Assalto em Tancos

Tancos. António Costa diz que só soube do documento sobre a recuperação do material um ano depois de ter sido entregue

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O primeiro-ministro diz nas respostas à comissão de inquérito que apenas no dia da demissão do ex-ministro da Defesa Nacional soube dos detalhes sobre a operação para recuperar o material furtado.

O documento em questão foi entregue a Azeredo Lopes a 20 de outubro de 2017. Costa só o terá recebido a 12 de outubro de 2018

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

António Costa diz que apenas recebeu o documento sobre a recuperação do material furtado em Tancos no próprio dia da demissão de Azeredo Lopes, ou seja, um ano depois de o documento ter sido entregue no gabinete deste pelo antigo diretor nacional da Polícia Judiciária Militar (PJM). A posição do primeiro-ministro surge nas respostas por escrito que o próprio enviou à comissão de inquérito sobre o caso, avança o Diário de Notícias, e vai de encontro ao que os o seu chefe de gabinete já tinha avançado quando inquirido na comissão.

O “documento não assinado, não datado e não timbrado” tinha sido entregue pelo coronel Luís Vieira ao gabinete de Azeredo Lopes a 20 de outubro de 2017. António Costa diz que só recebeu o documento na manhã de 12 de outubro de 2018 – o dia em que Azeredo Lopes lhe apresentou a demissão, revelam as respostas à comissão de inquérito sobre as responsabilidades e consequências políticas do furto do material de guerra nos paióis de Tancos, em junho de 2017.

Quando mostrou o documento a Azeredo Lopes, disse António Costa, ficou “com a convicção de que o ex-ministro da Defesa Nacional nunca o tinha visto anteriormente”. O primeiro-ministro remeteu pormenores sobre a saída do cargo de Azeredo Lopes para o comunicado emitido naquela altura e limitou-se a dizer que o pedido de demissão foi apresentado pelo próprio e aceite por si.

António Costa disse ter sabido da recuperação do material furtado no próprio dia e através do então ministro da Defesa Nacional Azeredo Lopes, com o qual nunca abordou a existência – nem nunca soube – de uma investigação paralela da Polícia Judiciária Militar relativamente à da PJ. O primeiro-ministro acrescentou também que não soube do despacho em que a Procuradora-Geral da República (PGR) retirou à Judiciária Militar a condução do caso (a 4 de julho de 2017), mas que tomou conhecimento de uma chamada telefónica que a própria Joana Marques Vidal fez para o então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, dando conta de que no dia da recuperação do material de guerra na Chamusca tentou telefonar várias vezes para o diretor da PJM, Luís Vieira, e que ele nunca a atendeu. O primeiro-ministro disse ainda que Azeredo Lopes o informou que a magistrada iria avançar com um processo disciplinar contra o responsável da PJM por ter conduzido uma investigação que tinha entregue à PJ civil — não lhe dando qualquer conhecimento das diligências que levaram ao achamento das armas.

Segundo o documento que contém as respostas do governante, e a que o Observador teve acesso, António Costa lembra que nunca desvalorizou a questão de Tancos ” e agiu em conformidade com a avaliação efetuada pelas autoridades competentes de que não se justificava alterar o grau de ameaça à segurança interna”.

No quadro das suas responsabilidades, o Governo atuou corretamente e com o sentido de Estado que as circunstâncias impunham, adotando ou promovendo a adoção imediata de todas as medidas adequadas no quadro dos procedimentos estabelecidos”, lê-se.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no caso de Tancos começou em novembro e nela foram ouvidos dezenas de militares, polícias, elementos da Procuradoria Geral da República e do Sistema de Segurança Interna. As perguntas ao primeiro-ministro foram feitas por escrito e conhecidas esta quarta-feira. As conclusões deverão ser conhecidas em junho.

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