Curto e grosso. No habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes afirmou que António Costa teve “a melhor prestação política desde que é Primeiro-Ministro”, enquanto Rui Rio (PSD) e Assunção Cristas (CDS) “cometeram um grande erro”.

“Tivemos uma crise de fim semana, começou na sexta e acabou hoje. António Costa bateu o pé, ameaçou demitir-se, dramatizou, PSD e CDS foram obrigados a recuar e ele pôs ordem na casa e terminou a crise”, resumiu Marques Mendes este domingo à noite.

Em causa está a eminente crise política vivida nos últimos dias, depois de o primeiro-ministro ter ameaçado demitir-se na passada sexta-feira caso o diploma negociado no Parlamento entre a esquerda e a direita fosse aprovado.

Na opinião de Marques Mendes, António Costa “teve um discurso responsável” ao rejeitar uma decisão que é “financeiramente insustentável” e ao apelar a um sentido de equidade, tendo em conta que, além dos professores, foram muitos os portugueses que sofreram com a crise económica, incluindo “trabalhadores no privado, desempregados, pensionistas e jovens que emigraram”.

António Costa mostrou ainda inteligência política. Há uns meses o Governo estava “em dificuldades” — sentidas na campanha para as eleições europeias, na geringonça por causa da Lei de Bases da Saúde e ao nível da imagem, com o PM a cair nas sondagens. Agora, está ao ataque. “[Costa] Encontrou aqui uma oportunidade para da defesa passar ao ataque.”

Um terceiro comentário sobre a prestação do PM tendo em conta o diploma sobre o descongelamento das carreiras dos professores resvala para uma certa dose de “oportunismo político”:

Porque é que António Costa pode fazer isto? Por ingenuidade do PSD e do CDS. Ingenuidade ou amadorismo ou desleixo, seja o que for. Quem deu de mão beijada a oportunidade de António Costa fazer o tal teatro? Rui Rio e Assunção Cristas. Deram-lhe uma passadeira vermelha. Colocaram-se a jeito. Deram a António Costa esta oportunidade e António Costa, como é um profissionalão da política, aproveitou-a.

Já PSD e CDS cometeram “erro enorme” ao aliarem-se em matéria financeira e orçamental ao PCP e BE, partidos incompatíveis nesse campo com PSD e CDS, e ao terem posto em causa a sua credibilidade política:

Se o PDS e o CDS estivessem no Governo, como já estiveram várias vezes, nunca na vida aprovariam uma medida desta natureza. Nunca, jamais. Da minha vastíssima experiência governativa, nenhum ministro das Finanças, do PSD ou do CDS, alguma vez daria autorização ou aval a uma coisa destas.

Em causa está também um erro de imagem, dado que PSD e CDS passam de “rigorosos a despesistas”, além de perdem “no plano do discurso”.

“Se António Costa for uma pessoa grata, não sei se é, devia mandar um cartãozinho ao Rui Rio a agradecer e um ramo de flores à Assunção Cristas. Eles colocaram-se a jeito.”

PSD e CDS fizeram bem em “arrepiar caminho”

Perante o que aconteceu, tanto PSD como CDS tinham duas hipóteses: ou insistiam no erro ou arrepiavam caminho. “Com isto, eles tiveram uma derrota na opinião pública. Se insistissem no erro iam ter mais duas derrotas”, continuou Marques Mendes referindo-se ao “eventual veto político” do Presidente da República e também às eleições antecipadas em junho. “Era pior ter eleições em junho do que em outubro.” Ao arrepiar caminho, tanto PSD como CDS “fizeram bem”.

Sobre a recente declaração de Rui Rio, Marques Mendes afirmou que se o líder do PSD tivesse dito na sexta-feira de manhã o que disse este domingo ao final do dia, “o problema não tinha existido”. “Essa é a pergunta difícil de responder”, atirou, referindo-se ao porquê de Rui Rio ter demorado a reagir.

“[PSD e CDS] deviam estar atentos”, comentou ainda a propósito de alguma impreparação política por parte de ambos os partidos. “O grande ganhador é António Costa e o Partido Socialista, enquanto Rui Rio e Assunção Cristas perderam autoridade. António Costa salvou as eleições europeias. (…) A partir de agora, António Costa vai fazer de tudo para tentar ter uma maioria absoluta.”