A Yntenzo é uma marca da Nortemepresa, “a primeira fábrica nacional de perfumes”, fundada em Braga em 2006. “Portugal importa artigos de perfumaria seletiva e nós queremos contrariar isso. Já tínhamos a experiência e o conhecimento necessários, pelo que decidimos criar uma marca 100% portuguesa com conceito de perfumaria artesanal de nicho, preenchendo esta lacuna no mercado. Sabíamos que tínhamos o savoir-faire necessário para criar um projeto singular, bem diferente do que se encontra atualmente no mercado”, revela Daniel Vilaça, CEO da empresa, em entrevista ao Observador. Dar a conhecer “a arte da perfumaria portuguesa” é um dos objetivos da marca, com uma loja aberta desde o final do ano passado no centro de Braga e uma outra em Chaves.

Esta perfumaria artesanal trabalha com fragrâncias “muito exclusivas”, feitas com ingredientes naturais, oriundos de diferentes partes do mundo. As essências podem demorar um ano a serem desenvolvidas e vão do sândalo, jasmim, oud, vetiver, âmbar, café, baunilha ou alfazema. Um perfume é criado em pouco meses, fica em estágio cerca de dois, e pode conter mais de 200 ingredientes, seja ele crítico, floral, oriental, frutado ou amadeirado. A marca tem gamas para homem, mulher e premium, uma linha de perfumes sem género, que variam entre a lima, pimento verde, cedro, rosas, whishkey ou tabaco, “considerados já uma das principais características” da marca. Há ainda velas e ambientadores para a casa e leites, cremes e gel de banho para o corpo.

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A preocupação ambiental faz parte do ADN da Yntenzo, que além de não utilizar nos seus perfumes ingredientes com origem animal, usa frascos de vidro e não de plástico, etiquetas de tecido e embalagens feitas à mão a partir papel reciclado. “Todos os produtos são fabricados em Portugal com práticas eco-friendly e cruelty free”, sublinha o fundador.

A portugalidade é “uma referência e uma inspiração” ao longo do processo de produção da Yntenzo, que se revela nas ilustrações estampadas nas embalagens através de elementos como a calçada portuguesa ou os icónicos azulejos. “A história e os costumes portugueses estão presentes na identidade da Yntenzo através de vários detalhes, pois sentimos a necessidade de honrar o nosso país através da arte da perfumaria”, sublinha Daniel Vilaça, fundador da marca.

Leve para casa um perfume feito por si

Em Braga, a Yntenzo tem uma Experience Store, “um conceito inovador em Portugal”. Segundo o responsável, dentro de portas criam-se verdadeiras viagens olfativas através de workshops de perfumaria, onde o cliente pode fazer o seu próprio perfume com a ajuda de um especialista na matéria. Em cada sessão é possível aprender a arte da perfumaria artesanal, conhecer diferentes fragrâncias ou conhecer as particularidades de cada nota, escolhendo os aromas que mais lhe agradam. No final o cliente pode levar para casa o seu próprio perfume, dentro de um frasco personalizado com o seu nome ou com a mensagem que desejar.

Os workshops funcionam com marcação prévia e podem ter a duração de 60 minutos, 90 minutos ou três horas, dependendo do nível de aprendizagem que o cliente pretender “Esta experiência não tem limites e está aberta à criatividade de cada um, por exemplo, um casal de noivos que pode criar um perfume exclusivo para o dia de casamento”, destaca o fundador, Daniel Vilaça, de 39 anos.

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Próximo passo: Museu do Perfume

“Não queríamos apresentar só uma perfumaria, o objetivo sempre passou por mostrar um pouco da história da perfumaria em Portugal e dar a conhecer esta área dos perfumes artesanais”, acrescenta o responsável pela Yntenzo. Bastante iluminada e com um design minimalista, a loja tem três andares e algumas novidades a caminho. “No primeiro piso temos as nossas coleções expostas, o laboratório de perfumaria e um espaço para exposição da icónica marca ‘Confiança’. No segundo piso há uma sala mais reservada onde ocorrem os workshops. Por último, temos um terceiro piso, que ainda não se encontra aberto ao púbico, mas que muito em breve será um Museu do Perfume”, avança Daniel Vilaça ao Observador, acrescentando que para já não estão previstas aberturas de novas lojas.

Sem ainda adiantar muito sobre o que será este museu, Daniel afirma que a ideia está neste momento em fase final do projeto, e que a aqui pensa “conclui-lo até ao final de setembro”. O espaço será dedicado à produção de perfumes e quem o visitar vai poder conhecer o processo produtivo artesanal, das colheitas das flores à destilação dos óleos essenciais, dos mecanismos de mistura à filtragem. “Todos os passos na preparação de um perfume estarão aqui representados”, garante o CEO formado em design. O museu terá também “uma vertente mais sensorial”, com várias experiências olfativas, que, segundo o responsável, “farão as delícias dos amantes do filme ‘O Perfume’”.