Esta era uma final histórica em Wimbledon, com Roger Federer de 37 anos e Novak Djokovic de 32 anos a protagonizarem a decisão de Grand Slam entre jogadores mais veteranos. Esta era também uma final histórica na Era Open do ténis, a segunda com jogadores mais velhos apenas superada pela final do Open da Austrália de 1972 entre Ken Rosewall e Mal Anderson. Mas esta era, sobretudo, a possibilidade de ser uma final histórica para Federer, jogador com mais Grand Slams na história do ténis que, duas décadas depois, podia pela primeira vez derrotar no mesmo torneio Nadal e Djokovic, num trio que o suíço já descreveu como jogadores “com personalidades e estilos diferentes que contribuem de forma distinta para o jogo”.

Os números do confronto direto com o sérvio não eram propriamente o maior fator de motivação para o helvético. Olhando só para cruzamentos em Wimbledon, Federer ganhou nas meias-finais de 2012 mas perdeu nas finais de 2014 e 2015. Nos encontros realizados em Grand Slams, mais vitórias para Novak Djokovic (9-6). Em finais de torneios ATP, ideal (12-6). No total de todos os 47 encontros realizados até ao momento desde 2006, também (25-22). Mas se é verdade que o atual líder do ranking mundial estava em crescendo nesta edição do torneio inglês, como se viu no triunfo nas meias diante do espanhol Roberto Bautista, o triunfo do suíço no 40.º duelo frente a Nadal mostrou que os 37 anos eram só um número de identificação.

“Isto é como na escola: no dia antes do exame não podemos colocar-nos a ler não sei quantos livros…”, comentou na antecâmara desta final Roger Federer, explicando que o mais relevante após a dura meia-final que ganhou passava por recuperar no plano físico acima de qualquer treino. “Acho que quando se joga contra alguém mais que 15 vezes, especialmente nos últimos anos, não há muito que se possa deixar de fora. Estou muito animado por jogar esta final contra Novak [Djokovic], com quem já joguei muitas vezes. Fizemos um grande jogo em Paris e espero que seja novamente assim”, acrescentou. “Adoraria ganhar o máximo possível de Grand Slams. Não creio que nenhum de nós os três esteja a jogar por diversão porque queremos ser todos o melhor do mundo”, referiu também na antecâmara desta partida decisiva Novak Djokovic.

Cinco anos depois, com os mesmos intervenientes do encontro decisivo de 2014, a final voltou a ser um hino ao ténis e só foi resolvida no quinto e último set. Uma maratona de quase cinco horas, uma das maiores de sempre na relva de Wimbledon, com superioridades divididas, com quebras de serviço à mistura, com uma qualidade só ao nível de predestinados que vieram mudar por completo a modalidade ao longo de uma década e meia. Ganhou Djokovic, pode ter ganho Federer. Em qualquer cenário, foi um encontro épico. Histórico. Memorável. E que valeu o quinto triunfo ao sérvio no All England Club.

À semelhança do que aconteceu no primeiro set da meia-final com Rafa Nadal, Roger Federer chegou a ter uma possibilidade de break no segundo jogo de serviço de Djokovic e entrou com 0-30 na décima partida, quando estava em vantagem por 5-4. Não foi na primeira hipótese, não foi na segunda hipótese, também não haveria uma terceira hipótese: com todas as decisões a caírem para o tie break, o suíço até conseguiu fazer um mini break mas acabou por ser derrotado por 7-5, numa partida até então marcada pela forma como o helvético comandava a maioria dos pontos antes de conseguir winners ou cometer erros não forçados. No segundo parcial, a história foi diametralmente oposta e Djokovic perdeu três vezes o seu jogo de serviço, saindo derrotado por 6-1 num set com pouca história onde Federer conseguiu sempre ser superior.

Mais dois sets, mais uma repetição do que tinha acontecido até esse momento: Djokovic venceu o terceiro parcial no tie break por 7-4 depois de ter evitado um set point de Roger Federer e ter anulado a recuperação do suíço nas decisões, o suíço ganhou o set seguinte por 6-4 depois de ter conseguido quebrar por duas vezes o serviço do sérvio (que ainda reduziu de 5-2 para 5-4). Assim, tudo ficava adiado para o quinto e último set cinco anos depois da final entre… Djokovic e Federer.

Depois de um break do sérvio com contra break de imediato do suíço, ambos os jogadores foram segurando o seu serviço, voltaram a fazer breaks quando o suíço teve mesmo dois match points para fechar a final e tudo se prolongou até ao tie break (13-12, 7-3) que decidiu um encontro de gigantes e que durou quase cinco horas. Ganhou Djokovic, podia ter ganho Federer. E foi dessa forma que o suíço foi aplaudido pelo público que encheu o Court Central: como um campeão.