O CDS denunciou esta quarta-feira que o Centro Hospitalar do Algarve tem falhado no seguimento de doentes oncológicos, não realizando exames de imagem necessários por falta de capacidade e por não pagar a entidades externas a quem contratualiza exames.

A deputada do CDS Isabel Galriça Neto confrontou esta quarta-feira no parlamento a administração do Centro Hospitalar com casos de “adiamento de biopsias cerebrais” por falta de resposta das unidades hospitalares.

“Tenho conhecimento próximo de doentes oncológicos sem ‘follow-up’ [seguimento] por incapacidade de resposta e porque os equipamentos estão obsoletos. Os exames [de imagem] foram externalizados e quando não há pagamento às entidades há um enorme atraso no ‘follow up'”, indicou Isabel Galriça Neto.

O diretor clínico da instituição, Mohamed Americano, disse não ter qualquer conhecimento de biopsias não realizadas por falta de verbas. Contudo, reconheceu que esta semana se verificou o adiamento de cirurgias a dois doentes com tumores cerebrais por sobrelotação dos cuidados intensivos. Estes dois casos deverão ser ainda operados esta semana, dentro de uma janela de tempo de segurança.

O conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve foi esta quarta-feira ouvido, a pedido do PSD, “a propósito dos atrasos verificados na realização de exames para doentes oncológicos” e sobre a “suspensão das cirurgias programadas dos Hospitais de Faro e Portimão”.

Em causa estava nomeadamente a situação do atraso de um exame pedido ao IPO de Lisboa, que era decisivo para um doente oncológico, que acabou por morrer.

A presidente do conselho de administração, Ana Paula Gonçalves, recusou a ideia de que tal tenha acontecido por constrangimentos financeiros.

Sobre o caso concreto, disse que o hospital enviou o material para a análise para o IPO, como habitualmente, sendo que “nunca antes” tinha sido pedido um termo de responsabilidade.

Foi a falta de envio desse termo de responsabilidade que terá levado a que o IPO devolvesse o exame sem o realizar.

Segundo a informação dada esta quarta-feira no parlamento aos deputados pela administração, o Centro Hospitalar contactou o IPO quando o caso foi tornado público e terá sido informado de que a exigência de um termo de responsabilidade se prendia com alterações nos serviços devido a um processo de auditoria em curso.

A presidente do Cento Hospitalar lembrou ainda que o hospital iniciou dois processos diferentes: um de inquérito, onde estão a ser ouvidos médicos e a família do doente e outro, um processo de auditoria aos processos administrativos ligados ao circuito dos exames.