Um dos vice-presidentes do PSD, Manuel Castro Almeida, deixou a atividade política em desacordo com o líder do partido, Rui Rio, noticiou este domingo o jornal Público.

De acordo com o Público, na origem da decisão estará o descontentamento de Manuel Castro Almeida com a maneira “centralista” como Rui Rio lidera o PSD — sem ouvir os outros membros da direção do partido antes de tomar grandes decisões. Castro Almeida explicou entretanto ao jornal que formalizou a “demissão no passado dia 19 em conversa com Presidente e, no dia 20, a renúncia por escrito”. O Observador tentou contactar o ex-vice do PSD que continua por explicar os motivos da sua decisão, mas não foi possível até à publicação deste artigo.

A decisão de Rui Rio de deixar muitos dos grandes nomes do partido de fora das listas para as eleições legislativas — optando essencialmente por jovens, alguns deles desconhecidos da generalidade do público — terá mesmo irritado muitos no círculo mais próximo de Rui Rio. Manuel Castro Almeida terá sido um deles.

Antigo secretário de Estado do Desenvolvimento Regional no governo de Passos Coelho, deputado em três legislaturas e ex-presidente da câmara de São João da Madeira, Castro Almeida era agora um dos seis vice-presidentes de Rui Rio no PSD.

O agora ex-vice-presidente do PSD já tinha vindo a demonstrar algum descontentamento com o funcionamento interno do partido. Em entrevista ao Público e à Renascença no ano passado, admitia a existência de “ruído interno” no partido, que dificultava a “perceção pública das propostas do PSD”.

Mais tarde, em fevereiro deste ano, numa entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, Castro Almeida afirmava mesmo que “se o PSD não ganhar as eleições é por culpa própria, porque o Governo está a fazer o necessário para as perder”. Mais: “Se não o fizermos é porque somos incompetentes”.

Já na tarde deste domingo, o Expresso acrescentou alguns pormenores sobre a saída de Castro Almeida da direção do PSD.

Segundo o Expresso, Castro Almeida informou Rui Rio da sua decisão num encontro na sede do PSD após as eleições europeias — na qual os sociais-democratas tiveram o pior resultado de sempre —, que foi a última reunião do partido em que participou.

Citando uma fonte próxima de Castro Almeida, o ex-vice-presidente do PSD sentiu uma “desilusão brutal” com o funcionamento do partido, cuja comissão permanente se transformou num “órgão unipessoal” em que os braços-direitos do presidente conhecem as decisões de Rio “pela imprensa”.

No seu comentário semanal, na SIC, o ex-líder do PSD Luís Marques Mendes disse não conhecer “as verdadeiras razões” da saída do social-democrata de quem é próximo. No entanto, Mendes considera que devem ter sido “razões muito fortes”, já que existe uma relação “muito longa pessoal e política” do antigo autarca com Rui Rio.