O novo Corsa é uma agradável surpresa, apesar de os alemães admitirem que foi o modelo concebido no mais curto espaço de tempo na história da marca. Isto porque existia um “outro” Corsa que já estava num estágio muito avançado de desenvolvimento, quando os franceses da PSA adquiriram a Opel aos americanos da General Motors (GM), pelo que foi necessário recomeçar tudo de novo, desta vez com plataforma e motorizações gaulesas.

Face à anterior geração, o novo Corsa é só vantagens, a começar por estar montado num chassi novo e actual, o que lhe permite reduzir o peso em 100 kg, propondo as versões mais simples com cerca de 1.000 kg. O comprimento do utilitário aumentou pouco (4,02 para 4,06 metros), a registar-se igualmente um incremento na distância entre eixos – isto acreditando nos responsáveis do construtor, uma vez que não foram divulgados dados específicos (o novo Peugeot 208, que partilha a mesma plataforma, tem 2,54 m entre eixos, contra 2,51 do Corsa antigo).

Eléctrico ou combustão, mas no mesmo “corpo”

A maior evolução do novo Corsa, face à geração anterior, é na estética, com o novo veículo a ser atraente, mais moderno, mas facilmente identificável como um Opel, o que é fundamental numa marca que quer vender particularmente bem em dois dos maiores países europeus, Alemanha e Inglaterra, aqui como Vauxhall. Com carroçaria apenas de cinco portas, o novo utilitário vai propor motorizações a gasolina, diesel e eléctricas, mas sempre com a mesma carroçaria, uma opção comum a todas as marcas da PSA e que colide com as soluções encontradas por todas as outras. Até a VW, que arrancou com um e-Golf igual aos outros, optou por avançar para um ID.3 completamente distinto.

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Questionado acerca dessa opção, o responsável pelo design da Opel, Mark Adams, afirmou que o fabricante fez diversos inquéritos, com os clientes a confessarem “querer um veículo agradável à vista, independentemente de ter motor a gasolina ou eléctrico”, para de seguida admitir que o Corsa-e só se distingue por fora dos restantes modelos da gama pelas jantes mais fechadas, para melhorar a aerodinâmica. Já quando confrontado com a opção de cuidar da aerodinâmica das jantes, sem se preocupar em fechar nenhuma das duas generosas grelhas que a frente exibe, bem como as reentrâncias que alojam os faróis de nevoeiro, Adams atribuiu a opção à necessidade de ar para refrigerar motor e baterias. O que não deixa de ser curioso, especialmente depois de olharmos para os Tesla, Zoe, Leaf e ID.3.

Esta aparente contradição acabou por ser esclarecida por Michael Lohscheller, o CEO da Opel/Vauxhall, para quem “o objectivo das motorizações do Corsa é a máxima versatilidade”, limitando assim as diferenças entre carroçarias e chassis e reduzindo os investimentos, uma vez que a PSA está a apostar nos eléctricos, embora mantenha reservas em relação ao futuro destes.

Como vai ser o Corsa a combustão?

Com Lohscheller a assegurar que a Opel/Vauxhall vai cumprir o limite imposto por Bruxelas, de 95 g/km de CO2 em 2020, o novo Corsa vai estar disponível com motores a gasolina e a gasóleo. Os primeiros recorrem ao 1.2 PureTech de três cilindros, que arrancará com a versão atmosférica de 82 cv, para oferecer em alternativa o sobrealimentado de 100 cv. Mais tarde deverão igualmente surgir versões deste mesmo motor com 131 e 156 cv, como já acontece no DS 3 Crossback.

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Os que percorrem mais quilómetros, ou perseguem custos de utilização mais reduzidos, poderão optar pelo motor 1.5 BlueHDi de 100 cv, que anuncia consumos de 3,2 l/100 km. Além de consumirem menos, logo emitirem menos CO2, os motores turbodiesel modernos não são mais poluentes do que os motores a gasolina, mesmo os sobrealimentados, também eles a terem agora de recorrer a filtros de partículas. Isto leva a Opel a estar confiante que não vão faltar clientes para as suas versões a gasóleo, especialmente porque não estão previstos Corsa electrificados, sejam eles híbridos ou híbridos plug-in, tanto com base em unidades a gasolina como a gasóleo.

E como é o Corsa-e?

O utilitário alemão partilha a plataforma Common Modular Platform (CMP) com o DS 3 Crossback E-Tense, já aqui apresentado, e o futuro Peugeot e-208, sendo que a PSA afirma que os seus eléctricos usam a versão electrificada da plataforma, denominada CMP-e. Essencialmente, consiste em montar um eixo traseiro rígido, em vez do habitual e mais confortável semi-rígido, para deixar mais espaço livre para acomodar as baterias sob o banco traseiro.

