“Sua majestade, querido Felipe: ao largo destes últimos anos desde que abdiquei da Coroa de Espanha a 2 de junho de 2014, que tenho vindo a desempenhar várias atividade institucionais com a mesma ânsia de serviço a Espanha e à Coroa que inspirou o meu reinado”. É assim que começa a carta que Juan Carlos enviou ao filho a dizer que “cinco anos depois”, no próximo dia 2 de junho, vai cessar toda essa sua participação na vida pública, avança o El País.

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O antigo rei de Espanha tem 80 anos e diz que estava a “matutar esta ideia”, de deixar de participar de atos públicos, desde que celebrou este último aniversário. Além disso, Juan Carlos afirma que a “inesquecível” celebração dos 40 anos da constituição espanhola o fizeram ter a certeza de que agora seria o momento certo para afastar-se definitivamente.

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[A celebração dos 40 anos da constituição espanhola] Foi um ato solene cheio de emoção para mim, que me fez evocar, com orgulho e admiração, a recordação de tantas pessoas que contribuíram para fazer que tornaram possível a transição política e renovaram o meu sentimento de gratidão permanente com o povo espanhol, o verdadeiro artífice e principal protagonista daquela etapa transcendental da nossa história recente”, escreve Juan Carlos.

Foi com esta carta que Juan Carlos “expressou a vontade e desejo” de cessar as atividades institucionais. “Tomo esta decisão com o grande carinho e orgulho de pai que sinto por ti, com a minha lealdade de sempre. Um grandessíssimo abraço do teu pai”, termina a escrever o antigo rei de Espanha.

Podem os escândalos do pai Juan Carlos abalar o trono do filho Felipe?

Quando o rei emérito de Espanha abdicou do cargo em 2014 estava já envolvido em várias escândalos e polémicas. Relações extraconjugais, casos de corrupção e até caçadas, o nome de Juan Carlos estava, e ainda continuar a estar, ligado a uma imagem que da monarquia espanhola que esta quer mudar.

Foi a transição para Felipe VI que permitiu à família real conquistar de novo a aprovação da maioria do espanhóis. Em 2014 os índices de aprovação desceram para os mínimos máximos desde a ditadura.