A porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye, reafirmou este domingo que a França, contrária à pena capital, intervém “ao mais alto nível”, após a condenação à morte no Iraque de um nono francês por pertencer ao grupo extremista Estado Islâmico.

“A posição da França foi sempre a mesma (…) Quando os nossos cidadãos em todo o mundo estão após uma condenação face a uma potencial pena de morte, nós intervimos ao mais alto nível do Estado”, declarou Ndiaye durante um programa de rádio.

Dois franceses foram este domingo condenados à morte no Iraque, após a rejeição de alegações de tortura feitas por um deles, fazendo aumentar para nove o número de ‘jihadistas’ franceses condenados à pena capital nas duas últimas semanas.

Fodil Tahar Aouidate, 32 anos, e Vianney Ouraghi, 28, foram considerados culpados de pertencerem ao grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), um crime passível da pena de morte no Iraque, tenha o acusado combatido ou não.

Aouidate tinha dito ao juiz na sua primeira audiência na segunda-feira que tinha sido espancado pelos seus interrogadores iraquianos “para confessar o que eles queriam”. Hoje, o juiz leu um relatório médico realizado após o réu ter sido examinado e concluiu que não havia “indícios de tortura no seu corpo”.

Grupos de defesa dos direitos humanos têm chamado a atenção para o modo como aqueles acusados estão a ser julgados, de modo apressado em tribunais de contraterrorismo, questionando se está a ser feita justiça.

Sibeth Ndiaye lembrou também hoje a posição da França de que “a justiça iraquiana é feita em boas condições, com uma defesa que está presente”.

“Os franceses que deixaram o seu país para pegar em armas contra o seu país através de ações terroristas — é preciso lembrar do que falamos — têm o direito como os outros à proteção consular. São acompanhados no local pela nossa embaixada, incluindo para conhecerem o direito iraquiano e os seus próprios direitos”, adiantou.

Embora vários membros europeus do EI tenham sido condenados à morte no Iraque, ainda nenhum foi executado. Os condenados franceses integram um grupo de 12 cidadãos do país que foram detidos na Síria pela aliança árabe-curda e entregues ao Iraque em janeiro.