Rádio Observador

Clima

Guterres assume que a sua geração falhou o desafio da emergência climática

1.136

"A minha geração está a começar a entender que os jovens podem e devem liderar", disse o secretário-geral da ONU. A tarefa de quem está no poder é ajudar os jovens a resolver os seus problemas.

António Guterres falava no encerramento da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019

YURI KOCHETKOV/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, assumiu este domingo que a sua geração falhou numa resposta apropriada ao desafio da emergência climática e que compreende agora que os jovens podem e devem liderar esta luta.

António Guterres falava no encerramento da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019, que terminou este domingo em Lisboa, 21 anos depois de um evento semelhante e no qual participou e liderou como primeiro-ministro português.

“Nestes 21 anos percorremos todos um longo caminho”, disse António Guterres, lembrando que em 1998 a Internet dava os primeiros passos e a ameaça existencial das alterações climáticas não era ainda totalmente compreendida.

Cerca de 100 delegações de responsáveis pela área da juventude de todo o mundo reuniram-se durante dois dias na Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019, onde foram debatidos temas emergentes da juventude, entre os quais o desenvolvimento sustentável e a crise climática.

“Este encontro da juventude é particularmente importante, num momento em que há que reconhecer que os dirigentes políticos da minha geração não têm estado à altura dos desafios do nosso tempo e isso é particularmente grave nas alterações climáticas. É muito reconfortante para mim ver que são hoje os jovens que assumem a liderança e que – espero – possam levar os dirigentes políticos da minha geração a colocar-se do lado certo da história”, reforçou António Guterres aos jornalistas, já à saída da Conferência.

O secretário-geral das Nações Unidas, que começou por discursar em português e posteriormente, em inglês, avançou aos congressistas que, comparando com dados de há 21 anos, habitam hoje, no nosso planeta, “mais dois mil milhões de pessoas, aproximadamente”, o que significa que “temos hoje a mais numerosa geração jovem da história”.

António Guterres reconheceu que são estes jovens que encaram “novos desafios”, de entre falta de emprego, de educação, de saúde, “de mães grávidas enquanto ainda crianças, mas também ‘bullying’ ‘online’ e assédio”.

“Sem [tomada de] ação na emergência climática esta geração pode vir a encarar consequências devastadores. A declaração oferece uma forma de abordar estes desafios”, sublinhou.

O responsável adiantou ainda que em setembro “os olhos do mundo vão estar em Nova Iorque” para discutir a Agenda 21 e o Acordo de Paris, e a implementação dos seus desafios, recordando que “só há 11 anos para conseguir evitar os impactos das alterações climáticas”.

“Em ambos os casos estamos a ficar para trás, não estamos a fazer o necessário ”, reconheceu.

António Guterres afirmou também ser “claro que sem a impaciência, criatividade e inovação” dos jovens ”não vai haver êxito” na luta, esperando que alguns dos presentes na Conferência possam estar em Nova Iorque, em setembro.

“A minha geração falhou numa resposta apropriada ao desafio da emergência climática, e as crianças nas escolas perceberam melhor o desafio que muitos líderes e, em alguns casos, já estão a fazer a mudança”, admitiu.

O responsável considerou que os governos “estão a começar a ouvir” os jovens e reconheceu que a sua geração começa agora a perceber que os jovens “podem e devem liderar” contribuindo para os problemas avançando com soluções num quadro em que todos trabalhem conjuntamente.

“Estou convosco neste caminho que trilhamos juntos. As Nações Unidas estão convosco sempre que fizerem frente a injustiça e trabalhemos convosco para prevenir conflitos e promover a paz”, garantiu António Guterres.

Segundo o responsável, a parceria da ONU com a juventude “está plasmada na estratégia 2030 para tornar a organização das Nações Unidas num líder no trabalho com os jovens, que compreenda as necessidades destes e assegure que as sua opiniões são escutadas”.

“Hoje vivemos uma hora de mudança e queremos trabalhar no acesso à educação e saúde, assim como promover o pleno envolvimento da juventude nos processos decisores sobre estas matérias a nível local, nacional e global”, frisou António Guterres.

Encorajo-vos para que continuem a traçar metas ambiciosas e a testar limites”, afirmou.

Em 1998, o Governo Português, em cooperação com os parceiros do Sistema das Nações Unidas, organizou a Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, que se tornou um marco no trabalho em torno das políticas de Juventude.

Na Declaração final, ministros e demais líderes mundiais presentes, comprometeram-se a trabalhar com a Juventude num conjunto de políticas e programas que fossem ao encontro das preocupações dos jovens e melhorassem as suas vidas.

Estes compromissos cobriam as áreas prioritárias do setor, tal como definido no Programa Mundial de Ação para a Juventude, adotado em 1995 pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Agora, os Estados são chamados a intensificar os seus compromissos para integrar a perspetiva da Juventude na implementação da Agenda 2030 e da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019 e do Fórum da Juventude “Lisboa+21” resultará uma Declaração renovada sobre Políticas e Programas de Juventude (Lisboa+21), no quadro da Agenda 2030.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)