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Deputada do PS consegue 276 mil euros de fundos europeus para empresa do pai

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Só podiam candidatar-se ao fundo da UE projetos ainda em construção. Não era o caso mas a deputada socialista Hortense Martins tentou à mesma. Viu aprovados dois subsídios para a empresa do pai.

Hortense Martins é líder do PS de Castelo Branco e mulher do atual presidente da câmara, Luís Correia

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Os casos remontam a 2010 e 2013 e envolvem Hortense Martins, deputada líder do PS – Castelo Branco e membro da Comissão Política Nacional do Partido; a Investel, uma empresa do pai da socialista, de que ela própria era gerente à data, e proprietária da Herdade do Regato; a Adraces, uma associação de desenvolvimento regional de que era diretor-executivo António Realinho, um economista desde 2018 a cumprir uma pena de quatro anos e meio de prisão por burla e falsificação; e o então presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Joaquim Mourão, que na altura tinha como vereador Luís Correia — que hoje lhe ocupa o cargo e é casado (como já era à época) com Hortense Martins.

A notícia, avançada esta segunda-feira pelo Público, revela os procedimentos que terão levado, primeiro em 2010, depois em 2013, à atribuição de dois fundos comunitários do ProDer (Programa de Desenvolvimento Rural), no valor de 171 mil euros e de 105 mil euros, à Investel. O dinheiro destinava-se à construção de um “Centro de Lazer e Turismo Gastronómico” e de uma unidade de turismo rural na Herdade do Regato, uma propriedade de 9 hectares em Póvoa de Rio de Moinhos, nos arredores de Castelo Branco.

Detalhe: apesar de a não conclusão dos projetos ser um dos critérios de admissão ao fundo e de os espaços da Investel estarem não só acabados mas até, no primeiro caso, a funcionar há já dois anos, a Adraces, que era quem tinha esse poder, delegado por parte dos órgãos de gestão dos fundos europeus, aprovou as candidaturas.

Ao Público, que revela ainda que as obras da Herdade do Regato terão começado em 2006 e sido licenciadas pela autarquia apenas em julho de 2007, Hortense Martins recusou responder sobre o assunto, remetendo as questões para a empresa, de que já não será gerente desde junho de 2011. Já a atual direção da Adraces justificou a concessão dos subsídios com a possibilidade prevista na lei de financiar “investimentos já executados, mas não concluídos”. De acordo com o Público, na primeira candidatura, em 2010, a deputada do PS explicou efetivamente que o projeto, aberto desde 2008, ainda estava por acabar: faltava o investimento “referente à aquisição de prateleiras e outro material para a zona de bar”.

Hortense Martins já tinha sido notícia há cerca de um mês, depois de o Observador revelar que os deputados da Comissão de Ambiente, em viagem de trabalho à região de Castelo Branco e com uma reunião marcada com o autarca Luís Correia, tinham ficado alojados no Hotel Rainha D. Amélia, de que a Investel — e, por conseguinte, a deputada — também é proprietária.

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