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Exposição em Lisboa questiona residentes locais e visitantes sobre o que é ser turista

Objetivo é "provocar" viajantes e habitantes locais e fazê-los pensar sobre o mundo. Exposição conta com fotografias no Padrão dos Descobrimentos e Torre de Belém e um "gabinete de curiosidades".

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Autor
  • Agência Lusa

A exposição “Are you a tourist?”, que vai ser inaugurada na quinta-feira, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, questiona residentes locais e visitantes sobre o que é ser turista e as suas práticas, disse esta quarta-feira a sua curadora.

Patente ao público a partir de 12 de julho, sexta-feira, “esta exposição representa uma provocação às pessoas que viajam e àquelas que recebem os turistas, que estão predispostas a pensar sobre o mundo”, explicou à Lusa Maria Cardeira da Silva, curadora da mostra e coordenadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA).

Fotografias de turistas, recolhidas pelo fotógrafo Luís Pavão, nas filas de entrada para a Torre de Belém e para o Padrão dos Descobrimentos, assim como numa estação ferroviária, acompanham, nas paredes da exposição, todo o percurso da visita.

“Uma encenação que pretende transformar os turistas num próprio destino turístico, quer através do espelho [na entrada da exposição], quer pelas fotografias [nas paredes]”, acrescentou a coordenadora científica à agência Lusa, durante uma visita de apresentação da mostra.

O “ponto central da exposição”, como definiu António Viana, responsável pela realização e conceção plástica, é um “’gabinete de curiosidades’, desenhado num conceito de linhas retas, inspirado nesses gabinetes dos séculos XVII, XVIII e XIX”, que reuniam uma multiplicidade de objetos associados a viagens ou descobertas nas artes e nas ciências.

Neste ‘gabinete de curiosidades’ do Padrão dos Descobrimentos constam “objetos do início do século XX até à atualidade, expostos de forma a que os visitantes percebam a passagem do tempo enquanto vão andando”, acrescentou António Viana, à Lusa.

Passaportes, taxímetros, utensílios de cozinha, dispositivos burocráticos, símbolos como o galo de Barcelos e a andorinha de Bordalo Pinheiro, bilhetes impressos e digitais, ‘souvenirs’ e outros objetos representativos de viagens e turismo, podem ser contemplados nesta galeria.

Este núcleo é acompanhado por um filme com retratos e testemunhos de cinco mulheres, sobre as práticas turísticas ao longo da história, numa tentativa de “transparecer a dificuldade que as mulheres daquela época [durante a ditadura] tinham em viajar, sempre com a autorização dos homens”, explicou Maria Cardeira da Silva.

Filmes com testemunhos de 70 pessoas, visitantes e residentes locais, em resposta à questão “Are you a tourist? Why?” (“É um turista? Porquê?”, em tradução livre), constitui outra das atrações da exposição.

“Nestes painéis de mosaicos, procurámos falar com pessoas diferentes entre si, de várias faixas etárias, numa tentativa de esbater as fronteiras [entre visitantes e residentes]”, explicou Jonas Amarante, responsável pela produção dos filmes.

Ao longo da mostra, podem ser apreciados “objetos que contam histórias de encontros turísticos, que caracterizem o objetivo das viagens, as motivações de cada um”, acrescentou a coordenadora científica Marta Prista, do CRIA.

Evocam histórias que vão desde “casamentos, tatuagens, turismo de raízes, viagens de dimensão ritual, defesa de direitos”, que abordam também relatos do turismo “profissional ao turismo colecionador, talvez o mais banal”, enumera a coordenadora, durante a apresentação da mostra.

Um “momento de contemplação”, como é apresentado, permite aos visitantes assistir a imagens de cruzeiros no rio Tejo – “a paisagem no exterior do Padrão dos Descobrimentos” -, sentados num banco de jardim, de costas para um mural representativo do bairro da Jamaica.

A reprodução de dois murais do artista italiano Andrea Tarli, situados no bairro da Mouraria e no largo da Achada, em Lisboa, constitui também parte desta exposição.

Margarida Kol de Carvalho, diretora do Padrão dos Descobrimentos, equipamento do universo da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), admite que “esta proposta surgiu com o tema, no momento e no local certos, fazendo todo o sentido acolher esta exposição e colocar esta questão, nesta altura, nesta cidade”.

“Esperamos muita afluência por parte do público, à semelhança das últimas exposições, que tiveram cerca de 50% dos visitantes do Padrão dos Descobrimentos, o que é ótimo”, acrescenta a diretora.

A exposição, patente até ao próximo dia 15 de dezembro, convida todos os visitantes, no final, a responder à questão central, “Are you a tourist?”, num quadro interativo, e a descobrir “Qual o próximo destino?”, num expositor que mistura folhetos informativos de eventos e locais, com documentos burocráticos, como vistos de residência.

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