Desaparecimentos

“A única coisa que não aconteceu foi um rapto”. Novo documentário sobre Madeleine McCann estreou este domingo

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"The Madeleine McCann Mistery" estreia às 23h no no canal ID - Investigation Discovery. Gonçalo Amaral é um dos participantes. "Os lençóis estavam como se ninguém tivesse estado deitado", recordou.

A menina britânica desapareceu há 12 anos, no dia 3 de maio de 2007, na Praia da Luz, no Algarve

ID

Promete ser “imparcial” e analisar o que “realmente aconteceu naquela fatídica noite, há 12 anos”. O novo documentário sobre o desaparecimento de Maddie, “The Madeleine McCann Mistery”, que cria uma linha cronológica desde o momento em que a criança britânica desapareceu, na Praia da Luz, no Algarve, a 3 de maio de 2007, estreou este domingo, no canal ID – Investigation Discovery — no fim de semana em que se assinala o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas.

Durante duas horas, o documentário analisa ao detalhe cada uma das linhas de investigação traçadas e seguidas pelas autoridades. “Existe alguém que sabe realmente o que aconteceu a Madeleine. É por isso que queremos envolver os nossos espectadores, de forma a trazermos uma atenção renovada a este caso desolador esperando que possamos fazer justiça, de uma vez por todas”, afirma Henry Schleiff, presidente do Investigation Discovery. “O desaparecimento de Madeleine McCann é o pesadelo de todos os pais: a nossa filha desaparece de um quarto de hotel, num país estrangeiro, sem deixar rasto”, disse ainda Henry Schleiff.

O programa conta com a participação de especialistas e jornalistas norte-americanos que acompanharam o caso, mas também com os testemunhos dos principais intervenientes na história. Um deles é Gonçalo Amaral, o ex-inspetor da Polícia Judiciária (PJ) responsável pelo caso, que começa por recordar o cenário que encontrou no quarto onde Madeleine McCann se encontrava a dormir antes de desaparecer:

Os lençóis estavam como se ninguém tivesse estado deitado e a manta que ela costumava usar para dormir, estava impecavelmente dobrada na cabeceira da cama”.

Naquele preciso momento, recorda Gonçalo Amaral, “não havia elementos que apontassem para um rapto”. “No entanto, havia a necessidade de continuar a investigação”, acrescenta. Assim foi: os inspetores da PJ de Portimão começaram a investigar um caso que viria, sem que pudessem prever, a ganhar uma dimensão mediática para a qual “nenhum investigador está preparado”. “Os policias não estão habituados a trabalhar sob esta pressão“, aponta Gonçalo Amaral.

Ainda assim, os investigadores chegaram à conclusão de que “esta morte teria sido acidental”, diz Gonçalo Amaral, alertando para o facto de que os gémeos, irmãos de Maddie, estariam a dormir e “ficaram assim durante várias horas, apesar do barulho dentro do apartamento”. O ex-inspetor afirma no documentário que este detalhe levou a equipa a “pensar que tanto a Madeleine como os gémeos tomaram uma droga chamada Calpol, que ajuda as crianças a adormecer”.

O avô das crianças admitiu numa entrevista que Kate costumava dar a Maddie e aos gémeos Calpol, para adormecerem”, adianta ainda Gonçalo Amaral.

Francisco Moita Flores: “Estou convencido de que a única coisa que não aconteceu foi um rapto”

O ex-inspetor acabou por deixar a investigação em outubro daquele ano pela “força dos media” e pelo “facto de a imprensa britânica nos acusar de mil coisas”. Gonçalo Amaral diz ainda não ter “dúvidas” de que o seu afastamento foi uma questão política”. Francisco Moita Flores, antigo inspetor, também é um dos entrevistados para o documentário — e aquele cujas declarações prometem ser as mais polémicas.

Estou convencido de que a única coisa que não aconteceu foi um rapto. Aconteceu outra coisa qualquer. Pode ter sido um acidente, pode ter sido um crime deliberado, podem ter sido várias coisas, mas o que é certo é que há uma enorme probabilidade de aquela criança ter morrido na Praia da Luz“, declara.

Fernando Pinto Monteiro, procurador-Geral da República de então também entra no documentário. Nele, explica que fechou o caso depois de confirmar “que não havia provas novas” e que está com a consciência “cem por cento limpa”. O caso foi arquivado em julho de 2008.

Estes crimes são muito difíceis de investigar. Neste caso a minha consciência está cem por cento limpa. Não há mais nada que pudesse ter feito”, adiantou Pinto Monteiro.

Este não é o primeiro documentário sobre este misterioso caso. No início de maio, a plataforma de streaming Netflix lançou “O Desaparecimento de Madeleine McCann”, que apontava para a teoria de a criança estar viva depois de ter sido raptada por um grupo ligado ao tráfico de pessoas.

A investigação — em Portugal e no Reino Unido — ainda está em curso. No início deste mês, foi divulgada a notícia de que a PJ portuguesa teria novas pistas e até um novo suspeito. Sem revelar pormenores, a PJ enviou um comunicado às redações onde não confirmava nem desmentia as informações.

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