O Corsa-e está equipado com um motor de 136 cv no eixo dianteiro, um bom valor para um veículo eléctrico deste segmento, garantindo que vai de 0-100 km/h em 8,1 segundos, com a marca a não revelar a velocidade máxima permitida. Ainda assim, esta não deverá andar longe dos 150 km/h reivindicados pelo DS. Contudo, o motor tem três modos de condução, Eco, Normal e Sport, sendo que os 136 cv só aparecem no modo Sport, o que faz “encolher” um pouco a autonomia, a confirmar-se que o eléctrico alemão recorre à mesma solução já vista no DS 3 Crossback E-Tense. O modo Normal limita a potência a 109 cv (sendo nestas condições que é alcançada a autonomia de 330 km), para depois o modo Eco limitar ainda mais a potência (82 cv).

A bateria tem uma capacidade de 50 kWh, o que é muito mais do que é costume ver nos utilitários (o Zoe tem 41 kWh, com 300 km de autonomia, mas a nova geração será apresentada ainda este ano), o que explica que o Corsa-e anuncie a capacidade de percorrer 330 km entre recargas, o melhor do segmento e sempre em WLTP. As baterias são chinesas e fabricadas pela Catl, sendo que, segundo Christian Muller, responsável pela engenharia da marca, as células são tipo prismáticas (envoltas numa caixa de alumínio) e são enviadas da China para a fábrica da Opel em Saragoça (onde é produzido o Corsa e o MokkaX), onde são montados os packs de 50 kWh e 346 kg de peso.

Não nos foi possível aceder ao interior do Corsa-e, mas pela forma do pack de baterias e pelo que já vimos no DS, os acumuladores ocupam toda a zona sob os bancos anteriores e posteriores, ao contrário do que acontece com o Zoe. A Opel revela que o Corsa eléctrico aceita carga rápida em DC até 100 kW, o que lhe permite atingir 80% de carga em apenas 30 minutos, para depois ter um carregador a bordo que tanto permite alimentar o acumulador a 11 kW, em trifásica, ou a 7,4 kW em AC.

Quais os concorrentes?

O novo Corsa-e vai começar por ter a concorrência do DS 3 Crossback E-Tense (que já conduzimos e que vai ter um preço de 39.000€ em França) e do Peugeot e-208, uma vez que a versão equivalente da Citroën surgirá mais tarde. Todos eles montam baterias com 50 kWh e anunciam autonomias de 340, 330 e 320 km, respectivamente para a Peugeot, Opel e DS.

Se estes são os concorrentes internos, o Corsa eléctrico vai ter igualmente de lidar com o Renault Zoe, que hoje alterna com o Nissan Leaf o estatuto do eléctrico mais vendido na Europa, sendo proposto em Portugal por 32 mil euros (o Leaf está à venda por 35.000€, mas pertence a um segmento superior). Entretanto, vão surgir no mercado três veículos eléctricos mais pequenos, mas com lugar para quatro e autonomias na ordem dos 265 km, cujos preços poderão ser pouco superiores a 20.000€. Referimo-nos ao Seat Mii Electric, Skoda Citigoe iV e VW e-up!.

Michael Lohscheller revela o preço do Corsa-e na Alemanha, bem como o equipamento que oferece de série

Contudo, o modelo que pode causar alguma mossa ao Corsa-e nem sequer pertence ao seu segmento. O novo VW ID.3, que surgirá apenas em 2020, deverá ser proposto por menos de 30.000€. Ora, sendo do segmento C, com níveis de habitabilidade mesmo superiores ao Leaf e logo bastante mais avantajadas do que qualquer utilitário, vai obrigar que os utilitários do segmento B sejam propostos bem abaixo desta fasquia. E como se não bastasse o posicionamento competitivo do ID.3, a Seat vai passar a oferecer igualmente o el-Born, em tudo idêntico ao VW, mas com um preço que tradicionalmente é inferior.

Quando chega a Portugal e por quanto?

O novo Corsa vai abrir as encomendas em Julho (abriram agora na Alemanha), arrancando com o Corsa-e, seguido das variantes diesel e a gasolina, que começam a ser produzidas nesse mesmo mês, enquanto o início da produção da variante eléctrica só está previsto para Janeiro de 2020. Não são ainda conhecidas as motorizações térmicas que inicialmente estarão disponíveis, o mesmo acontecendo com os respectivos preços, mas as primeiras unidades começarão a ser entregues aos condutores nacionais a partir de Novembro/Dezembro.

O Corsa-e surgirá ligeiramente depois dos seus “irmãos” com motores de combustão, sendo que as unidades para entrega aos condutores nacionais têm chegada prevista para princípio do segundo trimestre, muito provavelmente logo em Abril.

Os preços para o nosso país do Corsa-e ainda estão no segredo dos deuses, mas a Opel avançou já com um preço de 29.900€ para o mercado alemão, informando ainda que o modelo contará com um nível de equipamento na versão de entrada mais recheado do que o habitual. Para a Alemanha – sendo possível que a marca reproduza a receita para os restantes países –, o Corsa-e proporá inicialmente duas versões especiais para os primeiros clientes, a Edition por 30.650€ e a First Edition por 32.900€.