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Espanha

Espanha. Sánchez oferece cargos ministeriais mas Iglesias não fica convencido

Sánchez cedeu cargos ministeriais ao Podemos, desde que futuros ministros tenham perfil "técnico e não político". Mas Pablo Iglesias não aceitou.

Pablo Blazquez Dominguez

A última proposta de Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, não agradou ao líder do partido de extrema-esquerda Unidos Podemos, com quem negoceia para tentar formar governo. Pablo Iglesias insiste numa “negociação integral” sobre os cargos no governo, escreve o El País. Esta quinta-feira, Sánchez abriu mão de alguns cargos ministeriais, desafiando Iglesias a sugerir nomes de possíveis ministros que correspondam a uma lista de requisitos — têm de ser independentes, ter um perfil técnico e não político, condições essas que impossibilitam que membros da direção do Podemos se possam sentar no Conselho de Ministros.

Discutir um programa está relacionado com discutir as equipas de governo. A chave é fazer uma negociação integral como se faz na Europa e nos governos autonómicos. Nós temos equipas preparadas há dois meses para ter uma negociação integral”, disse Pablo Iglesias numa entrevista à TVE.

A falta de acordo continua a marcar as negociações entre os dois partidos. Uma horas antes de ter proposto cargos ministeriais ao Podemos, Sánchez fazia questão de dizer que em primeiro lugar deveria ser discutido o programa e só depois a composição do Governo. “Devemos falar de conteúdos e conhecer o grau de consenso”, disse a Iglesias numa conversa telefónica. Pouco depois, continua o El País, punha sobre a mesa a opção de ceder cargos de ministros ao Podemos, ainda que insistindo no respetivo perfil técnico.

O PSOE (Partido Socialista Espanhol) ganhou as eleições legislativas no passado dia 28 de abril com 123 deputados num total de 350, mas até agora não conseguiu os apoios necessários para assegurar a investidura de Sánchez, que se vai realizar na semana que se inicia em 22 de julho. Os votos do Unidos Podemos são imprescindíveis à recondução de Pedro Sánchez, depois de todos os partidos à direita do PSOE já terem confirmado que vão votar contra a sua investidura, apesar dos múltiplos apelos de chefe do governo de gestão para que se abstenham.

A formação de extrema-esquerda exige a entrada de dirigentes seus, como ministros, no futuro Governo espanhol, possibilidade que os socialistas recusam terminantemente, preferindo apenas o seu apoio parlamentar e avançando apenas com a eventual concessão de lugares intermédios de poder (secretarias de Estado e direções-gerais). Mesmo se conseguir o apoio do Unidas Podemos, Sánchez terá de negociar com outros partidos ou, na pior das hipóteses, que se abstenham numa segunda volta, quando apenas precisar da maioria dos votos expressos.

A falta de progressos para formar governo, três meses depois das eleições legislativas, leva os analistas a avançarem cada vez mais com a possibilidade de que seja marcada uma nova consulta eleitoral.

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