As medidas tomadas pela União Europeia contribuíram para “limitar o impacto das operações de desinformação, nomeadamente por parte de agentes externos” nas eleições europeias, que ainda assim não estiveram “totalmente imunes” à ação de “forças russas”, avaliou esta sexta-feira Bruxelas.

O relatório que compila os principais ensinamentos retirados das eleições europeias sustenta que, embora seja demasiado cedo para tirar conclusões definitivas sobre o nível e o impacto da desinformação no escrutínio, é “evidente que as medidas tomadas pela UE – juntamente com numerosos jornalistas, verificadores de factos, plataformas, autoridades nacionais, investigadores e sociedade civil – contribuíram para impedir ataques e expor tentativas de interferência nos processos democráticos”, nomeadamente de agentes russos.

Numa declaração conjunta, firmada, entre outros, pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pela comissária da Justiça, Vera Jourová, e pelo Comissário responsável pela União da Segurança, Julian King, a Comissão Europeia estima que os seus esforços contribuíram para “limitar o impacto das operações de desinformação, nomeadamente por parte de agentes externos, mediante uma colaboração mais estreita entre a UE e os Estados-Membros”.

“Contudo, muito há ainda a fazer. Com efeito, as eleições europeias não estiverem totalmente imunes à desinformação”, ressalvam os comissários, dando conta que a Comissão constatou, “no período que antecedeu as eleições”, a existência de “comportamentos coordenados não autênticos que visavam espalhar matéria fraturante nas plataformas em linha, incluindo com recurso a robôs em linha e a contas falsas”.

No documento esta sexta-feira apresentado, e que servirá como um contributo para o debate a realizar na próxima semana pelos líderes dos 28 no Conselho Europeu de 20 e 21 de junho, o executivo comunitário detalha que “as provas recolhidas revelam uma atividade de desinformação contínua e sustentada por parte de fontes russas, com o objetivo de inibir a participação e influenciar as preferências dos eleitores”.

“Esta [atividade] abrangeu um vasto espetro de temas, oscilando entre os ataques à legitimidade democrática da União e a exploração de debates públicos fraturantes em temas como as migrações e a soberania. Tal confirma que as campanhas de desinformação com origem em agentes estatais e não estatais constituem uma ameaça híbrida à UE”, nota o relatório.

A Comissão Europeia detetou “uma tendência consistente do uso de desinformação por parte de agentes maliciosos para promover posições extremas e polarizadas nos debates a nível local” e que “alguns atores nacionais adotaram as táticas e as narrativas usadas pelas fontes russas para atacar a UE e os seus valores”, tendo exposto cerca de mil casos de tentativas de ingerência russa desde janeiro.

“Outros atores externos também estiveram envolvidos”, aponta o relatório, sem especificar. Nesse sentido, Bruxelas insiste que “ainda muito há a fazer para proteger as instituições e os processos democráticos da UE”.

“A desinformação é uma ameaça em rápida evolução. As táticas utilizadas por agentes internos e externos, em especial com ligações a fontes russas, estão a evoluir ao mesmo ritmo que as medidas adotadas pelos Estados e pelas plataformas em linha. São necessários recursos humanos adequados e uma investigação contínua para combater novas tendências e práticas, melhorar a deteção e exposição de campanhas de desinformação e aumentar a preparação a nível nacional e da UE”, reforça.

A comunicação conjunta apresentada expõe o modo como o Plano de Ação contra a Desinformação e o Pacote Eleições contribuíram para lutar contra a desinformação e preservar a integridade das eleições para o Parlamento Europeu.