806 casas completamente destruídas e 23.300 com prejuízos parciais, sendo que se trata quase todas de casas de construção precária, com recurso a estacas de madeira, barro, capim e chapas de zinco.

No dia 24 de abril, o ciclone Kenneth tornou-se no primeiro a atingir o Norte de Moçambique desde que há registos meteorológicos e foi classificado com um grau de destruição de categoria quatro (numa escala de um a cinco, do mais fraco ao mais forte).

Moçambique foi pela primeira vez atingido por dois ciclones na mesma época chuvosa (de novembro a abril), depois de o ciclone Idai, de categoria três, ter provocado 603 mortos, em março, no centro do país.