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Incêndios

Incêndios: Alentejo, Algarve e Andaluzia unem-se em projeto de centro ibérico de 24,6 milhões de euros

Os incêndios de 2017 levaram à criação do projeto CILIFO que envolve 15 instituições e organismos da Eurorregião Andaluzia-Algarve-Alentejo, como agências especializadas, municípios e universidades.

PAULO CUNHA/LUSA

A investigação e o combate aos incêndios florestais estão a unir as regiões portuguesas do Alentejo e Algarve e a espanhola da Andaluzia num projeto transfronteiriço, de 24,6 milhões de euros, a apresentar em Évora, na segunda-feira.

O projeto, designado CILIFO – Centro Ibérico de Investigação e Combate aos Incêndios Florestais, envolve 15 instituições e organismos da Eurorregião Andaluzia-Algarve-Alentejo, como agências especializadas, municípios e universidades.

Um dos parceiros portugueses, o único do Alentejo, é a Universidade de Évora (UÉ), que, na segunda-feira, é “palco” da apresentação pública e das jornadas de lançamento do CILIFO, a partir das 11h30, no Colégio Luís António de Verney, revelou esta sexta-feira a academia alentejana.

A investigação e o fortalecimento da cooperação entre universidades e os sistemas de proteção civil no apoio à prevenção e combate aos incêndios florestais na Andaluzia e no sul de Portugal estão no centro do projeto, que inclui um plano comum de investigação, formação e sensibilização a desenvolver nas três regiões, indicou a UÉ.

O investigador responsável pelo projeto na UÉ, Rui Salgado, explicou esta sexta-feira à agência Lusa que o CILIFO conta com um financiamento de 24,6 milhões de euros, sendo cofinanciado a 75% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Programa de Cooperação INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020.

O que “espoletou o lançamento” da iniciativa, cuja candidatura foi aprovada no ano passado, apesar de as ações arrancarem este ano, teve a ver com os incêndios e “as tragédias” ocorridos em Portugal em 2017, frisou.

Desde então, “em Portugal, houve muitas entidades a preocuparem-se com os incêndios, têm aberto diferentes programas para projetos” nesta área e “criou-se na opinião pública, mas também nas instituições a necessidade de se intensificar o combate” aos fogos, disse.

Mas, continuou, para tal, “sentiu-se a necessidade de melhorar a investigação, para se saber melhor como é que se vai combater, e ter também em atenção que as condições atualmente, nomeadamente do ponto de vista do clima, são diferentes” hoje em dia, pelo que as alterações climáticas são uma variável a considerar “nas estratégias para a prevenção e o combate aos incêndios”.

Segundo Rui Salgado, “grande parte do financiamento” vai ser aplicado em infraestruturas, como na criação do CILIFO, que vai ficar em Huelva, na Andaluzia, e na “formação para o combate aos incêndios florestais dos próprios operacionais”, assim como “na sensibilização das populações e dos estudantes para um conjunto de medidas que podem tomar” para prevenir fogos.

O CILIFO “também tem uma componente importante na área da investigação” e esse “vai ser o principal trabalho” da UÉ, através de três centros de investigação, assinalou.

Os institutos de Ciências da Terra (com especialistas em deteção remota, meteorologia e clima) e de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (engenharia florestal, fogos florestais e deteção remota) e o Centro de Investigação em Matemática e Aplicações (modelação matemática de apoio, particularmente à prevenção dos incêndios) são as unidades.

“Três anos é algum tempo, mas não é muito”, admitiu Rui Salgado, quanto à duração do projeto, assumindo que, no final, o objetivo é que o centro esteja montado em Huelva, que a rede de ligações entre parceiros se prolongue e que a investigação a desenvolver na UÉ permita “um salto qualitativo” que ajude a “prevenir melhor” os incêndios florestais.

O beneficiário principal do CILIFO é a Junta da Andaluzia. Os outros participantes espanhóis são a Agência do Meio Ambiente e Água da Andaluzia, a Agência Estatal Conselho Superior de Investigações Científicas — Estação Biológica de Doñana, as fundações Once e Finnova, Instituto Nacional de Investigação e Tecnologia Agrária e Alimentar e as universidades de Cádis, Córdoba e Huelva.

Do lado de Portugal, além da universidade alentejana, são parceiros do projeto a Comunidade Intermunicipal do Algarve e as câmaras municipais de Castro Marim, Loulé, Monchique e Tavira, no distrito de Faro.

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